As aflições do escândalo da pedofilia, segundo jesuíta alemão

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01 Agosto 2011

O jesuíta Klaus Mertes (foto) falou que, em 2010, havia denunciado diversos casos de abuso.

A reportagem é de Alessandro Alviani, publicada no sítio Vatican Insider, 01-08-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O Vaticano ouve uma "minoria barulhenta e convencida de sempre ter razão", que age na sombra e liquida todas as críticas como um gesto de deslealdade. A denúncia vem do jesuíta Klaus Mertes, ex-diretor do Colégio Canisius de Berlim, que, em janeiro de 2010, tornou públicos diversos casos de abusos pedófilos na sua instituição, provocando um escândalo que abalou a Igreja Católica na Alemanha durante meses.

Em uma entrevista à revista Der Spiegel, Mertes explica ter recebido e-mails e cartas cheias de ódio, em que foi acusado de deslealdade e de querer dividir a Igreja. Até um cardeal no Vaticano pediu o seu afastamento. "Isso eu posso aceitar. O que me parece mais grave é que uma parte da hierarquia eclesiástica se curve diante dessa gente que agride com palavras, porque teme ser insultada, por sua vez. Entre a hierarquia, há oportunismo com relação a uma minoria barulhenta e convencida de sempre ter razão", afirma.

Mertes os define como "católicos-sombra que provocam de modo vulgar", pessoas "que interpretam toda crítica como deslealdade e repudiam aqueles que têm questões, espalhando suspeitas obscuras". A minha preocupação, continuou o jesuíta, é que essas pessoas "encontrem ouvidos no Vaticano. É particularmente amargo que Roma aceite as delações. Aqueles que se comportam assim são protegidos pelo anonimato e podem agir na sombra. Eles têm a importância que lhes é concedida de cima".

Mertes depois fez um mea culpa sobre a questão dos abusos. "Minimizamos a violência sexual e nos calamos por muito tempo". Depois do escândalo, "demos alguns passos, mas ainda temos muito caminho pela frente antes de chegar ao fim". O jesuíta se irrita particularmente com o cardeal Sodano, que havia definido as denúncias dos abusos como "fofoca de momento". "É incrível. Eu fiquei atônito por como se pode dizer uma coisa dessas. Me envergonho ainda hoje por essa frase", observa. "Consolou-me o fato de o cardeal de Viena, Christoph Schönborn, tê-lo contradito publicamente. Sou-lhe imensamente grato por isso".

A Igreja deve começar a falar abertamente sobre a sexualidade, acrescenta Mertes, que em setembro irá se transferir de Berlim para um colégio jesuíta na Floresta Negra. "Quando alguém quer falar sobre sexualidade, a cúpula [da Igreja] é atacada pelo medo de não poder ter a discussão sob seu controle. No fim das contas, é o medo de perder o poder. Fazemos perguntas, e a resposta é um grande silêncio".

Muitos católicos, conclui, mostram "um grande cansaço e uma profunda resignação, porque, quando tentam falar, se chocam contra o muro de silêncio de um mundo paralelo".

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