Cardeal peruano usa missas para atacar Vargas Llosa

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23 Maio 2011

Um comunicado do cardeal foi repetido durante todos os atos litúrgicos. A disputa pessoal entre Mario Vargas Llosa e o cardeal Cipriani (foto) foi levado ao plano político e se espera que os fiéis tomem posição.

A reportagem é de Elizabeth Prado, publicada no jornal peruano La Republica, 23-05-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Os fiéis que participam da paróquia La Santísima Cruz, em Barranco, escutaram surpresos aos sacerdotes que celebraram a missa dominical, que leram um pronunciamento da arquidiocese de Lima contra o escritor Mario Vargas Llosa, que, em um comentário, reclamou que o arcebispo de Lima não defendeu os direitos humanos e lamentou que o primado do Peru representasse a ala conservadora da Igreja Católica.

A especial leitura do documento que foi dada ao concluir todos os atos litúrgicos do dia na paróquia barranquina causou sonoros aplausos e expressões de júbilo entre os fiéis que romperam a tradicional espiritualidade do templo.

No entanto, os participantes que celebraram o conteúdo do pronunciamento, assinado no dia 20 de maio, pelos bispos auxiliares, pelo vigário-geral, pelos vigários episcopais e pelos sacerdotes da arquidiocese de Lima, não souberam responder o que havia motivado o comunicado que acabavam de ouvir.

"O senhor Vargas Llosa insultou a Igreja. Não sei qual foi a frase em si, mas sei que ele insultou a Igreja. Todas as minhas amigas que vieram à missa das 7h da manhã, assim como à das 10h, comentaram. É um pecado grave, não pode ser", comentou, fora de si, uma senhora que vimos recolher as ofertas para a paróquia durante a missa do meio-dia, celebrada pelo "padre Carlos".

Outras pessoas, que também não estavam a par das opiniões expressadas pelo Prêmio Nobel, se sentiram negativamente surpresas com o que consideraram "expressões de confronto" dentro de um templo. "Não sei o que dizer, porque desconheço o que Mario Vargas Llosa disse. Fiquei surpreso com essa leitura. Eu gosto de me expressar espontaneamente, mas isso me deixou sem palavras, ainda mais quando começaram os aplausos entre os últimos bancos. Eu sei que esse senhor (Vargas Llosa) é agnóstico. Repito que não sei o que ele disse, mas tudo isso me surpreendeu", reiterou um paroquiano que participou da missa do meio-dia, acompanhado de sua esposa.

Na celebração eucarística, tanto da manhã quanto da noite, foi o próprio pároco, padre Jaime Calvo, que se encarregou de ler o texto de apoio ao cardeal Juan Luis Cipriani.

Não em todas as igrejas

O comunicado do clero de Lima que expressa "adesão e lealdade ao senhor cardeal Juan Luis Cipriani Thorne" não teria sido lido nas igrejas que respondem a congregações religiosa, como é o caso das que se encontram no centro de Lima, como as igrejas de Nuestra Señora de La Merced e de Santo Domingo.

Seus párocos disseram que o referido comunicado não lhes havia sido enviado, mas que cumpririam com sua leitura se lhes fosse pedido pelo arcebispado. "Não recebemos nada", reafirmou um sacerdote.

Convite aos peruanos

O documento que a paróquia La Santísima Cruz se encarregou de divulgar a todos os seus fiéis começa mencionando que a Igreja Católica sempre defendeu os direitos humanos "e, em particular, o direito à vida".

Depois, rejeita as expressões de Mario Vargas Llosa contra "a cabeça na Igreja particular, em Lima".

Finalmente, faz um chamado a todos os peruanos para que sejam instrumentos de unidade e eleva orações para que o país seja abençoado "com paz e unidade".

No entanto, muitos perceberam um sinal de confronto na decisão de divulgá-lo em um templo religioso.

"A missa não é para a política"

Salomón Lerner Febres, ex-presidente da Comissão de Verdade e Reconciliação, disse que esse fato seria um escândalo para os católicos.

"Vamos à missa para estar com Deus e não para ouvir leituras de caráter político, nem em defesa de determinadas pessoas, e menos ainda utilizar como instrumento algo que é sagrado. Significa uma profanação e uma falta de respeito muito grande, se é que isso aconteceu", disse Lerner.

Quanto aos aplausos provocados pela rejeição a Mario Vargas Llosa indicada no pronunciamento do clero, Salomón Lerner disse que essas pessoas não sabem por que vão à missa, nem sabem o que devem encontrar nela. "Tudo isso me parece injusto", afirmou.

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