Como a pastoral paroquial com pessoas LGBT muda o nosso modo de ser Igreja?

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24 Novembro 2018

Embora elas muitas vezes não ganhem manchetes, as pastorais LGBT paroquiais são uma das formas mais importantes pelas quais os católicos estão vivendo a Igreja inclusiva e justa que buscam.

O comentário é do teólogo estadunidense Robert Shine, diretor associado do New Ways Ministry. É formado pela Catholic University of America e pelo Boston College School of Theology and Ministry. O artigo foi publicado em Bondings 2.0, 15-11-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Recentemente, uma jornalista compartilhou como tal pastoral paroquial a ajudou a se tornar católica, uma história que deveria inspirar os defensores católicos da igualdade LGBT a seguirem em frente.

Caitlin Weaver escreveu no The Huffington Post sobre a sua experiência de se tornar católica por causa do orgulho LGBT. O marido de Weaver era católico, e, no início, eles moravam em Nova York, onde a paróquia dele era inclusiva. Mas, depois de se mudarem para Atlanta, ela não estava esperançosa de encontrar uma igreja católica que acolhesse pessoas LGBT – até que, um dia, ela e o marido foram à Parada Gay da cidade:

“E lá estavam eles. Vestidos com camisetas de arco-íris, os membros do Santuário da Imaculada Conceição, uma igreja católica no centro de Atlanta, acenaram e sorriram para nós. Tivemos uma conversa poderosa e calorosa, e nos despedimos ganhando de presente ímãs de geladeira e camisetas brilhosos e com a nossa promessa de conferir a missa no dia seguinte. A igreja ficava a apenas duas milhas da nossa casa.”

“Na manhã seguinte – continua ela –, estacionamos em uma rua vazia no centro da cidade, na região conhecida principalmente por seus abrigos a sem-teto e por seus prédios públicos decrépitos. A igreja se erguia orgulhosamente no meio da decadência. Lá dentro, encontramos uma casa lotada e um rumor constante enquanto as pessoas se abraçavam e se cumprimentavam nos bancos. Quase metade da assembleia usava camisetas de arco-íris com o nome da igreja. No Sul dos Estados Unidos, ainda informalmente segregado, esse era o grupo mais misto que eu já tinha visto – pessoas de todas as raças, jovens e velhas, gays e heterossexuais. Só o nosso banco parecia um vagão de metrô de Nova York (exceto pelo cheiro).”

“O padre, um homem genial, tipo Papai Noel, falava apaixonadamente sobre o amor de Jesus por todas as pessoas. Ele encerrou lembrando àqueles que planejavam marchar na Parada Gay depois da igreja para usarem suas camisetas e observando que a próxima festividade da igreja LGBTQ iria ocorrer na próxima sexta-feira. O coro quase explodiu o teto com um tremendo canto spiritual que fez todos aplaudirem e dançarem pelos bancos. Quando a missa terminou, o padre e os diáconos tiraram suas vestes para revelar suas próprias camisetas de arco-íris e marcharam orgulhosamente pelo corredor em meio a fortes aplausos.”

Quase imediatamente, Weaver e seu marido decidiram que o santuário se tornaria a paróquia deles. Weaver refletiu ainda em seu artigo que a sua experiência durante a Parada Gay e desde então é, mas não deveria ser, relativamente única.

Observando tanto a história do santuário com suas antigas pastorais às comunidades HIV/Aids e LGBTQ e também a sua consciência da atual crise dos abusos sexuais do clero, Weaver comentou:

“Se realmente queremos nos afastar da Igreja corrupta e insular do passado, precisamos de um projeto de abertura e de hospitalidade radical para o futuro. Muitos outros católicos compartilham essa convicção. Quando eu olho ao redor na minha Igreja, no entanto, eu vejo um futuro do qual eu quero fazer parte. Então, embora eu nunca tenha querido pertencer a uma paróquia católica, é lá onde você me encontrará todos os domingos. Eu batizei meu filho lá. Eu sirvo lá. Eu tenho até um adesivo com o nome da nossa igreja no meu carro. Neste ano, quando eu estiver marchando na Parada Gay com os outros membros da minha igreja, eu provavelmente vou olhar ao redor e, infelizmente, vou questionar a ausência de outras paróquias católicas. Eu também ficarei cheia de gratidão porque, por enquanto, eu encontrei um lugar para mim, onde a graça abunda, e onde todos são bem-vindos.”

O Santuário da Imaculada Conceição em Atlanta é uma das cerca de 200 igrejas na lista de comunidades e paróquias amigas da comunidade LGBT. Também está incluída nessa lista uma igreja que foi recentemente noticiada no National Catholic Reporter devido às suas 90 pastorais, a do Santo Nome de Maria, em San Dimas, Califórnia, que abriga o grupo “Sem Barreiras para Cristo” como uma pastoral para os católicos LGBT, suas famílias e aliados. (...)

Na maioria das vezes, porém, os esforços lentos e constantes dos católicos comuns não são noticiados pela mídia nem são amplamente conhecidos. Com tantas manchetes dedicadas à politicagem dos bispos, o trabalho local pode parecer insignificante ou ser esquecido. Mas é um erro deixar essas boas obras escaparem de vista. Pois há incontáveis conversas calorosas em almoços paroquiais, há momentos de louvor onde emoções profundas são compartilhadas em comunidade, há abraços de cura e vozes inspiradoras, e há momentos para desafiar as injustiças na Igreja.

Um dia, quando pudermos cantar verdadeiramente que todos são incondicionalmente bem-vindos na Igreja Católica, será porque esses atos de amor, mais do que qualquer declaração de um bispo ou um ato papal, mudaram a Igreja.

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