Observando (e refletindo) sobre os números da popularidade papal

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08 Novembro 2017

Um escritor católico recentemente afirmou que Francisco pode ser "o Papa mais popular da história". Na verdade, os dados não evidenciam tal fato, já que os números do papa João Paulo II eram melhores, mas o que realmente demonstram é que não importa quem seja o papa, os católicos tendem a apoiá-lo. Será que ao pensar que a maioria dos católicos avalia os papas em termos de posicionamento de esquerda ou de direita os jornalistas estão simplesmente enganados?

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada por Crux, 07-11-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Em meio à discussão desencadeada pela decisão recente do Capuchinho Padre Thomas Weinandy de ir a público com uma carta criticando o Papa Francisco, um famoso escritor católico julgou improcedente a afirmação do padre de que os católicos estão "escandalizados" pelo Pontífice, ao dizer: "Mentira. Francisco deve ser o papa mais popular da história".

A linha chamou a minha atenção, porque o discurso desse tipo de discussão geralmente não gira em torno de afirmações que possam ser avaliadas empiricamente. Por ser uma qualidade em torno da qual se desenvolveu toda uma ciência, decidi voltar aos últimos 40 anos para ver o que nos dizem os dados.

Antes de prosseguir, vale advertir sobre três aspectos.

Em primeiro lugar, as estatísticas a seguir referem-se apenas aos Estados Unidos. O papa é uma figura global, e seriam necessários dados do mundo todo para avaliar sua posição real em um determinado momento. No entanto, a maior parte dos números na discussão de Weinandy provém dos EUA, e, portanto, é interessante observar como suas afirmações vão de encontro às evidências estadunidenses.

Em segundo lugar, popularidade é uma medida extremamente inexata dos méritos da liderança de qualquer pessoa. Dizer que um papa era mais popular do que outro, definitivamente, não é o mesmo que dizer o papa X era melhor que o Y.

Um problema típico da estatística, claro, é interpretar seu significado em excesso.

Em terceiro lugar, a busca por popularidade não é o objetivo do papa de modo algum, e desconfio que os dados a seguir teriam um impacto sem sentido algum aos três últimos pontífices.

Dito isto, vamos aos números.

Seguem os dados da Gallup, em relação aos posicionamentos de todos os estadunidenses, católicos ou não. Os resultados são expressos em percentual de pessoas cuja visão a respeito do papa é favorável.

  • Papa João Paulo II

Dezembro de 1978: 85%
Junho de 1981: 93%
Maio de 1998: 86%
Abril de 2005: 78%

  • Papa Bento XVI

Junho de 2005: 55%
Maio de 2008: 63%
Maio de 2010: 40%
Fevereiro de 2013: 54%

  • Papa Francisco

Fevereiro de 2014: 76%
Julho de 2015: 59%
Outubro de 2015: 70%
Janeiro de 2017: 70%

Qual a moral da história?

Primeiro, com exceção de fatores específicos que podem produzir alguma queda temporária, os papas em geral são populares nos Estados Unidos. Com exceção de maio de 2010, quando uma crise de abusos sexuais se espalhou por toda a Europa com efeitos em cascata nos Estados Unidos, o índice de aprovação de Bento XVI permaneceu constantemente acima de 50%, muitas vezes bem acima, durante a maior parte de seu papado, e suas avaliações foram as mais baixas dentre os três.

Em segundo lugar, Francisco é incrivelmente popular nos Estados Unidos. Numa época em que o índice de aprovação da Gallup sobre o presidente Donald Trump é 39%, os robustos 70% do Papa parecem particularmente impressionantes. As estatísticas podem não provar tudo, mas certamente nos indicam que Francisco tem forte apoio dos estadunidenses.

Em terceiro lugar, ele não é "o papa mais popular da história", pelo menos nos EUA. Nos últimos 40 anos, a média de aprovação de João Paulo nos EUA foi de 85,5%, e a de Francisco até agora é de 68,75%.

Será que isso muda de figura se nos concentrarmos nos posicionamentos católicos? Novamente, vejamos os números.

Aqui, nos embasaremos no centro de pesquisa Pew Research Center, que também vem rastreando esses assuntos por um bom tempo. Estes são os resultados, expressos em porcentagem de católicos estadunidenses que consideram sua opinião sobre o Papa como "muito" ou "em grande parte" favorável.

  • Papa João Paulo II

Maio de 1987: 91%
Maio de 1990: 93%
Junho de 1996: 93%
Março de 2005: 87%

  • Papa Bento XVI

Julho de 2005: 67%
Março de 2008: 74%
Abril de 2008: 83%
Fevereiro de 2013: 74%

  • Papa Francisco

Março de 2013: 84%
Fevereiro de 2015: 90%
Outubro de 2015: 81%
Janeiro de 2017: 87%

Mais uma vez, três pontos parecem claros.

Em primeiro lugar, se os estadunidenses em geral gostam dos papas, os católicos do país gostam muito. Considerando todos esses números em conjunto, a taxa média de aprovação dos papas pelos católicos estadunidenses nos últimos 30 anos é de 84%.

Em segundo, a popularidade de Francisco entre os estadunidenses católicos é forte e profunda, com uma taxa média de aprovação de 85,5%. Qualquer um que afirme que "a maioria" ou até mesmo "uma grande parte" dos católicos estadunidenses estão descontentes com o Papa Francisco não está considerando as evidências.

(Naturalmente, há um debate ativo sobre o Papa Francisco dentro da casta clerical e entre os especialistas leigos, mas o mesmo ocorreu com todos os papas desde os primórdios.)

Em terceiro lugar, Francisco ainda não é "o papa mais popular da história". A taxa média de aprovação de 91% de João Paulo entre católicos estadunidenses é 5,5 pontos superior.

Certamente, Francisco chegou em uma época mais polarizada dos EUA, em que uma taxa de aprovação acima de 90% é provavelmente fantasiosa para qualquer coisa ou qualquer pessoa. Além disso, se tivéssemos dados globais precisos e comparáveis do período de 1978 a 2017, é bem possível que o Papa Francisco estaria no topo, em partes porque 40% dos católicos do mundo também são da América Latina.

Talvez as melhores conclusões para esses dados, no entanto, sejam as seguintes.

Em primeiro lugar, como os estadunidenses, e principalmente os católicos, tendem a gostar dos papas, a opinião pública não deve ser uma boa escolha para construir um argumento a favor ou contra qualquer pontífice em particular.

Em segundo, chama a atenção que as taxas médias de aprovação entre os católicos de três papas considerados pela mídia como conservador, ultraconservador e liberal, respectivamente, sejam de 91%, 75% e 86%.

Será que o que os números realmente provam que ao pensar que os católicos avaliam os papas principalmente em termos de posicionamento de esquerda ou de direita nós, jornalistas, estamos fora da realidade?

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