Bispo diz que exame do livro de Pagola não é um "juízo da sua pessoa"

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15 Mai 2011

O bispo de San Sebastián, na Espanha, José Ignacio Munilla, disse que o "discernimento doutrinal" do livro do teólogo e ex-vigário José Antonio Pagola por parte da Santa Sé, "nada tem a ver com um juízo da sua pessoa nem da sua trajetória como sacerdote".

A reportagem é da agência Efe, 13-05-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Munilla respondeu, em um comunicado, à carta enviada e publicada por mais de 2.700 cristãos da diocese de San Sebastián, entre os quais estavam religiosos e leigos, na qual pediam que ele se pronunciasse sobre o processo aberto ao livro de Pagola, que foi editado em 2007 e cuja nona edição foi retirada das livrarias no início do ano passado.

Os signatários expressaram na carta a sua "perplexidade", "desconcerto" e "sensação de injustiça" perante a decisão do antigo Tribunal do Santo Ofício, conhecida em janeiro passado, de abrir um processo contra o livro do teólogo e ex-vigário de San Sebastián José Antonio Pagola, Jesus, aproximação histórica (Vozes, 2010), para determinar se ele está conforme à doutrina da Igreja.

O bispo recordou que foi o bispo anterior, Juan María Uriarte, que recorreu à Santa Sé para que decidissem se era certo o nihil obstat concedido à "versão revisada e corrigida" da obra.

"Todos sabem que um bispo pode recorrer legitimamente ao Santo Padre como instância definitiva para discernir em matéria de fé e moral. A Congregação para a Fé respondeu a essa petição, iniciando o estudo pertinente à obra `Jesus, uma abordagem histórica`", esclareceu Munilla.

"Acompanhar José Antonio Pagola nestes momentos é minha responsabilidade como bispo de San Sebastian", indicou Munilla, que acrescentou que sua tarefa consiste em "ajudar a nos prepararmos para acolher pessoal e comunitariamente, com plena abertura e confiança, a decisão última da Igreja".

Em sua opinião, "não teria sentido que a diocese solicitasse o julgamento da Santa Sé se agora não tivesse disposição para acolhê-lo".

Ele lembrou que, desde que chegou à diocese de San Sebastián, ele manifestou que "o juízo doutrinal" sobre o livro Pagola está "fora" de sua "jurisdição pastoral".

O prelado concluiu que as portas de sua casa "estão abertas" para quem quiser falar com ele, já que a comunicação do bispo com os fiéis "devem seguir seus próprios canais".

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