Ladaria sugere que haverá "boas notícias’ sobre o "caso Pagola’

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26 Maio 2011

No dia 8 de maio, a Embaixada da Espanha na Santa Sé era uma festa. A recepção oferecida por María Jesús Figa, nova responsável pela sede diplomática, por ocasião da beatificação de João Paulo II havia reunido nos salões do palácio da Piazza di Spagna numerosos arcebispos, bispos, sacerdotes e políticos. Em um dado momento, o bispo de Vitoria, Miguel Asurmendi, se aproximou de Luis Francisco Ladaria Ferrer, secretário-geral da Congregação para a Doutrina da Fé, que conversava em uma animada roda. "Dom Luis – garantem que perguntou em tom bonachão o monsenhor Asurmendi –, podemos levar boas notícias sobre José Antonio Pagola?". "Eu creio que sim, eu creio que sim", respondeu o jesuíta e atual "número dois’ do ex-Santo Ofício, dicastério romano sobre o qual descansa a última palavra sobre o livro Jesus. Aproximação histórica, do ex-vigário de San Sebastián.

A reportagem é de Pedro Ontoso e está publicada no jornal Diario Vasco, 26-05-2011. A tradução é do Cepat.

O fugaz encontro não passou despercebido a alguns dos que participaram da recepção, cerca de 80 pessoas, na sede diplomática. Entre os convidados, além de membros da delegação oficial – o ministro Ramón Jáuregui estava entre eles – os cardeais Cañizares e Rouco, o porta-voz do Episcopado, Martínez Camino, o ex-bispo de Bilbao, Ricardo Blázquez. O bispo de San Sebastián, José Ignacio Munilla, que sempre se negou a falar sobre o "caso Pagola’ por entender que "o julgamento doutrinal é jurisdição do Vaticano", se encontrava em Roma, mas não participou da festa na Embaixada.

No olho do furacão

Com efeito, quase quatro anos depois da sua publicação, o livro do teólogo basco continua no olho do furacão e sob a lupa de Roma, depois que abrira um processo para esclarecer se seus conteúdos estão de acordo com a doutrina da Igreja e, portanto, são pertinentes o "Nihil obstat" e o "Imprimatur" que lhe concedeu o então bispo de San Sebastián, Juan María Uriarte, hoje prelado emérito. Observadores que ouviram a breve conversa entre Asurmendi e Ladaria, confiam em que, para além de uma resposta de cortesia para desconversar e tranquilizar o prelado alavês, trata-se de uma mensagem positiva, no sentido de que Roma "vai engavetar a causa" para deixar que o assunto "esfrie". As próprias fontes interpretam que é uma forma sucinta de sugerir que deixarão adormecer a causa "para acalmar o furor dos inquisidores" e que não haverá condenação. "Seria uma forma de dizer que se trata de uma questão interna da Igreja espanhola e de que é o cardeal Rouco quem deve administrá-la".

O atual bispo de San Sebastián, José Ignacio Munilla, assegura que foi o próprio Juan María Uriarte quem pediu a Roma um veredito sobre seu "Nihil obstat’ para solucionar a polêmica sobre o livro. Em outros âmbitos da hierarquia espanhola, mesmo que com outras intenções, teria havido movimentos na Congregação para a Doutrina da Fé para levar adiante uma condenação do livro. Algumas fontes garantem que "pularam" Ladaria e foram diretamente ao prefeito, o norte-americano Joseph Levada, para garantir a investigação. Seu "número dois’, Ladaria, concordou na Comissão Teológica Internacional, organismo do Vaticano do qual foi secretário-geral, com Santiago del Cura Elena, professor de Teologia Dogmática e um dos peritos que avaliaram o livro de Pagola após analisar seu conteúdo a pedido de Uriarte. Esta comissão ajudou a Santa Sé e particularmente a Congregação, no exame de questões doutrinais de maior importância. Ambos gozam de grande reputação acadêmica e são considerados de uma linha mais aberta.

Outro possível caso de censura

Em outros círculos, no entanto, se dá como certo que "a caça contra Pagola vai continuar" e que seus perseguidores "não vão largar a presa". Não é uma apreciação gratuita. Para alguns está claro que "sim, obsta’ o trabalho do teólogo de Añorga. Segundo se pôde saber, o segundo livro de Pagola de uma série sobre os Evangelhos continua atolado na Editora PPC, em Boadilla del Monte, à espera das bênçãos da Diocese de Getafe, diocese à qual pertence a editora. Publicaciones Populares Cristianas (PPC), empresa do grupo SM – trabalha com grande sucesso sob o patrocínio dos marianistas –, é a editora que publicou Jesus. Aproximação histórica, e após vender mais de 80.000 exemplares, retirou das livrarias a 9ª edição – aquela avalizada por Uriarte – após fortíssimas pressões.

No verão passado, a PPC propôs a Pagola que escrevesse uma série de comentários sobre os Evangelhos, reflexões que contam com milhares de seguidores em todo o mundo e são utilizadas por sacerdotes em suas homilias. O primeiro volume, O caminho aberto por Jesus. Mateus, chegou às livrarias em novembro passado e se encontra entre os mais vendidos da editora. O livro tem o "Nihil obstat’ de Francisco Armenteros, chanceler da cúria de Getafe, e o "Imprimatur" de José María Avendaño, vigário-geral dessa diocese. A licença eclesiástica foi recebida com desagrado no núcleo hostil a Pagola da cúpula episcopal e isso foi comunicado à hierarquia getafense, à frente da qual está Joaquín María López de Andújar. O segundo volume, dedicado a Marcos, já deveria ter saído, mas está dois meses atrasado, apesar de se tratar de uma obra simples.

Em meios eclesiásticos se dá como certo que monsenhor Andújar não pôde conceder as bênçãos para o resto da série. Diante desta constatação, e de acordo com o que este jornal pôde averiguar, se teria buscado uma linha alternativa através da Editora Claret. Este selo enviou há tempos o manuscrito em castelhano do segundo volume, O caminho aberto por Jesus. São Marcos, ao bispo auxiliar de Barcelona. Mas poucos acreditam que Sebastiá Taltavull vá se envolver neste assunto. Em qualquer caso, a empresa da ordem claretiana tem a intenção de publicar a série em catalão, mesmo que a divulgação nesta língua seja muito diferente.

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