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O Papa adverte as congregações religiosas: acolham os refugiados, ou paguem impostos sobre a propriedade

Às vésperas de sua viagem aos Estados Unidos, o Papa Francisco referiu-se a si mesmo como “filho de imigrantes” e confirmou o que disse dando um aviso contundente às congregações religiosas na Europa que descartaram o seu apelo recente para abrirem as portas aos refugiados, preferindo usar as suas instalações como negócios a fim de ajudar nas despesas ordinárias. Vão em frente, disse o papa, mas se preparem para pagar impostos como todo mundo.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada por Crux, 14-09-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Segundo o pontífice, “algumas congregações pensam assim: ‘Agora que o convento está vazio, vamos fazer um hotel e podemos receber pessoas e, com isso, sustentamo-nos ou ganhamos dinheiro’. Pois bem, se vocês querem  fazer isso, paguem os impostos! Um colégio religioso, por ser religioso está isento de impostos, mas se funciona como hotel, então, que pague os impostos como qualquer vizinho do lado. Caso contrário, o negócio não é limpo”.

Alugar espaços para ajudar nas despesas operacionais é uma prática comum entre as ordens religiosas na Europa. Por exemplo, em Roma, uma “pensione” administrada por uma ordem de freiras, próxima à Praça de São Pedro, oferece um quarto, um café da manhã e uma missa às 7h por uma diária de 90 dólares. Elas também alugam o terraço da construção para a rede de TV e rádio americana CBS em dias de grandes eventos papais.

O papa também anunciou que as duas famílias de refugiados que ele planeja acolher no Vaticano já foram identificadas, e que elas irão permanecer aí “até quando o Senhor quiser”.

Estes seus comentários foram feitos durante uma entrevista ao jornalista Aura Miguel, da Rádio Renascença, de Portugal.

Na entrevista, Francisco mais uma vez criticou o que chamou de “um sistema socioeconômico mau e injusto” neste início do século XXI o qual estaria por debaixo da atual crise de refugiados na Europa.

A Organização Internacional para as Migrações estima que mais de 350 mil migrantes chegaram às fronteiras da União Europeia entre os meses de janeiro e agosto deste ano. Alguns acreditam que essas estimativas não condizem com a realidade: de acordo com a Eurostat [agência de estatísticas da União Europeia], 662 mil pessoas pediram asilo nos países que compõem o bloco em 2014.

“Hoje, o mundo está em guerra contra si mesmo (…), como digo, uma guerra em parcelas, mas também está em guerra contra a Terra, porque está a destruir a Terra, ou seja, a nossa casa comum, o ambiente”, disse o pontífice, referindo-se ao tema da sua recente carta encíclica, Laudato Si’.

Francisco também se queixou de corrupção entre os funcionários públicos “em todos os níveis”, dizendo que detecta uma frustração particular entre uma nova geração de políticos mais jovens.

“Porque as pessoas estão desiludidas”, completou, acrescentando: “Em parte, por causa da corrupção, em parte pela ineficácia”.

Reprisando um tema familiar, Francisco falou sobre a sua preferência por uma Igreja “acidentada” a uma Igreja “estagnada”.

“Se uma pessoa tem em sua casa uma divisão, um quarto, fechado durante muito tempo, surge a umidade, o mofo e o mau cheiro. Se uma igreja, uma paróquia, uma diocese, um instituto, vive fechada em si mesmo, adoece (…) e ficamos com uma Igreja raquítica, com normas rígidas, sem criatividade”, disse ele.

“Pelo contrário, se sai – se uma igreja, uma paróquia saem – lá para fora, a evangelizar, pode acontecer-lhe o mesmo que acontece a qualquer pessoa que sai para a rua: ter um acidente. Então, entre uma igreja doente e uma Igreja acidentada, prefiro uma acidentada porque, pelo menos, saiu para a rua”.

Com um olho no Sínodo sobre a família em outubro próximo, Francisco disse ser importante enfatizar que os fiéis cujos casamentos se romperam “não estão excomungados e têm de ser integrados na vida da Igreja”.

“Aproximar-se da missa, da catequese, na educação dos filhos, nas obras de caridade... Há mil coisas, não é?”, disse ele.

O pontífice também se viu diante de algumas perguntas pessoais, tais como o que o mantém acordado à noite. A resposta, ao que parece, é nada.

“Posso dizer-lhe a verdade? Durmo como uma pedra!”, respondeu.

Francisco embarca no sábado (19) para passar três dias em Cuba. Em seguida, nos dias 22 a 27 de setembro ele se fará presente em três cidades americanas: Washington DC, Nova York e Filadélfia.

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