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09 Janeiro 2015

A Os textos da festa do Batismo do Senhor revelam quem Jesus é verdadeiramente. Na ocasião desta festa, que fecha o tempo do Natal, é momento de insistir nesta revelação de Jesus e da sua missão..

A reflexão é de Marcel Domergue, sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando as leituras da festa do Batismo do Senhor. A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara e José J. Lara.

Eis o texto.

Referências bíblicas:
1ª leitura: «Eis o meu eleito, nele se compraz a minha alma» (Isaías 42,1-4.6-7)
Salmo: Sl. 28(29) R/ Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!
2ª leitura: «Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo» (Atos 10,34-38)
Evangelho: «Tu és o meu Filho amado, em ti ponho meu benquerer» (Marcos 1,7-11)

A pré-história do rito batismal

Quando temos de participar de algum evento importante, à noitinha, após um dia de trabalho, passamos em casa para tomar um banho e vestimos uma roupa adequada à ocasião. Isto nos renova e muda completamente a nossa disposição! Esquecemos então as preocupações com o trabalho e entregamo-nos ao evento com toda a liberdade de espírito. Pondo de lado qualquer anacronismo, é numa prática deste tipo que o batismo se inspira. Este ritual do banho renovador encontra-se um pouco em toda parte, entre as antigas tradições. Mas, na Bíblia, ele ganha novas dimensões: de fato, conserva a memória de muitos relatos fundadores. A começar pelo capítulo 1 de Gênesis, onde vemos o abismo primordial, a massa d’água sem margem alguma, representando o nada. Desde já podemos pressentir que o nosso batismo comportará um aspecto de criação: surgirá com ele uma realidade que ainda não estava ali. Com o dilúvio, ficamos sabendo que o pecado, ou seja, a recusa de se construir a imagem de Deus, provoca o retorno ao nada inicial. De fato, não podemos ser outra coisa, senão imagens de Deus. Este nada é, no entanto, atravessado de alguma forma, e uma nova humanidade surgiu com o recuo das águas. E temos agora a travessia do mar Vermelho e do Jordão: a passagem da escravidão à liberdade, a criação de um povo novo sobre uma terra nova. «Passaram-se as coisas antigas; eis que se fez realidade nova», diz Paulo em 2 Coríntios 5,17. E aí, estamos no tema da nova criação no Cristo, onipresente no Novo Testamento. E que é para se levar a sério.

O batismo de Jesus

Poderíamos pensar a priori que Jesus não tem razão alguma para submeter-se ao batismo praticado por João. Não tem necessidade de renascer, de lavar-se de um ser antigo, de atravessar as águas mortais. E o batismo de João, não foi dado «em remissão dos pecados»? Ou seja, para superar a divisão entre os homens e Deus? Pois esta divisão não existe em Jesus; ele não tem necessidade de nenhum êxodo para entrar numa nova vida. João diz bem quando afirma não ser digno nem mesmo de baixar-se para desamarrar as sandálias de Jesus. Ora, quando é que desamarramos as sandálias, senão ao fim da marcha? No fim do caminho percorrido para se entrar na vida nova? E quando Jesus irá terminar o seu percurso terrestre, senão no dia da Ressurreição? O relato de seu batismo é uma espécie de antecipação pascal: sua «vida pública» é enquadrada por estes dois relatos da passagem pela morte, simbólico o do início e real o que vem depois. O próprio Jesus vai falar da sua paixão como de um batismo com o qual deverá ser batizado (Marcos 10,38 e Lucas 12,50). O homem que ressurgirá das águas mortais será verdadeiramente um homem novo, e definitivo: o “último Adão”, como diz Paulo em 1 Coríntios 15,45. Repitamos; Jesus não tinha necessidade nem do batismo de João nem da passagem através das águas da morte. Veio somente fazer-se um conosco, no sofrimento em que as nossas violências nos mergulharam, para que, com ele, nos fizéssemos também um, em sua nova humanidade recriada, para além das águas da morte.

Este é o meu Filho amado...

Marcos consagra dois versículos apenas às tentações do Cristo. São os que, ausentes de nossa leitura, seguem imediatamente ao relato do batismo. Estas tentações nos dizem que Jesus vai, desde o princípio, afrontar o mal que destrói no homem a sua humanidade e que vai acabar por crucificá-lo. Elas representam uma espécie de chave que permite decifrar tudo o que vai lhe acontecer. Neste contexto, as palavras vindas do céu, «Tu és o meu Filho amado, em ti ponho meu benquerer» são de alguma forma um selo divino, uma marca indelével que dará segurança a Jesus, no decurso de todas as provações que deverá sofrer. É uma iluminação prévia que, apesar de tudo, permitirá conservar a confiança e a segurança. O que quer que aconteça com Jesus, será sempre o amado de Deus e nele será revelado todo o amor de Deus para com os homens, este amor mais forte do que a morte. Não percamos de vista que o que está dito sobre o Cristo vale também para nós. O nosso batismo nos designa também como filhos amados, repletos de todo o amor de Deus. No capítulo 6 da carta aos Romanos, Paulo escreve que é na morte do Cristo que fomos batizados. Pelo batismo e tudo o que ele significa nós «nos tornamos uma coisa só com ele por morte semelhante à sua e seremos uma coisa só com ele também por ressurreição semelhante à sua» (6,5). Todo o início deste capítulo 6 deve ser lido nesta perspectiva. Notemos que o batismo que recebemos já nos inscreve no universo da Ressurreição.

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