Müller sobre as “dúvidas” dos quatro cardeais: não a polarizações

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03 Dezembro 2016

O cardeal Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, confirmou que seu dicastério não irá responder às “dubia” formuladas pelos quatro cardeais sobre a Amoris Laetitia, que se concentram na possibilidade de os divorciados recasados poderem ter acesso aos sacramentos, em alguns casos e após um percurso de discernimento.

A reportagem é de Andrea Tornielli e publicada por Vatican Insider, 02-12-2016. A tradução é de André Langer.

O cardeal alemão, em uma entrevista concedida à agência austríaca Kathpress, explicou que o ex-Santo Ofício “age e fala” com a autoridade do Papa, por isso não pode tomar parte em uma “divergência de opiniões.

Müller também chamou a atenção para o perigo das “polarizações” na Igreja. O Papa Francisco referiu-se ao mesmo argumento durante a homilia de 19 de novembro passado, durante o Consistório: “O vírus da polarização e da inimizade – disse o Pontífice – permeia as nossas maneiras de pensar, sentir e agir. Não somos imunes a isto e devemos estar atentos para que esta conduta não ocupe o nosso coração”.

O prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé também explicou que as cinco “dúvidas” foram enviadas diretamente ao Papa antes de serem publicadas e declarou que Francisco ainda poderá encomendar à Congregação que acalme a tensão. “Neste momento – acrescentou – é importante que cada um de nós permaneça concentrado, que sejamos objetivos, em vez de entrar em polêmicas e, muito menos, criá-las”. Müller decidiu não dar respostas às passagens da Amoris Laetitia que, segundo os quatro cardeais, teriam criado “confusão”.

A Congregação para a Doutrina da Fé, que fala com a autoridade do Papa e com sua aprovação, não tomou partido. Mas existem os textos das proposições sinodais e da exortação pós-sinodal Amoris Laetitia publicada pelo Pontífice, que abre a possibilidade, com cautela e não como direito nem, muito menos, indiscriminadamente, para chegar, em alguns casos e após um profundo caminho de discernimento, à concessão dos sacramentos.

Para concluir, o cardeal expressou sua opinião pessoal sobre o argumento na mesma entrevista, na qual recordou, com respeito à comunhão para os divorciados recasados, que a Congregação para a Doutrina da Fé não permitiu, em 1994, que três bispos alemães colocassem em prática esta possibilidade.

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