Mudar a matriz energética é o grande desafio após Cúpula de Paris

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11 Janeiro 2016

A reportagem é de Afonso Benites, publicada por El País, 10-01-2016.

Há sete anos consecutivos, a bióloga e doutora em planejamento ambiental Izabella Teixeira bate ponto no bloco B da Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Primeiro de 2008 a 2009, ela era a secretária-executiva do Ministério do Meio Ambiente. A partir de 2010, como comandante da pasta. Por ser um quadro técnico, e não político, quase foi derrubada da função duas vezes por pressão do PT, o partido da presidenta Dilma Rousseff. O curioso é que quem carregou essa servidora de carreira do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (IBAMA) para o ministério e para a subsecretaria de Ambiente do Rio – entre 2007 e 2008 – foi um petista, o antecessor dela na esplanada, Carlos Minc.

No que ano que passou, os poucos sorrisos de Teixeira e seu discurso que mistura termos técnicos em português e em inglês, sua fala firme e rápida, além da fama de workaholic, a trouxeram para os holofotes. Ela ajudou a transformar o Brasil em um dos protagonistas nas discussões ambientais durante o principal encontro da área realizado entre novembro e dezembro, em Paris, a Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas, a COP21. Teixeira foi umas das principais negociadoras entre os líderes das delegações. Dizem, no Ministério do Meio Ambiente, que ela só não falou com o Papa para que fosse possível chegar a um consenso.

E, como quem cobra os outros tem de dar exemplo, a ministra elencou duas metas ambiciosas para o Brasil: zerar o desmatamento ilegal na Amazônia em 2030 e mudar a matriz energética até 2040. Ou seja, são 15 anos para combater a devastação amazônica, que só na última década viu cair uma área de 222.000 quilômetros quadrados – o equivalente à metade da Espanha – e 25 anos para passar a ter sua produção de energia dividida igualitariamente entre fontes limpas (hidrelétrica, eólica e biomassa) e as de combustíveis fósseis – atualmente a balança é de 40%/60%.

Parte de seu plano foi exposta na COP21. Os treze dias de intensos debates que resultaram no histórico Acordo de Paris, contudo, tiveram a mistura de uma atmosfera amigável entre os participantes com um pouco de “tortura” para parte da delegação brasileira. “Trabalhávamos tanto que quase não tínhamos tempo para comer, para dormir e quando íamos para o hotel, à noite, a calefação dos quartos era desligada. Acho que queriam que chegássemos logo a um acordo”, disse um dos membros do Governo brasileiro que relata ter enfrentado madrugadas em que o termômetro registrava 2ºC. Coincidência ou não, são exatamente esses 2ºC estiveram no centro do debate da COP 21. Os 195 países que participaram das discussões concordaram que até 2100 todos irão trabalhar para evitar que haja um aumento da temperatura global neste patamar, tentando ainda que ele se limite ao 1,5ºC.

Quando questionada sobre os poucos críticos que disseram que o Acordo de Paris é mais teórico do que prático, Teixeira responde rispidamente: “Quem diz isso não entende nada de clima. Nunca esteve em uma mesa de negociação”.

"Houve a mobilização da sociedade global. Deixou de ser um assunto voltado apenas às questões ambientais. É um assunto de desenvolvimento. As secas estão aí, as inundações estão aí, a produção de alimentos começa a ser afetada".

Vendo o documento como o resultado de um trabalho que se iniciou em 2011, pouco tempo depois da fracassada COP-15, de 2009 em Copenhagen, a ministra brasileira diz que há uma mudança de rumos na questão ambiental. “O acordo é mais do que um caminho, ele literalmente muda o rumo da implementação da convenção do clima. Ele efetivamente coloca na centralidade do debate global sobre modelos de desenvolvimento da economia a questão da climática. Nunca se teve tanta mobilização e engajamento político das organizações membros das Nações Unidas”.

E por qual razão somente agora, na segunda década do século 21, notou-se essa importância tão grande de mudar o rumo? Segundo Teixeira, foram por dois aspectos, o de alterações ambientais céleres e inesperadas, assim como pela questão financeira. “Houve a mobilização da sociedade global. Deixou de ser um assunto voltado apenas às questões ambientais. É um assunto de desenvolvimento. As secas estão aí, as inundações estão aí, a produção de alimentos começa a ser afetada. O mundo privado começou a entender isso como um risco de suas operações de financiamento. Está mexendo na economia global, as condições sociais, na questão de pobreza, na de qualidade de vida, nas condições de vida em cidades e, obviamente, o conhecimento técnico científico acabou sendo muito incisivo.” Os discursos foram bem feitos. Agora é a hora da ação, conforme já alertaram as ONGs ambientais.

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