O drama migratório testa a Europa

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25 Agosto 2015

“A solução humanitária não pode substituir a solução política”, disse Roland Schilling, vice-delegado da agência das Nações Unidas para refugiados. A União Europeia não faz muito mais do que operações de resgate.

A reportagem é de Elena Llorente e publicada por Página/12, 24-08-2015. A tradução é de André Langer.

Os 4.400 migrantes salvos no sábado, em 22 operações diferentes, pela Guarda Costeira italiana e outras embarcações por ela coordenadas, estão começando a chegar à península para serem encaminhados para diferentes regiões. Nunca se viu números semelhantes de resgates em um só dia no estreito da Sicília (o espaço de mar de cerca de 100 quilômetros que separa a ilha da Sicília, isto é, a Itália da Líbia). E estes mais de 4.000 são apenas os que tratam de chegar à Itália. Da Grécia, por sua vez, muitos sírios e afegãos que atravessaram primeiro a Turquia, decidiram chegar à União Europeia através da Macedônia. A Macedônia, que não é membro da União Europeia, mas está na Europa, entrou na lista das zonas fronteiriças com grave crise migratória, como são a Itália, Grécia, Hungria e França-Grã-Bretãnha, pelo que acontece em Calais.

No começo, a Macedônia tratou de fechar as fronteiras com a polícia, jogando inclusive gás lacrimogêneo. Mas as pessoas estavam decididas. Muitas mães com crianças pequenas, idosos e jovens pais de famílias acamparam durante vários dias ao longo das fronteiras, em péssimas condições de higiene e alimentação, pressionando inclusive com seus corpos para que os deixassem passar. O governo da Macedônia acabou cedendo. Nas últimas 24 horas chegaram à Sérvia, passando pela Macedônia, cerca de 8.000 refugiados que foram colocados nos centros de acolhida de Preservo, no sul do país, segundo informou o secretário da Cruz Vermelha local, Ahmet Halimi. A maior parte destes viajantes da Síria, Iraque, Paquistão e Bangladesh quer chegar a outros países da Europa. Alemanha, França, Inglaterra e os países escandinavos são os mais visados, onde talvez têm familiares ou pelos menos sabem que conseguirão trabalho e uma vida tranquila.

Quanto aos 4.400 resgatados, a Guarda Costeira recebeu 20 pedidos de auxílio no sábado pela manhã dos migrantes que viajavam em 22 embarcações ou botes infláveis. Os traficantes costumam dar-lhes um telefone ou ao menos um número da Guarda Costeira para que telefonem pedindo auxílio e assim ser salvos. Os colaboradores dos traficantes – que costumam eles próprios ser migrantes e que assim ganham alguns euros – pilotam as lanchas e costumam misturar-se depois ao grupo, de maneira a passar despercebidos quando são resgatados e chegam à terra.

A não ser que durante a viagem ocorram sérios problemas, como a morte por asfixia de mais de 15 pessoas na semana passada, obrigados a viajar no porão da embarcação sem permitir que saiam à luz. Aqueles que veem fatos similares a estes, ao chegar contam sua experiência às autoridades e a polícia pode deter alguns dos traficantes. No sábado, foram presos quatro deles em Messina e seis em Palermo, ambas cidades da Sicília. Tinham entre 20 e 40 anos e boa parte deles eram egípcios. No caso dos presos em Palermo, os imigrantes contaram que durante a navegação dezenas de mulheres e crianças foram presos no porão da embarcação a chaves e só lhes foi permitido sair quando suas famílias pagaram uma considerável soma – além daquela já paga antes de embarcarem – como resgate.

Mas, afora as operações de resgate realizadas pelas autoridades italianas e certas cotas de refugiados que alguns dos países aceitam receber, a União Europeia não está fazendo muito mais. E neste aspecto foi muito claro o vice-delegado para o sul da Europa da UNHCR, a agência das Nações Unidas para refugiados, Roland Schilling. “Necessitamos de maior colaboração da Europa. A solução humanitária não pode substituir a solução política – disse em declarações à Rai News, a televisão pública italiana. Estamos vivendo uma tragédia terrível. A metade da população síria está em movimento, refugiando-se nos países próximos ou em outros. Há necessidade de uma maior assistência humanitária, mas também de uma maior solidariedade entre os países europeus”.

“Nós esperamos que os governos europeus ajudem. Estamos assistindo o governo grego em sua atividade de coordenação e também assessoramos a Itália para ordenar-se melhor. Mas queremos manter nossos recursos para as situações graves do Terceiro Mundo, como sempre foi. Mas, se as coisas continuarem assim, teremos que aumentar a nossa atividade e dar ajudas de emergência no centro da Europa. E o faremos”, concluiu.

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