Peru: fracassa a candidatura do cardeal Thorne

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28 Janeiro 2012

Nas eleições para a nova cúpula da Igreja peruana, foi derrotado pela quarta vez o cardeal Juan Luis Cipriani Thorne (foto). E prevalece a área dos bispos não se reconhecem no protagonismo do arcebispo de Lima.

A reportagem é de Gianni Valente, publicada no sítio Vatican Insider, 26-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Para os episcopados latino-americanos, é tempo de eleições. Depois do Brasil, Argentina e Venezuela, também no Peru os bispos escolheram a nova "cúpula" que irá liderar a Conferência Episcopal Peruana (CEP) pelos próximos três anos. E os resultados oferecem uma valiosa chave para reler as tensões e decifrar as sensibilidades predominantes que se movem dentro do catolicismo peruano.

A 99ª Assembleia Plenária dos Bispos do Peru, que ocorre em Lima até a próxima sexta-feira 27 de janeiro, elegeu na manhã desta quarta-feira, 25 de janeiro, como novo presidente da Conferência Episcopal Dom Salvador Piñeiro García-Calderón (foto), arcebispo de Ayachucho desde agosto passado. Aos 63 anos, com um perfil mais pastoral do que acadêmico, o novo presidente da CEP foi pároco, professor de teologia e reitor de seminário antes de se tornar vigário geral da arquidiocese de Lima e depois bispo castrense em 2001.

Sua escolha parece estar em forte continuidade com seu antecessor, Héctor Miguel Cabrejos Vidarte, arcebispo franciscano de Truijllo que presidiu a Conferência Episcopal por dois mandatos. Ao lado de Piñeiro como primeiro vice-presidente foi escolhido o jesuíta Pedro Barreto Jimeno, arcebispo de Huancayo, conhecido pelo seu compromisso com as questões sociais e ambientais, e também recém-nomeado presidente do Departamento de Justiça e Solidariedade do CELAM (o órgão continental de todos os episcopados latino-americanos). O segundo vice-presidente será o arcebispo de Arequipa, Javier Del Rio Alba, ligado ao Caminho Neocatecumenal.

A escolha feita pelos bispos do Peru adquire proeminência se levarmos em consideração a composição e as dinâmica internas que caracterizam o episcopado peruano, até em comparação com as outras Igrejas latino-americanas. Entre os 48 membros desse grupo episcopal nacional, 14 pertencem a movimentos e "novas" entidades eclesiais. Dois são do Sodalício de Vida Cristã, dois pertencem ao Caminho Neocatecumenal, e 10 provêm do Opus Dei. Entre estes há também o cardeal Juan Luis Cipriani Thorne, arcebispo de Lima e figura midiaticamente preponderante da Igreja peruana.

O cardeal Cipriani pode ser considerado pela enésima vez o derrotado do turno eleitoral. Na votação válida para atribuir o cargo de presidente, ele recebeu 21 votos; Piñeiro obteve 24; e houve duas cédulas em branco. Diante da primeira batalha perdida, Cipriani também concorreu como candidato "forte" para a primeira vice-presidência, sendo superado nessa competição por Barreto. Pela quarta vez desde que Cipriani é primaz da Igreja peruana, a maioria dos bispos peruanos rejeitaram a sua candidatura à presidência da CEP. E, com ele, nenhum bispo proveniente do clero do Opus foi cooptado para a sala de controle.

O resultado eleitoral propõe novamente antigas perguntas sobre a exasperada dialética interna que caracteriza o episcopado peruano. De fato, há mais de 15 anos, a Igreja do Peru debate e se divide em torno da figura e dos desempenhos de Cipriani. Filho de um casal de supranumerários do Opus Dei que se tornou cardeal, ele ocupa a cena com uma protagonismo midiático também, que parece excêntrico com relação ao estilo comumente reservado dos filhos espirituais de Santo Escrivá.

No ano passado, a sua figura esteve no centro de vibrantes polêmicas. Na primavera [europeia] passada, durante a campanha para as eleições presidenciais, quando o candidato de esquerda Ollanta Humala – que depois foi o vencedor – criticou sua adversária Keiko Fujimori pelas esterilizações forçadas de mulheres indígenas realizadas pelo seu pai (o ex-presidente Alberto Fujimori) na segunda metade dos anos 1990, Cipriani – que também se apresenta como um firme defensor do direito à vida – interveio em defesa da candidata de direita, acusando Humala de ter usado um "golpe baixo".

Depois dessa aprovação cardinalícia indireta, o então presidente da CEP, Héctor Miguel Cabrejos Vidarte, interveio para esclarecer que as declarações de Cipriani eram "a título pessoal" e não representavam a posição da Igreja no país andino. Também entrou em campo o escritor e prêmio Nobel peruano Mario Vargas Llosa, que, em um duro ataque no jornal El País, definiu Cipriani de "representante da pior tradição da Igreja, autoritária e obscurantista".

Nos últimos meses, os jornais peruanos têm relatado a dura disputa que estourou entre a Pontifícia Universidade Católica do Peru e o cardeal, que reivindica à arquidiocese de Lima o controle da instituição. Um cabo de guerra desgastante, que também provocou o envio por parte de Roma de um visitador apostólico – o cardeal húngaro cardeal Péter Erdö – e que os bispos peruanos críticos de Cipriani lhe imputam como mais uma prova das suas aspirações a expandir a sua influência.

No passado, mais de uma vez, as acusações dirigidas contra Cipriani alcançaram tons difamatórios, sendo que muitas de suas cartas comprometedoras chegaram ao Vaticano como "provas", o que ele sempre denunciou como um produto de manipulação.

Também circulou o boato do seu envolvimento no suposto assassinato do seu antecessor, o jesuíta Augusto Vargas Alzamora, que morreu de hemorragia cerebral. Ele, que na época também foi jogador da seleção peruana de basquete, sempre se defendeu com verve atlético. Fiel ao lema segundo o qual, até na Igreja, oportet ut scandala eveniant. Melhor brigar do que cultivar conformismos de unanimidade de fachada. Talvez criticando aqueles que, em sua opinião, seriam os bispos "seguidores de Gutiérrez", o teólogo peruano considerado o "pai nobre" da Teologia da Libertação.

Para além das querelas pessoais, o que está sendo posto em causa é o esquema que, por muito tempo, condicionou as dinâmicas eclesiais na América Latina (e não apenas lá), especialmente durante o pontificado wojtyliano: esquema que apontava tudo sobre grupos escolhidos e elites militantes para readquirir para a Igreja um lugar culturalmente influente também na cena pública. Muitas vezes em polêmica com as linhas predominantes na sensibilidade eclesial latino-americana, acusado abertamente de pró-liberacionismo.

Na verdade, essa opção preferencial acabou muitas vezes exacerbando polarizações conflitantes e exasperando as lutas de poder entre blocos episcopais contrapostos. Fomentando os venenos, as excomunhões recíprocas e comprometendo, em alguns casos, até mesmo uma salutar e fisiológica valorização dos carismas. Um desvio que atingiu o paroxismo no caso peruano, enquanto outras situações se movem para uma composição colegial das diversas sensibilidades eclesiais.

Agora, com o apelo à "conversão pastoral" proposto na última assembleia do episcopado latino-americano realizada em Aparecida, o esquema dos grupos militantes que distribuem patentes de ortodoxia, dividindo o corpo eclesial entre "amigos" e "inimigos", parece estar ainda mais anacrônico. A imagem da Igreja que se oferece a todos como "uma mãe que sai ao encontro, uma casa acolhedora" proposta em Aparecida não se concilia com o espetáculo de um grupo clerical totalmente imerso nas lutas entre facções pela hegemonia interna.

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