As relações perigosas de Peña Nieto

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07 Dezembro 2014

Um empreiteiro que construiu e ainda é proprietário da casa onde mora o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, ganhou uma série de contratos importantes do governo desde que Nieto assumiu a Presidência, há dois anos. Esses projetos são agora objeto de um escrutínio cada vez mais minucioso por parlamentares da oposição e por investidores estrangeiros.

A reportagem é de David Luhnow e Santiago Pérez, publicada pelo The Wall Street Journal e reproduzida pelo jornal Valor, 05-12-2014.

O empreiteiro, Juan Armando Hinojosa, está no centro do escândalo político que está abalando o governo de Peña Nieto ao levantar questões sobre a relação dos dois e a possibilidade de o favorecimento ter ajudado as empresas de Hinojosa a obter contratos do governo no valor de centenas de milhões de dólares.

Até agora, o maior foco está nos contratos que Hinojosa ganhou enquanto Peña Nieto era governador do Estado do México e na participação do empreiteiro na licitação de um projeto de trem de alta velocidade que o governo adiou no mês passado, depois que os outros interessados disseram que o processo foi conduzido às pressas.

Muito menos conhecida é a participação de Hinojosa num contrato de US$ 3,4 bilhões para a construção do mais longo canal aquático da América Latina e sua participação em um projeto de US$ 460 milhões de um novo museu na cidade colonial de Puebla, segundo registros públicos analisados pelo "The Wall Street Journal".

Outros contratos pouco conhecidos conquistados pelas unidades do Grupo Higa, a holding de Hinojosa, incluem vários projetos de rodovias federais, um contrato sem licitação para reformar o hangar presidencial do aeroporto da Cidade do México, e contratos para transportar autoridades do governo em jatos privados, segundo revelam os registros públicos. Outra das empresas de Hinojosa é parte de um grupo que está concorrendo ao projeto de construção de um novo aeroporto na Cidade do México, orçado em US$ 9 bilhões.

Hinojosa não quis comentar e não fez nenhuma declaração pública sobre o tema. Um porta-voz do Grupo Higa diz que a empresa respeitou a decisão do governo de cancelar o contrato do trem.

O gabinete de Peña Nieto nega qualquer sugestão de favorecimento. "Os projetos concedidos pelo governo são baseados em regras que procuram garantir processos competitivos, justos e transparentes para todos os participantes", informou a Presidência do México numa declaração em resposta às perguntas do "The Wall Street Journal".

Mas as revelações estão afetando o presidente politicamente. Uma pesquisa divulgada nesta semana mostra que a aprovação de Peña Nieto caiu para 39%, a menor de um líder mexicano em quase 20 anos.

O Partido Revolucionário Institucional (PRI), que está no poder e controla a maioria do Congresso, bloqueou solicitações da oposição para investigar as alegações de conflito de interesse que cercam a luxuosa residência.

A existência da casa, ou a quem ela pertence, não havia sido divulgada publicamente pelo presidente e veio à tona apenas depois que uma equipe de jornalistas investigativos do México escreveu a respeito.

O gabinete do presidente disse que a residência - chamada de "Casa Branca" pelos mexicanos devido ao seu interior de mármore branco - está sendo comprada pela primeira-dama Angélica Rivera com o dinheiro acumulado durante a sua longa carreira de sucesso como atriz. O casal mantém suas finanças separadas sob os termos do contrato de casamento.

Mas a Câmara dos Deputados do México chegou a um acordo, na terça-feira, para formar uma comissão para examinar o contrato do trem-bala, orçado em US$ 3,7 bilhões, que foi cancelado dias depois de ter sido concedido a um consórcio liderado por empresas chinesas e do qual participava a Constructora Teya, unidade do Grupo Higa, de Hinojosa.

Além disso, vários senadores da oposição estão pedindo que o tribunal de contas do governo examine todos os contratos públicos obtidos pelas empresas de Hinojosa desde 2010.

"Existe o sentimento que o presidente se beneficiou de uma empresa que tem múltiplos contratos com o governo, que vão bem além do trem para Querétaro", diz Laura Rojas, senadora do conservador Partido da Ação Nacional, em entrevista ao "The Wall Street Journal". "A credibilidade do presidente foi profundamente afetada."

As preocupações com as licitações públicas surgem num momento em que o México prepara seus primeiros leilões, em mais de 70 anos, de blocos de exploração de petróleo e gás natural para empresas privadas. Esses leilões serão um marco para um país que se tornou pioneiro na nacionalização do petróleo ao expulsar as petrolíferas privadas em 1938.

Os contratos de Hinojosa aprofundaram o ceticismo que muitos mexicanos demonstram em relação à abertura do setor de petróleo, sem mencionar as dúvidas as empresas estrangeiras que querem participar dos leilões.

"'O processo será transparente?' é uma pergunta frequente feita pelas empresas", diz um executivo sênior de uma multinacional de petróleo no México, que também cita condições deterioradas de segurança, ilustradas pela comoção nacional com o desaparecimento de 43 estudantes.

Quando Peña Nieto foi governador do Estado do México, o mais populoso do país, entre 2005 e 2011, empresas do Grupo Higa participaram da construção de hospitais, rodovias e prisões. A relação entre o político e a família Hinojosa é amplamente considerada como próxima.

No fim de 2007, Peña Nieto compareceu ao casamento do filho de Hinojosa, Juan Armando Hinojosa García. Quando ele morreu em um acidente de helicóptero, em 2012, o futuro presidente e sua mulher foram ao funeral.

O porta-voz de Peña Nieto disse que, durante a carreira política do presidente, ele desenvolveu relações "cordiais e respeitosas" com muitos empresários, políticos e outros membros da sociedade.

Na semana passada, o escritório do presidente informou que outra mansão luxuosa de propriedade de Hinojosa foi alugada pelo consultor jurídico de Peña Nieto para ser usada como escritório durante o período de campanha eleitoral e depois que ele foi eleito presidente.

Desde que Peña Nieto se tornou presidente, as empresas de Hinojosa conquistaram outros contratos expressivos. A Concretos y Obra Civil Del Pacífico tem uma fatia de 37,5% num grupo que ganhou os direitos de fornecer água para cidade industrial de Monterrey pelos próximos 50 anos, mostram os registros públicos.

Assim como o projeto do trem-bala, outros gigantes globais da construção mostraram interesse no projeto de Monterrey. Entretanto, a única empresa a fazer uma oferta concorrente, uma unidade da espanhola Abengoa, foi desqualificada por razões técnicas e, assim, o grupo a que pertencia a empresa de Hinojosa se tornou único participante.

O governo afirmou que o processo de licitação foi transparente e que a avaliação das capacidades técnicas dos participantes foi rigorosa.

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