5º domingo da quaresma - Ano B - Se o grão de trigo morre, produz muitos frutos

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Por: MpvM | 16 Março 2018

Com a glorificação de Jesus, a salvação chega a todos os povos. Os gregos representam a humanidade toda. Por isso, Jesus poderá terminar sua carreira neste mundo e deixar-se plantar e apodrecer como a semente inserida na terra. Só morrendo dará muito fruto. E nos alerta: “Quem tem apego à sua vida, vai perdê-la; quem não se importa com a vida neste mundo, vai conservá-la para a vida eterna”. E faz um convite expresso: “se alguém quer me servir, que me siga. E onde eu estiver, estará aí também o meu servo”.

A reflexão é de Virma Barion, religiosa da Congregação Carmelitas da Caridade de Vedruna. Ela é teóloga, biblista e atua na formação pastoral e em assessorias teológicas.

Referências Bíblicas
1ª Leitura – Jer 31, 31-34
Salmo 50 (51)
2ª Leitura – Heb 5, 7-9
Evangelho – Jo 12, 20-33

Com alegria e simplicidade, vamos dedicar um tempo para nos relacionarmos afetivamente com a Palavra de Deus, a partir dos textos que recebemos de presente hoje, na liturgia do quinto domingo de quaresma.

As duas primeiras leituras apontam para Jesus no Evangelho. A primeira leitura (Jr 31,31-34) é tirada de Jeremias no quarto período de sua atuação. É parte do capítulo 31. Ele anuncia uma nova aliança para um povo, que estava vivendo uma profunda crise. Infunde-lhe a esperança que o povo necessitava e acaba nos fazendo intuir que é Jesus quem instaura a real Nova Aliança, com sua Morte e Ressurreição.

A segunda leitura (Hb 5,7-9) vem da carta aos Hebreus. Apresenta a atitude de Jesus em sua oração diante da morte: “Fez orações e súplicas a Deus em alta voz e com lágrimas” (v. 7). Não é essa a nossa atitude quando sofremos? E no mesmo verso, o texto continua dizendo que “Deus o escutou porque Ele foi submisso”. Isto se une aos versos anteriores ao relato evangélico onde se afirma que “as autoridades dos judeus decidiram matar Jesus” (Jo 11,53) e que “os chefes dos sacerdotes e os fariseus tinham baixado uma ordem: quem soubesse onde Jesus estava, devia denunciá-lo, para que eles o pudessem prender” (Jo 11,57). São textos que nos ajudam a entender o que a comunidade que está por trás do Quarto Evangelho quis nos dizer quando apresenta o relato de hoje que é Jo 12,20-33.

Vamos olhar um pouco o contexto de situação do texto, isto é: onde o texto está pendurado no relato. Conhecer o contexto é muito importante para entender o texto.

O capítulo 12 é como o dorso de um livro que tem duas grandes partes. A primeira é composta pelos capítulos de 2 a 11, que é denominada pelos estudiosos como o livro dos sinais. Essa parte é precedida por um prólogo, que nos fala do Verbo de Deus e logo apresenta, com uma dinâmica preciosa, o chamado de quem iria compor a comunidade de Jesus. Esse prólogo está no capítulo primeiro.

A segunda parte forma o livro da glorificação. Começa no capítulo 13 e termina no 20. Ela é seguida por um apêndice, o capítulo 21. O capítulo 12 une essas duas grandes partes.

O que contém este capítulo?

Ele começa situando-nos no tempo: “Seis dias antes da Páscoa”. Havia em Jerusalém uma grande multidão que vinha celebrar a Páscoa. Jesus vai a Betânia, à casa de seus amigos: Marta, Maria e Lázaro. Lá, eles dão uma ceia e Maria, durante a ceia, pegou “quase meio litro de perfume de nardo puro, muito caro. Ungiu os pés de Jesus e os enxugou com seus cabelos”. O gesto de Maria foi interpretado por Jesus como unção no dia do seu sepultamento, segundo os costumes judeus. Logo vem a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, quando o povo o aclama como rei. Esse texto precede o que queremos focar em nosso comentário.

Vamos nos aproximar de Jo 12,20-33

O texto começa assim: “Entre os que tinham ido à festa para adorar a Deus, havia alguns gregos. Eles se aproximaram de Filipe, que era de Betsaida da Galileia e disseram: Senhor, queremos ver Jesus. Filipe falou com André, e os dois foram falar com Jesus”.

Os gregos não pertenciam ao povo judeu, chamado “povo de Deus”. Mas, eles também tinham vindo para adorar a Deus e queriam ver Jesus. Com isso, Jesus se tornava presente fora do território de Israel. E, neste momento, não era Ele que ia até os estrangeiros, mas eram eles que vinham até Jesus, querendo vê-lo. O texto não conta se Jesus foi até eles. Imaginamos que sim, mas não está explícito no relato. Só sabemos que Filipe achou a coisa tão importante que não decidiu nada sozinho, senão que foi contar para André e ambos foram dizer a Jesus.

Essa parte do texto me sugere várias perguntas: Tenho desejo de ver Jesus? O que faço por buscá-lo? A quem peço ajuda para vê-lo? Como lido com os preconceitos de achar que somente algumas pessoas adoram a Deus e buscam conhecer Jesus? Sei que a salvação se encontra presente em ambientes que nem imagino. Consigo reconhecer isso fora da Igreja católica, fora dos âmbitos que eu frequento?

Quando os dois discípulos foram até Jesus para comunicá-lo, Jesus não saiu correndo para apresentar-se aos gregos. Ele simplesmente disse: “Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado. Eu garanto a vocês: se o grão de trigo não cai na terra e não morre, fica infecundo. Mas, se morre, produz muito fruto”.

Com a glorificação de Jesus, a salvação chega a todos os povos. Os gregos representam a humanidade toda. Por isso, Jesus poderá terminar sua carreira neste mundo e deixar-se plantar e apodrecer como a semente inserida na terra. Só morrendo dará muito fruto. E nos alerta: “Quem tem apego à sua vida, vai perdê-la; quem não se importa com a vida neste mundo, vai conservá-la para a vida eterna”. E faz um convite expresso: “se alguém quer me servir, que me siga. E onde eu estiver, estará aí também o meu servo”.

Mas essa postura de Jesus de deixar-se “sepultar” para morrer como semente não foi eufórica. Ele mesmo diz mais adiante: “Agora estou muito perturbado. E o que vou dizer? Pai, livra-me desta hora? Mas foi precisamente para esta hora que eu vim. Pai, manifesta a glória do teu nome”. A morte de Jesus é glorificação de Deus. Também a nossa poderá ser interpretada assim. Passar por momentos de angústia na entrega da vida é algo normal. Também Jesus sentiu-se perturbado. Podia ter pedido ao Pai que o livrasse da morte? Sim, mas Ele optou por não o fazer.

Iniciamos essa reflexão fazendo o convite de relacionar-nos afetivamente com a Palavra de Deus. Conservemos no coração a força dessas três leituras, ruminando-as durante a semana. Sugiro que, nos próximos dias, cada um/uma de nós:

  • Fiquemos atentos/as para procurar ver Jesus onde Ele se manifestar.
  • Contemplemos sua pessoa como semente que morre para dar bons frutos.
  • Acreditemos que é possível a reinauguração da Nova Aliança nas realidades onde vivemos, por mais duras que sejam.

Desfrutemos deste alimento saboroso que é a Palavra de Deus!

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