“A Amoris Laetitia não muda uma única vírgula da doutrina; no entanto, muda tudo”, afirma cardeal

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28 Outubro 2016

“Sim, e ponto”. O cardeal Walter Kasper fez sua a resposta à pergunta sobre a possibilidade de que os católicos divorciados recasados possam comungar dada pelo próprio Papa Francisco.

A reportagem é de Cameron Doody e publicada por Religión Digital, 27-10-2016. A tradução é de André Langer.

O cardeal acaba de publicar um artigo científico na revista alemã Stimmen der Zeit (Revista para a Cultura Cristã) na qual reitera que a exortação apostólica Amoris Laetitia abre a porta para uma plena participação na vida da Igreja por parte de pessoas que se encontram em situações “objetivamente irregulares”. Além disso, Kasper sustenta – contra vozes como as dos cardeais Burke e Müller – que A Alegria do Amor goza, tanto por seu “caráter formal” como por seu “conteúdo”, de todo o peso de um documento magisterial.

“Por trás do tom pastoral do documento pulsa uma postura teológica bem pensada”, defende o cardeal da Amoris Laetitia, documento no qual o Papa “respeitou o sentir da maioria de dois terços do Sínodo sobre a Família”. Se ficou alguma “confusão” após as interpretações “semi-oficiais” que continuam sendo produzidas, afirma Kasper, ela foi provocada por “terceiros” que “se afastaram” do sensus fidei e da vida do Povo de Deus. Com a Amoris Laetitia, o Papa “tem o sentido da fé da grande maioria dos fiéis ao seu lado”, escreve o cardeal. “O documento não muda uma única vírgula da doutrina”, disse, “mas a muda inteiramente”.

A chave da exortação, segundo o cardeal, reside em “sua maneira realista, aberta e relaxada de abordar a sexualidade e o erotismo”, que não procura “nem doutrinar nem moralizar”. “Tomando-a com pinças”, prossegue, “pode-se dizer que a Amoris Laetitia distancia-se da visão agostiniana principalmente negativa sobre a sexualidade e se volta para uma perspectiva tomista positiva sobre a criação”.

A influência de Santo Tomás de Aquino que Kasper vê na exortação se faz sentir de duas formas. Por um lado, na sua insistência em que o ideal moral – neste caso, o matrimônio para toda a vida – é um optimum fora do alcance de muitos. Por outro lado, o cardeal faz alusão ao deslocamento da “moralidade legal” para a “moralidade da virtude” como outro exemplo da influência do Doutor Angélico sobre a exortação apostólica. “Muitas vezes, temos que escolher o mal menor”, escreve Kasper. “Na vida, não há preto e branco, mas diferentes matizes e sombras”.

Como paradigma desta moralidade dos cinzentos da vida real que propõe, Kasper olha para a dificuldade que as pessoas têm de convencer-se da existência, e verdade, de uma “norma objetiva”, conceito que lhes parece “infinitamente distanciado do mundo e da realidade”. “A consciência de muitas pessoas é, muitas vezes, cega e surda ao que se apresenta a elas como a Lei Divina”, reconhece o cardeal: algo que, embora não perdoe seu “erro”, torna-o compreensível e justifica uma atitude de “compreensão e misericórdia” para com eles.

Já no campo das disputas sobre se as pessoas divorciadas e recasadas pelo civil podem ou não tomar a comunhão, Kasper defende, antes de qualquer coisa, que a “Amoris Laetitia assenta as bases para a mudança da práxis em casos individuais razoáveis”. Exatamente quando se dão as circunstâncias oportunas para que um católico em uma nova relação possa beneficiar-se do Sacramento é algo que o documento do Papa deixa propositalmente em aberto, entre outras coisas porque nos anima a olhar além da letra da lei e para o seu espírito.

“Não precisamos nos centrar nas notas”, opina Kasper, em referência à famosa nota de rodapé 351 no capítulo 8 da exortação. “Muito mais importante é que a integração gradual (da pessoa), que é o tema central, tem como propósito e fim seu acesso à Eucaristia em uma participação plena na vida da Igreja”. Tanto é assim que a famosa resposta “sucinta” que o Papa Francisco deu sobre a questão da comunhão para os recasados – “Sim e ponto” –, mesmo que não se encontre dessa maneira na Amoris Laetitia, “responde ao seu teor geral”.

Sobre a possibilidade de que a presença de divorciados comungando provoque escândalo, Kasper dá uma resposta encorajadora: também há circunstâncias em que negar os sacramentos é tão escandaloso quanto oferecê-los, e se pergunta pelo que a Igreja deve fazer em tais situações de proibição. “Não nos resta outra coisa que ‘ser misericordiosos como o Pai’”?, afirma o cardeal.

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