Lampedusa, o retorno amargo dos sobreviventes do massacre "Não é mais a ilha que nos salvou"

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03 Outubro 2017

"Aqui, eu nasci uma segunda vez, a Itália me deu outra vida. Deixei em casa, na Suécia, o meu bebê de seis meses, a fim de voltar para Lampedusa, para homenagear os meus companheiros de viagem que perderam suas vidas, para abraçar os outros sobreviventes e os pescadores que nos salvaram. Mas hoje, em Lampedusa, a atmosfera é diferente. Sinto que querem fechar o Mediterrâneo, que querem mandar de volta as pessoas. Mas quem, como eu, sobreviveu e viu tanto sofrimento no deserto, no mar, na Líbia, sabe que não é possível mandar as pessoas de volta. Peço à Europa que encontre uma alternativa, peço aos governos europeus para visitem e vejam com seus próprios olhos o que está acontecendo na Líbia e peço às pessoas para continuar a nos acolher".

A reportagem é de Francesco Viviano e Alessandra Ziniti, publicada por Repubblica, 01-10-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Kebrat, a jovem eritreia que se acreditava morta no naufrágio de 3 de outubro de 2013 e que foi salva pela intuição do médico de Lampedusa, Pietro Bartolo, ao detectar um leve batimento em seu pulso, percebe imediatamente que, mesmo aqui, na ilha onde ela deixou seu coração, a atmosfera parece ter mudado. Será um 3 de outubro diferente aquele que, agora por lei, celebra na ilha símbolo da emergência da imigração o Dia da Memória, em honra às 368 vítimas daquele naufrágio. Desde aquele dia até hoje a estarrecedora contabilidade dos mortos e desaparecidos no Mediterrâneo ultrapassou a cifra de 15.000 e os recentes acordos entre Itália e Líbia, e mais geralmente as políticas europeias para conter os fluxos, assustam aqueles que lutaram para que se tornasse lei o Dia da memória.

"Muitas coisas mudaram, começando com a linguagem política que está gerando ódio racial e xenofobia, mesmo onde, como na Sicília, nunca houve. Insultos, agressões físicas e verbais, hoje tudo é justificada e justificável pelas palavras e atitudes da política - afirma Tareke Brhane, presidente do comitê 3 de Outubro - E isso é muito grave, eu cheguei à Itália em uma barcaça há 11 anos e nunca tenha visto nem ouvido coisas semelhantes".

Até mesmo as recentes palavras do novo prefeito de Lampedusa, Salvatore Martello, que solicitou o fechamento do hotspot, mostrando toda a sua intolerância contra os migrantes hospedados que, segundo ele, teriam levado a ilha "ao colapso", criando uma palpável sensação de constrangimento. Caberá a ele, na manhã do dia 3, como anfitrião, abrir a marcha que vai levar até a porta da Europa. Giusi Nicolini (a ex-prefeita derrotada, símbolo e bandeira da Lampedusa do acolhimento) não estará presente. "Pela primeira vez - ela conta com amargura – em 3 de outubro, não estarei em Lampedusa, prefiro participar da cerimônia na Câmara, em Roma". E não estarão nem o ministro do Interior, Minniti, nem o das Relações Exteriores, Alfano. Não foram convidados. Juntamente com os sobreviventes que retornam à Lampedusa pela terceira vez, vindos dos países europeus para onde eles se mudaram, e as centenas de alunos das escolas italianas e europeias trazidas para Lampedusa pelo Miur, estarão o presidente do Senado Piero Grasso e a ministra Fedeli.

"Neste momento tão ruim - explica Tareke Bhane - preferimos deixar a política de fora. Nosso investimento é direcionado para os jovens, é para eles, para esses novos cidadãos da Europa que queremos falar para divulgar a nossa mensagem de solidariedade". Kebrat acrescenta: "Fechar a Líbia não vai impedir que as pessoas continuem a procurar outra rota para fugir. Desejo que meus filhos estudem, para ter uma vida melhor e ajudar todas as pessoas que precisam. Espero que jamais tenham que conhecer o sofrimento pelo que passei, mas que não se esqueçam aqueles que precisam de ajuda".

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