Batismo do Senhor - Ano B - Jesus, nossa esperança, está conosco

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Por: MpvM | 08 Janeiro 2021

“O Batismo do Senhor, conclui o Ciclo do Natal, é este o entendimento mais profundo, não separemos como se fosse algo a parte. Como batizados sejamos também nós a Epifania do Senhor neste mundo, manifestando a Presença de Deus onde estejamos. “

A reflexão é de Terezinha das Neves Cota, rc,  religiosa da Congregação Nossa Senhora do Cenáculo. Ela possui graduação e mestrado em Teologia pelo Centro de Estudos Superiores da Companhia de Jesus - CES.


Leituras do Dia
1ª Leitura - Is 42,1-4.6-7
Salmo - Sl 28,1a.2.3ac-4.3b.9b-10 (R.11b)
2ª Leitura - At 10,34-38
Evangelho - Mc 1,7-11

No século V, São Máximo de Turim, expressou com tanta beleza a relação entre a Solenidade do Natal e a Festa do Batismo do Senhor: “O Natal e o Batismo de Cristo são meu mistério e minha salvação. Aquele que falou ao povo de Israel pela boca de Isaías, Jeremias e demais profetas, agora nos fala por seu Filho [...] O Filho de Deus não tinha necessidade nem de nascer, nem de ser batizado, pois não tinha cometido pecado para que se lhe perdoasse no Batismo. Porém, sua humildade é nossa sublimidade, sua Cruz é nossa vitória...”

O Batismo do Senhor conclui o Ciclo do Natal. É este o entendimento mais profundo, não separemos como se fosse algo a parte. Como batizados sejamos também nós a Epifania do Senhor neste mundo, manifestando a Presença de Deus onde estejamos.

Estamos diante de um fato histórico, que os evangelistas conservaram com todo cuidado. Um fato tão marcante na vida de Jesus, por revelar a todos a relação amorosa de Deus Pai com seu Filho Amado e, através desta relação chegamos ao marco essencial da vida de Jesus, sua identidade resplandece como impulso vital para a missão.

“Eu não sou digno de desamarrar as sandálias” é o gesto daquele que queria reconhecer o direito do outro, não era uma documentação passada em cartório, era passar a sandália para o outro. João reconhece, eu batizo com água, um batismo para a conversão, Aquele que vem depois de mim, batizará no Espírito. Quando João consente em batizar Jesus, o Céu se abre, torna-se visível que o Espírito conduz Jesus e que Ele é o Filho Amado.

A promessa dos profetas ecoa no Evangelho (Mc 1,7-11) pelo testemunho de João Batista. Jesus viu o Céu se abrindo e o Espírito pousar sobre Ele, tudo isto evoca a Nova Criação, que será plenificada pela Ressurreição. A Voz do Pai ressalta a identidade de Jesus.

A kénosis da encarnação permite a Jesus ter sempre esta postura humilde de descida. Nós contemplaremos outras descidas de Jesus. Ele desce às águas do Rio Jordão, como também com naturalidade tirará o manto e colocará o avental para lavar os pés dos discípulos... Ao entrar na fila dos pecadores Jesus compreende ainda mais a sua própria missão de Salvador e é como Filho Amado e fortalecido pelo Espírito que Ele irá realizar esta Missão.

O Servo eleito da primeira leitura (Is 42,1-4.6-7), apresentado pelo profeta Isaías, é presença comprometida com o povo no exílio da Babilônia. Conduzido pelo Espírito, ele tem os traços de Jesus, a mansidão e a misericórdia – não grita, não levanta a voz; não quebra a cana rachada, nem apaga o pavio que ainda fumega, promoverá a verdade e estabelecerá a justiça. Neste servo nós já vislumbramos o Filho Amado, que veio para servir e dar a vida, Jesus Salvador.

O Salmo 28 louva a Deus, que manifesta sua força na Criação e ressalta a Voz do Senhor, que também é destacada no Evangelho, ela ressoa com poder sobre as águas imensas.

A Voz do Senhor, não cessará de ecoar na história da humanidade atestando que Jesus é o seu Bem querer. Pelas águas que jorrarão em todas as celebrações batismais, pelo dom do Espírito, Deus Pai acolherá outros filhos e filhas neste Filho Amado.

A Festa do Batismo de Jesus ilumina a graça de nosso Batismo, a acolhida do Espírito, a experiência filial e a pertença ao Reino de Deus acolhendo-o como dom e como compromisso. É uma experiência permanente e dinâmica de adesão e discipulado, filiação e fraternidade, comunhão e unidade, de compreensão do nosso lugar na Comunidade trinitária, que é o ícone para todas as comunidades cristãs.

A Comunidade cristã escuta a pregação de Pedro narrada na leitura dos Atos dos Apóstolos (At 10,34-38), continuamos compreendendo a relação entre o Batismo e a Missão. Sem fazer distinção entre as pessoas, o Pai enviou seu Filho e, por meio Dele, a Boa Nova da Paz foi anunciada. Ungido pelo Espírito Santo, Jesus passou por toda a parte fazendo o bem.

O nosso Batismo não é somente o primeiro sacramento da vida cristã, nele nós encontramos nossa identidade, filhas e filhos, irmãos e irmãs. Nós também abraçamos a Missão, assumida por Jesus, somos corresponsáveis durante toda a nossa vida. Dessa responsabilidade vamos tomando consciência em uma caminhada de conversão permanente, feita de descidas engajadoras, como a de Jesus, no Rio Jordão, que nos impelem a servir, cuidar, respeitar e defender efetivamente a dignidade humana, que Jesus dignificou para sempre.

Quando vidas são descartadas cruelmente por sistemas políticos e econômicos nesta dura realidade da pandemia, celebrando o Batismo do Senhor percebemos o imperativo para humanização. Humanizados/as vamos nos tornando como o Filho Amado, no qual o Pai pôs todo o seu bem querer e nos comprometemos com a cultura do cuidado com a vida.

O Batismo cristão é a transmissão da fé de geração em geração. Os pais e os padrinhos respondem ali estão para pedir a fé. Esta é de fato a maior herança, que pode ser dada as crianças. Porém, é preciso descobrir como fazer uma Catequese batismal que apresente com clareza que, ao recebermos o Batismo, nos tornamos participantes da missão de Jesus Cristo.

Assim como Jesus foi mergulhado nas águas do Jordão, recordemos da Pia Batismal onde recebemos a unção do Espírito Santo, para vivermos a compaixão, a misericórdia a serviço da vida plena das pessoas, pela prática do bem, sendo luz.

A compreensão da identidade filial e do compromisso missionário presentes no dinamismo batismal alarga o nosso coração, porque compreendemos que outras Igrejas cristãs podem viver conosco este testemunho filial e fraterno para que o mundo creia.

No sec. VI, São Gregório de Antioquia, ressaltou o sentido profundo da declaração do Pai: “Este é o meu Filho, o Amado, o Predileto”. “Este é o meu Filho; o mesmo no qual a mente medita e os olhos contemplam. [...] Deus nos chamou para a paz e não para a discórdia. Permaneçamos em nossa vocação [...] Queira o Salvador do mundo e Autor da Paz reunir na tranquilidade as suas Igrejas; conservar a este santo rebanho”.

Todas as pessoas que assumem a fé e o discipulado participam deste marco existencial da vida de Jesus, iniciado por sua descida às águas do Rio Jordão, pelo batismo cristão também somos chamados/as a compreensão de nossa identidade filial e recebemos o impulso para a missão de proclamar e testemunhar os valores do Reino de Deus..

Quando ficamos indignados com comportamentos opostos aos ensinamentos do Evangelho por parte de pessoas que se proclamam cristãs, precisamos também nos questionar:

  • Como tem sido a catequese batismal?
  • Ela possibilita o compromisso da conversão permanente?
  • Nós vivenciamos o batismo buscando uma renovação interior e exterior?
  • Nossa prática do bem é transformadora?

O Espírito de Deus sempre nos ajudará em nossos discernimentos para vivermos dignamente nossa vocação de batizados/as, buscando a Verdade que liberta e a prática do bem. Nossa missão cristã não admite que vidas sejam descartadas, excluídas, que irmãos e irmãs se tornem invisíveis na sociedade.

Jesus está conosco, a nossa esperança não se quebra, não se apaga, o nosso critério de discernimento é a prática de Jesus. O nosso modo de ser e de proceder é o de Jesus, sua proposta de servir, de amar até os inimigos, de compaixão solidária e efetiva.

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