“Nem legalismo nem opções arbitrárias para a boa vida da sexualidade. O padrão aborda a experiência”

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11 Agosto 2015

Também na moral sexual a boa vida está inserida entre o legalismo e o arbítrio. O trabalho da consciência é encontrar o ponto de equilíbrio, que todo casal deve procurar, harmonizando o padrão às vivências pessoais e eclesiásticas. Assim Maurizio Chiodi, teólogo moralista, volta ao tema da sua fé no primado da liberdade iluminada pela consciência.

A entrevista é de Luciano Moia, publicada pelo jornal Avvenire, 08-08-2015. A tradução é de Ivan Pedro Lazzarotto

Eis a entrevista. 

Procriação responsável e contracepção artificial. Porque a seu ver as duas escolhas não estão em contraste?

As escolhas podem não estar em contraste na medida em que ambas se transformam em um modo concreto para gerar de forma responsável, em “resposta” a Deus. Gerar um filho é um ato onde se recebe um dom e esse nasce da relação de doação conjugal, sacramental, que os dois cônjuges vivem um “com” e “pelo” outro. Isso é irrenunciável: manter indissociável o vínculo entre o relacionamento conjugal e a geração, como a Humanae vitae  sabiamente indicou.

O senhor sustenta que o padrão moral sobre a procriação responsável não pode coincidir com os estudos biológicos dos métodos naturais. Onde está o problema?

No sentido do método, a experiência da boa relação conjugal, incluindo as vivências do próprio corpo, que é irredutível a um objeto manipulável é mais do que o próprio método. Porém a sua observância “material” não garante, a priori, uma intencionalidade (prática) boa. Neste sentido, paradoxalmente, pode existir uma forma egoísta de praticar os métodos naturais, assim como, por exemplo, pode existir uma forma egoísta para fazer caridade. Do contrário, podem existir situações conjugais onde tais métodos, por muitos motivos, não são acessíveis ou praticáveis ou possíveis e, então, uma escolha diferente não está a priori de julgamento incompatível com o nexo entre a aliança conjugal e a geração responsável. Isso não desvaloriza a experiência ligada ao método, mas é esta que se torna “normativa” do método e não o contrário.

Mas dessa maneira não se perde a coerência com os ensinamentos dos Papas, da Humanae vitae de Paulo VI, à Familiaris consortio de João Paulo II?

A teologia tem um relacionamento inelutável com o colégio episcopal com o Papa, que é o chefe (cum Petro e sub Petro), e o colégio tem um relacionamento constitutivo com a Igreja, que é o povo de Deus e corpo de Cristo. O colégio não está nem acima nem fora da Igreja, mas dentro dessa e tem o dever de avaliar, mesmo de maneira definitiva, a eventual incompatibilidade de uma posição teológica com a verdade da Revelação.

No interior da Igreja, sem prescindir do colégio episcopal com o Papa, o serviço e o trabalho da teologia (moral) é de pensar as escolhas concretas da prática da fé. A teologia pensa e propõe. É um dever do colégio discernir, não necessariamente de forma definitiva, mas também não de forma autoritária. Isso vale para o que aconteceu com a Humanae vitae. Desta encíclica surgiram práticas pastorais virtuosas que são apreciadas. Mas também foi reconhecido que entre a norma por essa debatida e a prática de muitos fiéis existe um abismo e o silêncio um tanto embaraçoso de muitos padres é um sinal eloquente. Essas dificuldades não podem deixar de exortar a teologia moral. Não se trata de adaptar-se às novidades da moda, mas de absorver o desafio da praxe dos fiéis, para discerni-la à luz da Revelação.

Superar, como o senhor sustenta, a identificação entre a norma moral e a execução do preceito, não arrisca que se promova a desorientação?

A norma moral não acaba em si própria, se refere ao outro e neste sentido é sempre simbólica. Essa se refere ao bem, que nos é dado e é atribuído a Jesus, e pede que seja interpretada pela consciência que não se limita a aplica-la. Existem dois extremos a serem evitados: de um lado o legalismo, do outro o critério arbitrário. É preciso procurar o caminho correto, que está “no meio”, não porém num compromisso fraco. A expressão “primado da consciência” não é reduzida a um slogan. Não implica acabar com a norma, mas a necessidade de referi-la à experiência e à prática da própria consciência. É pouco apenas identificar a norma com objetividade e a consciência com subjetividade.

Entre os comportamentos que “guardam uma forma boa de viver a experiência da geração”, o senhor elenca métodos naturais, contracepção, mas também reprodução assistida. Como justifica essa afirmação que tantas pessoas julgarão chocante?

Quero dizer que as normas morais guardam a experiência da boa vida, também do fiel. Isso também diz respeito à moral sexual  que encontra, sem dúvida, no casamento entre homem e mulher, a sua figura fundamental. Cada situação, na sua especificidade, requer que seja compreendida a partir dessa relação, distinguindo e discernindo também nas “regiões de sombras”, onde a escolha não é entre o bem o mal, entre o preto e o branco, mas em situações obscuras ou conflitantes.

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