Frente antipapal divulga edição falsa do L’Osservatore Romano

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11 Fevereiro 2017

Outra surpresa desagradável para o Papa Francisco. Em menos de uma semana dos cartazes anti-Bergoglio afixados ilegalmente em vários bairros romanos, as dores de cabeça das alas mais ortodoxas da Cúria e do mundo católico reapareceram. Sinal de que o mal-estar é mais persistente do que parece, e que, justamente por isso, talvez não deveria ser descartado como se não fosse nada, reduzido a uma piada de mau gosto e sem efeitos.

A reportagem é de Franca Giansoldati, publicada no jornal Il Messaggero, 10-02-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Desta vez, a rebelião sarcástica, subterrânea e, mais uma vez, anônima tomou a forma da sátira venenosa, feroz, mordaz. A Pasquinada 2.0 foi entregue nestes dias no endereço de e-mail de diversos monsenhores, cardeais, bispos e gentis-homens.

Capa da edição falsa do L'Osservatore Romano divulgada em rede

Sim, sim, não, não

Um deboche sarcástico totalmente centrado no silêncio do Papa Francisco em relação aos quatro cardeais das “dubia”, Burke, Meissner, Brandmüller, Caffarra – cujas dúvidas doutrinais sobre as aberturas à comunhão aos divorciados recasados abriram um intenso debate interno, sem exclusão de golpes baixos.

Os purpurados das “dubia”, em setembro passado, tinham endereçado ao papa uma carta pública que continha cinco perguntas baseadas nas “contradições” contidas na Amoris laetitia, o documento pós-sinodal fruto dos dois sínodos sobre a família.

As perguntas tinham sido formuladas de tal forma que exigiam duas respostas, um sim ou um não. Nunca antes um documento papal sobre o amor tinha produzido tantas fraturas, incompreensões e amarguras.

O cardeal Burke, bastante irritado pelo fato de Francisco, em dezembro, ainda não ter respondido aos “irmãos cardeais”, tinha levantado a hipótese de uma espécie de ultimato, evidenciando que um pontífice em erro (sobre questões de fé) podia ser corrigido mediante um procedimento utilizado também nos séculos passados.

Tudo começou aí. O que está circulando via e-mail é uma cópia perfeita, em formato PDF, do L’Osservatore Romano, com a manchete em letras garrafais: “Ele respondeu!”. “Francisco quebrou o silêncio sobre as dubia dos quatro cardeais. Seja o vosso falar sim, sim, não, não. Dito e feito, eis os cinco sic et non com os quais o papa esclareceu cada dúvida. Explicadas, cada uma, com proposições retomadas do seu inequívoco magistério anterior.” Para cada uma das cinco perguntas, o papa, em vez de responder afirmativa ou negativamente, oferece uma versão ambígua. E replica: “Sim e não”.

Quem redigiu os textos e a gráfica da versão falsa, além de conhecer perfeitamente a terminologia e a estrutura dos documentos, quis evidenciar a confusão levantada. Por exemplo, a terceira dúvida.

“Depois da Amoris laetitia, pode-se ainda considerar que uma pessoa que vive em estado de adultério se encontra em uma situação objetiva de pecado grave habitual?” No jornal vaticano falso, o papa responde com uma frase (verdadeira) pronunciada no dia 16 de junho do ano passado. “Com a adúltera, Jesus se faz um pouco de tolo, deixa passar o tempo, escreve no chão e depois: o primeiro de vocês que não tem pecado atire a primeira pedra. E a moral qual era? Era de apedrejá-la, mas Jesus contorna a moral. Isso nos leva a pensar que não se pode falar de rigidez.”

A primeira página do jornal é acompanhada por outros artigos satíricos. Por exemplo, o imediato posicionamento do cardeal Kasper e do jesuíta padre Spadaro, dois dos consultores mais ouvidos do Papa Bergoglio. Kasper, tendo ouvido as respostas do pontífice, cai de joelhos. “Confesso, estar de joelhos é um pouco incômodo, mas essa é a única posição correta em que devemos nos colocar enquanto lemos as tranquilizadoras respostas papais aos cardeais duvidosos.”

Mais intrincada é a parte de Spadaro: “Depois dessas respostas, 2 mais 2 é igual a 5, como eu já tinha profetizado em um tuíte às vésperas da Epifania”.

O falso falecimento

Seguem-se outros artigos afiados, também de gosto duvidoso, como o falecimento do cardeal Pio Vito Pinto (que, na realidade, não é cardeal, mas apenas decano cessante da Rota), uma figura central a qual o Papa Bergoglio se confiou desde o início para concretizar a reforma sobre o matrimônio. Um processo complicado que, desde o primeiro momento, apresentou problemas, tanto que foram necessários dois motu proprio diferentes para garantir uma certa reorganização.

A ironia do pasquim 2.0 só podia se abater também sobre Vito Pinto. “Desde o amanhecer desta manhã, perderam-se os rastros do cardeal Pinto, decano do tribunal da Rota Romana. No início da manhã, tinha chegado na Casa Santa Marta um envelope com as respostas às dubia dos quatro cardeais, que o Papa Francisco se preparava para tornar públicas no mesmo dia. O cardeal abriu o envelope, leu as respostas do papa e exclamou, com visível satisfação: ‘ Mais claro do que isso, só morrendo!’. Depois disso, ele desapareceu. Foi o que testemunhou a governanta do purpurado, interrogada por um funcionário da Gendarmeria papal.”

A pasquinada via web acabou no centro de fofocas e comentários. Talvez podem não ter voltado os corvos do passado, não mais identificáveis nos vazamentos, na divulgação de materiais candentes das salas sagradas por obra de mãos cúmplices. Desta vez, é apenas o dissenso que ultrapassou a Porta Sant’Anna.

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