James Martin, jesuíta, aos bispos dos Estados Unidos: “Onde estão as declarações em defesa dos LGBT”?

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07 Novembro 2017

"O respeito significa, no mínimo, reconhecer que a comunidade católica LGBT existe". Em uma fala na Filadélfia, o jesuíta James Martin lançou um desafio ao episcopado estadunidense: que de uma vez por todas reconheça que existem católicos não heterossexuais. E não simplesmente que existem católicos "afligidos por uma atração para pessoas do mesmo sexo", uma vez que o respeito que esses fiéis merecem implica em "chamar as pessoas pelo que querem ser chamadas".

A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Religión Digital, 04-11-2017. A tradução é de André Langer.

O padre Martin começou sua fala na noite da segunda-feira da semana passada na igreja de Old St. Joseph’s, explicando o significado do título do seu livro que ele veio apresentar, que é traduzido para o espanhol como Construindo pontes: como a Igreja católica e a comunidade LGBT podem entrar em uma relação de respeito, compaixão e sensibilidade. O jesuíta esclareceu que as "pontes" às quais o título do seu livro faz referência tornaram-se necessárias na medida em que houve "uma falta de comunicação e muita desconfiança" entre os fiéis LGBT e a hierarquia eclesiástica.

Como prova disso, Martin apontou a reação do episcopado dos Estados Unidos após o massacre no clube gay de Orlando, em junho do ano passado, em que morreram mais de 50 pessoas. "A maioria dos bispos não disse nada" após a tragédia, lamentou o jesuíta, e daqueles que ofereceram condolências e orações, “apenas alguns mencionaram as palavras LGBT ou gay". Fato que a Martin, disse, pareceu "um certo fracasso no momento de reconhecer a existência" da comunidade gay.

Mas, em que poderia consistir um gesto do episcopado que pudesse satisfazer os fiéis gays e fazê-los sentirem-se acolhidos, finalmente, em sua Igreja? Martin não tem nenhuma dúvida. Primeiro, se a hierarquia quiser respeitá-los verdadeiramente, teria que enterrar de vez "frases como ‘afligido por uma atração a pessoas do mesmo sexo’, que nenhuma pessoa LGBT que eu conheci usa", disse o padre. E, segundo, a hierarquia deveria publicar declarações em defesa da comunidade gay, assim como "os líderes católicos publicam regularmente declarações em defesa dos não nascidos, dos refugiados e migrantes, dos pobres, dos sem teto e dos idosos".

Mesmo assim, a ponte da Igreja institucional para os católicos LGBT seria incompleta sem mais dois outros passos, na opinião de Martin. Um, que a hierarquia seja "consistente" em sua política de contratações e demissões de pessoal. Muitas vezes, esta política tem sido usada apenas contra funcionários eclesiais gays, quando, na opinião de Martin, "para ser consistente, deveríamos demitir pessoas que não ajudam os pobres. Devemos demitir pessoas que não perdoam. Devemos demitir pessoas que não amam". E o último passo que a Igreja pode dar para alcançar realmente a periferia que é a comunidade LGBT: a hierarquia deve dar o primeiro passo.

"O ônus recai sobre a Igreja institucional", concluiu Martin em sua intervenção. "Eu quero ser muito claro: o ônus recai sobre a Igreja institucional, porque é a Igreja institucional que fez os católicos LGBT se sentirem marginalizados, e não o contrário. Então, o trabalho deve ser feito pelos líderes da Igreja".

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