Teilhard de Chardin: a Igreja que reabilita o jesuíta darwinista. Artigo de Alberto Melloni

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24 Novembro 2017

“Hoje o Pontifício Conselho para a Cultura pede que se revogue o monitum sobre Chardin: pedido justo e fácil. Ao contrário, foi menos fácil revogar uma mentalidade que se iludia de exorcizar com as condenações o risco de ligar e desligar fé e culturas, oferecendo o dom da esperança.”

A opinião é do historiador italiano Alberto Melloni, professor da Universidade de Modena-Reggio Emilia e diretor da Fundação de Ciências Religiosas João XXIII, de Bolonha

O artigo é publicado por La Repubblica, 23-11-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

O padre Teilhard de Chardin – jesuíta, cientista evolucionista e teólogo francês – morreu em Nova York em 10 de abril de 1955. Mas seu corpo e sua obra continuaram despertando alerta e ressentimentos no Santo Ofício. Instituição pequena e poderosíssima, que, em junho de 1962, sete anos após seu falecimento e a um passo do início do Concílio, atingiu as suas obras com um monitum. Não uma condenação, nem mesmo uma daquelas ferozes e farsescas que atingiram o teólogo francês Henri-Marie de Lubac. Não uma sanção que se enfurecia contra a vida e o ensino de um colega reformador como Yves Congar.

Mas uma afirmação de puro poder sobre um homem-símbolo, para dar a entender ao papa e ao seu Concílio que o Santo Ofício não estava disposto a depor as armas da severidade – precisamente aquelas que João XXIII colocaria “fora da lei” ao abrir o Vaticano II.

Teilhard era paleontologista: havia passado cerca de 20 anos na China e em muitos outros países onde havia escavações. Para ele, as descobertas sobre a origem do homem e a evolução traçavam um desígnio: não aquele design inteligente que ainda seduz os fundamentalistas, como se fosse uma prova da existência de Deus; mas um desígnio em que a evolução mostra como complexidade e consciência crescem juntas até o ômega da Cristogênese.

Justamente essa centralidade do homem e a releitura da encarnação pareciam intoleráveis a uma Igreja que falava apenas a língua da condenação. Sugestiva e emblemática, a obra de Teilhard de Chardin marcou, nos anos 1960, o divisor de águas entre dois modos de pensar a relação entre fé e ciência: e o monitum não foi revogado porque simplesmente perdera sentido e fundamento, reduzindo-se a símbolo de um poder repressivo pronto para se enfurecer contra os mortos.

A novidade é que hoje o Pontifício Conselho para a Cultura pede que se revogue o monitum: pedido justo e fácil. Ao contrário, foi menos fácil revogar uma mentalidade que se iludia de exorcizar com as condenações o risco de ligar e desligar fé e culturas, oferecendo o dom da esperança.

Portanto, é bom que os atos injustos sejam apagados. Mas contanto que não seja um gesto de vaidade extrema, mas sim um ato penitencial, diferente do “pedir desculpas” midiático ou da “reabilitação” à la Kruschev. E que se torne um modo de viver a graça, em que a Igreja se levanta na ponta dos pés para colocar no alto a luz do Evangelho.

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