“A social-democracia fracassou”, diz estudioso inglês

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Por: André | 24 Outubro 2012

O prestigioso catedrático britânico John Weeks avalia que a União Europeia converteu-se no instrumento da Alemanha para governar a Europa. Afirma que o fracasso da União Europeia significará o reverdecer dos nacionalismos de direita.

A reportagem é de Sebastián Premici e está publicada no jornal argentino Página/12, 23-10-2012. A tradução é do Cepat.

“A crise econômica na Europa fala, na realidade, do fracasso das políticas da social-democracia. Os principais problemas dos países da região têm a ver com os condicionamentos que aceitaram para entrar no euro. Neste contexto, a União Europeia converteu-se no instrumento da Alemanha para governar a Europa”. Este diagnóstico corresponde ao economista britânico John Weeks, da Universidade de Londres, que esteve na Argentina para participar das Jornadas Monetárias organizadas pelo Banco Central e de uma conversa organizada pelo Centro de Economia e Finanças para o Desenvolvimento (CefidAR). O acadêmico defendeu que o mais recomendável para os países da região que estão em crise é sair do euro de forma conjunta, com o objetivo de que cada um possa começar um processo de implantação de uma política fiscal própria. O acadêmico também advertiu que o fracasso da União Europeia como bloco de contenção significará o reverdecer dos nacionalismos mais extremos das direitas europeias.

A União Europeia, direcionada pela Alemanha, reagiu à crise econômica e financeira com uma série de planos de resgate que, na prática, significou um ajuste fiscal. O desemprego no bloco subiu para 10,5% e na Eurozona para 11,4%. Isto significa que há mais de 25 milhões de pessoas sem trabalho. Na Espanha e na Grécia o desemprego é de 25%. “Os alemães dizem que não se pode gastar tanto como em 2008 e 2009, mas é o contrário. É preciso aumentar o gasto público. A redução de salários em alguns países não ajudará neste processo, tampouco a redução geral do gasto público com a intenção de pagar a dívida contraída por eles mesmos”, sustentou Weeks na sua passagem pelo país.

Entre 2000 e 2008, o resultado primário da Espanha foi positivo. Mas, uma vez ingressado na crise, o país ibérico alcançou um déficit de 5% de seu PIB e depois do pagamento dos bancos (resgate), 12%. “Quando a Espanha entrou em um processo de resgate, os bancos receberam recursos para se salvarem. Mas na realidade acabaram especulando com esses fundos, o que provocou um aumento da instabilidade espanhola. O crime da social-democracia (continuado pelo atual partido do governo) foi a salvação dos bancos”, defendeu o acadêmico inglês.

No caso da Itália, Weeks defendeu que não existe um problema de taxa de juro nem um peso relativamente forte da dívida. De fato, a Itália era um dos países com excedente primário antes da crise. Neste sentido, o ponto nevrálgico para a Itália teria que ser buscado nas debilidades na hora de entrar na Zona do Euro, assim como a Grécia. “A dívida bruta e líquida da Itália é a mesma dos últimos 20 anos. Por isso, o problema está em sua taxa de crescimento, que durante os últimos 15 anos foi de 1% em média”, afirmou.

As diretrizes neoliberais aplicadas na União Europeia defendem que as políticas públicas dos governos restringem, limitam e distorcem a habilidade das pessoas para tomar decisões, a mesma retórica que se aplicou na década de 1990 na Argentina. Por isso, para Weeks, um dos problemas fundamentais do atual contexto passa pela definição da “economia”. Há 200 anos, esta ciência (social) era definida como “a destinação de recursos limitados para necessidades ilimitadas”. “A economia deveria ocupar-se de como mobilizar recursos para o bem-estar social. Esta foi a grande contribuição de Keynes”, acrescentou Weeks.

Para este crítico das visões ortodoxas e neoliberais a solução para a crise europeia poderia ser encontrada em uma saída conjunta do euro por parte daquelas economias mais afetadas (Espanha, Itália, Portugal, Grécia e Islândia). Elas representam 45% do PIB da União Europeia. “As consequências do fracasso da Europa é o empobrecimento da classe operária. Mas mais complexo ainda é o reverdecer dos nacionalismos europeus e a alta conflitividade que começa a vir das direitas”, concluiu o acadêmico.

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