Cardeal Müller sobre os acobertamentos em Spotlight: a maioria dos padres foram “amargamente injustiçados” por generalizações de abuso

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04 Março 2016

Perguntado sobre a sua reação quanto à revelação de um acobertamento sistemático dos abusos sexuais clericais no filme vencedor do Oscar deste ano, Spotlight, o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Gerhard Müller, disse que apenas um número de indivíduos não motivados pelo ofício sacerdotal, e sim pessoas “perturbadas e imaturas” foram consideradas culpadas de abusar sexualmente de menores.

A reportagem é de Christa Pongratz-Lippitt, publicada por National Catholic Reporter, 02-03-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Christa Pongratz-Lippitt é correspondente austríaca da revista católica londrina The Tablet.

“A grande maioria dos padres foram amargamente injustiçados pelas generalizações relativas aos abusos”, declarou o prelado, lembrando que as estatísticas criminalísticas mostram que a maioria dos pedófilos encontram-se dentro do círculo familiar. “Eles são pais e outros parentes das vítimas. Não se pode, no entanto, tirar a conclusão inversa de que a maioria dos pais são, pois, perpetradores potenciais ou de fato”.

Na entrevista ao jornal alemão Kölner Stadt Anzeiger em visita ao seu país natal, a Alemanha, o cardeal disse que não via problema algum na palavra “abafar” sendo usada com referência aos bispos e aos casos de abuso sexual.

“Para mim, abafar algo significa evitar deliberadamente que um delito reconhecido seja punido ou não evitar que futuros delitos ocorram”, disse Müller. “Hoje, como todos sabemos, em décadas passadas o que sabíamos no tocante aos abusos sexuais era muito diferente do que sabemos hoje.

Infelizmente, ninguém parava para considerar as consequências a longo prazo dos abusos cometidos naquela época como, graças a Deus, temos feito atualmente. Admoestar seriamente o perpetrador era, muitas vezes, tido – de um modo um tanto ingênuo talvez – como sendo o suficiente”.

Grandes avanços foram feitos no campo das ciências humanas, salientou Müller, e, portanto, a forma de tratar os perpetradores e as vítimas mudou enormemente também. A Igreja precisa reconhecer que ocorreu uma mudança de paradigma no que diz respeito aos abusos sexuais “para o qual não há volta”, completou.

“Antes de tudo está a justiça às vítimas, o sofrimento delas; dar-lhes de volta a sua dignidade. “As medidas preventivas adotadas pelas Conferências Episcopais são igualmente decisivas, no entanto”, disse.

O entrevistador perguntou ao cardeal se a Igreja Católica tem sob domínio a crise envolvendo os abusos sexuais cometidos pelo clero.

A Congregação para a Doutrina da Fé, que é o tribunal ulterior para os casos de abusos sexuais cometidos pelo clero, tem agido com “a maior das responsabilidades” desde que se tornou responsável por tais casos, respondeu ele.

Esta Congregação garante um procedimento justo “pelo qual o perpetrador também tem o direto de ser ouvido e de se defender. Existem pessoas que foram injustamente acusadas e que, de acordo com os seus próprios relatos, tiveram uma experiência bastante desagradável”.

Quando lhe foi lembrado que isso também se aplica a vítimas cujo abuso ficara provado, Müller falou: “O sofrimento delas é terrível. Mas os perpetradores devem assumir a responsabilidade por isso e não pessoas inocentes só porque estão pertos deles profissionalmente”.

Enquanto isso, o padre jesuíta Klaus Mertes, quem primeiro revelou casos de abuso sexual em um colégio jesuíta de Berlim durante o seu período como diretor em 2010, vem pedindo a Müller que se retire do cargo ocupado atualmente.

Os bispos que contribuem para o acobertamento de casos de pedofilia deveriam ser removidos do ofício episcopal ou se aposentar, disse Mertes ao Kölner Stadt Anzeiger.

De acordo com ele, quando Müller era bispo de Regensburg entre os anos de 2002 e 2012, ele ignorou as diretrizes da Conferência Episcopal alemã, que recomendava que os padres condenados por abusar sexualmente menores de idade jamais deveriam ter autorização novamente para trabalhar com crianças ou jovens ou reinstalar um padre que tivesse servido uma pena de prisão por pedofilia.

“Ao invés de se retirar, Müller, que acobertou e ignorou abusos sexuais quando estava no mais alto cargo na Igreja na diocese, simplesmente subiu na escada hierárquica”, segundo Mertes. “Ele ainda fala continuamente de ‘campanhas maliciosas da imprensa’ contra a Igreja Católica.

Não demonstra sinal algum de remorso e certamente nenhum sinal de disposição a lidar com os problemas estruturais que a Igreja tem em relação com os abusos. Para ele, trata-se apenas de alguns clérigos maus, e que tudo o mais está em ordem na Igreja, podendo ela continuar como sempre foi”.

“Em minha opinião, isso é intolerável – sobretudo intolerável para as vítimas”, continuou Mertes. “Como alguém assim, chefe da Congregação ulteriormente responsável pelos abusos, pode ter novamente credibilidade?”

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