Os “filhos de Marx e da Coca-Cola”:Os Estudos Culturais e a sua aliança populista

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15 Agosto 2015

“O que se parece apresentar no horizonte dos Estudos Culturais é uma aliança entre Marx e a Coca-Cola, conformando a noção de ‘cultura popular’ como a extensão de um ‘povo’ ao mesmo tempo ‘consciente’ (Marx) e ‘massificado’ (Coca-Cola) pela lógica dos meios de comunicação e do consumo de bens, modas e ideologias. (...) Quem sabe, a crise do próprio chavismo na Venezuela não esteja se convertendo numa espécie de premonição sobre a realidade que terminaria deslegitimando uma geração de acadêmicos sobre os Estudos Culturais que tem convertido a cultura em objeto disciplinado pela força da invenção política do ‘povo’”, escreve Carlos A. Gadea.

Carlos A. Gadea é mestre e doutor em Sociologia Política pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, e graduado em História pelo Instituto de Profesores Artigas – IPA, Uruguai. Atualmente é coordenador do Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais na Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS e integrante do Conselho Universitário e da Câmara de Pós-graduação - Consun da UNISINOS. Tem pós-doutorado na University of Miami (Center for Latin American Studies, EUA). Realizou ainda estudos e pesquisas doutorais no Ibero-Amerikanischen Instituts Berlin - IAI, Alemanha, e na Facultad de Ciencias Políticas y Sociales da Universidad Nacional Autónoma de México - UNAM, México.

Eis o artigo.

Os Estudos Culturais [1] tiveram uma grande contribuição para as ciências humanas. Principalmente aqueles posteriores às suas origens na Escola de Birmingham [2]. A sua “energia desconstrutiva”, a sua crítica aos “binarismos reducionistas” (do tipo: homem-mulher, negro-branco, ocidente-oriente, etc.) e as sua noções descritivas sobre a cultura do contemporâneo, como o hibridismo e a ambivalência (embora de tradições teóricas mais antigas), podem ser alguns dos aspectos destacáveis dentre suas contribuições. Certos Estudos Culturais provinham de uma rica tradição pragmática da filosofia (no seu interesse pela “realidade” tal qual se apresenta), dos enfoques interacionistas da sociologia e do pós-modernismo dos anos 80 e 90. Estes aspectos se constituíram em fonte de vitalidade e riqueza acadêmica e intelectual, de inquietação teórica e empírica. No entanto, parecem ter-se perdido de vista, e no pior dos casos, terem sido “substituídos” por uma nova investida pós-marxista [3] (a noção de “hegemonia” na leitura de Ernesto Laclau [4] foi importante a respeito).

Assim, o que se parece apresentar no horizonte dos Estudos Culturais é uma aliança entre Marx [5] e a Coca Cola [6], conformando a noção de “cultura popular” como a extensão de um “povo” ao mesmo tempo “consciente” (Marx) e “massificado” (Coca-Cola) pela lógica dos meios de comunicação e do consumo de bens, modas e ideologias. Sendo mais claro: trata-se de uma aliança que se estabeleceu, na América Latina com mais precisão, entre os Estudos Culturais com a “razão populista” (a dizer por Ernesto Laclau), entre os Estudos Culturais com diferentes processos políticos “populistas” (ou neopopulistas) recentes no continente. Isto, certamente, impacta nas reflexões sobre o Estado e os movimentos sociais, nas redefinições do “latino-americanismo” e nos contornos da política e da democracia.

Aqui reside, justamente, grande parte do dilema político da região, na tentativa de dar resposta à seguinte interrogação: qual o protagonismo dos Estudos Culturais (ou, para ser mais justo, de certos Estudos Culturais e de certos intelectuais adscritos a ele) sobre os recentes processos políticos “populistas” na região? Em que medida a “cultura popular” definida por estes Estudos Culturais se conecta com as narrativas e retórica política de governos como os de Chávez na Venezuela, Correa no Equador ou Kirchner na Argentina?

Não se deve perder de vista que certos intelectuais, adscritos a esses Estudos Culturais, e hoje muito influentes no contexto latino-americano, são os herdeiros dos fracassos eleitorais do “sandinismo” na Nicarágua em 1990, do desencanto da aventura cubana logo após a crise dos “balseiros” e os chamados “marielitos” no começo dos anos 90, bem como da transfiguração estética dos grupos armados centro-americanos, como o FMLN [7] de El Salvador, nas denominadas “maras” delitivas juvenis, filhos do exílio californiano dos ex-guerrilheiros. São os espectadores, da mesma forma, dos “populismos de direita” e neoliberais de Fujimori [8] no Peru e de Menem [9] na Argentina, das FARC [10] colombianas sendo parceiras do narcotráfico e da abertura liberal democrata nos Estados Unidos com Bill Clinton [11]. São, inclusive, os que imediatamente conformariam os Grupos sobre a Subalternidade (os denominados “Subaltern Studies”), sob a inspiração de pesquisadores e pesquisadoras da Índia, em aliança com a rede de pesquisadores sobre os Estudos Culturais na América Latina. Estes intelectuais, fundamentalmente, injetariam ao espaço dos Estudos Culturais a “teoria da hegemonia” e da contra-hegemonia; trariam, para o repertório de termos analíticos, palavras como resistência e subversão, em definitivo, uma particular “linguagem do poder”.

Sabendo-se que o núcleo dos Estudos Culturais está constituído pela defesa daquilo que é “comum e corrente”, o cotidiano das relações sociais, o interesse por outras formas de saber e cultura, pelo popular e o “senso comum” (na sua desconstrução do que se denominava “Cultura”, na medida em que ela é “experiência e prática social comum, da gente comum”), esta introdução da “teoria da hegemonia” [12] desenharia uma espécie de virada heurística que se pode denominar como “populismo cultural”: a partir de uma concepção ampliada de cultura e política se perceberá como dessa matéria do popular encarnado na “gente comum” se inventa o “povo”, o sujeito por excelência do projeto destes Estudos Culturais. Entende-se, assim, que se para o populismo clássico, por exemplo, na Argentina de Perón, o “povo” estaria conformado pelos “sem camisa” (os “descamisados”), os desempregados e excluídos dos processos de industrialização do século XX, os que moravam nas “villas miserias” de Buenos Aires, os migrantes das províncias mais pobres do país (estigmatizados como “cabecitas negras”), para este novo projeto dos Estudos Culturais o “povo” estava construído a partir da retórica da subalternidade, pelas chamadas “minorias” culturais, pelos “saberes minoritários”, pelas escolhas alternativas na sexualidade, pelos efeitos de uma crítica à modernidade muito próximos das terapias psi da crise da militância da esquerda clássica. Assim, hegemonia, Estudos Culturais e populismo se fundiriam num projeto bastante comum.

Porém, particularmente, meu olhar não está localizado na herança desses episódios políticos na Nicarágua ou em Cuba, no fim da União Soviética e a queda do Muro de Berlim. Meu olhar é mais influenciado pela experiência neozapatista [13] do México dos anos 90, da ironia política e midiática da prosa do Subcomandante Marcos [14] e a sua crítica às vanguardas e aos iluminismos políticos, que sempre andam procurando a asa da hegemonia para se esquentar. Os indígenas de Chiapas [15] não eram o “povo”; eram mais parte de uma “multidão” que irrompia numa nova cena globalizada e adormecida. Nunca foram “sujeitos” (dignos de tal “prestígio” na teoria sobre a sociedade para alguns) a serem descobertos pelos Estudos Culturais: ao contrário, resistiram a essa tentativa por serem colonizados por um projeto acadêmico e político que, no fundo, pretendia atribuir-lhe uma identidade acorde ao mundo que queria ver e encontrar.

O Subcomandante Marcos resistiu até o cansaço, até a sua morte simbólica muito recentemente anunciada, tal qual aposentadoria de um profissional da palavra. Nas montanhas de Chiapas não havia “povo”, havia tão só indígenas, indígenas que se escondiam (e se deixavam ver) por trás das máscaras de lã de cor preta. Este olhar “pós-neo-zapatista” permite, em definitivo, estar atento para o “impulso populista” que muitos têm empreendido como resultado do programa acadêmico dos Estudos Culturais. Pelo menos, desconfia da possibilidade da existência de um “todo social harmônico”, tão caro para a “teoria da hegemonia” e certas esperanças políticas de esquerda na atualidade. Desconfia da pretensão dos Estudos Culturais por recuperar a “realidade dos homens comuns” subentendidos como “povo”, ao realizar, inevitavelmente, um exercício hermenêutico perigoso (e animaria a dizer, “anti-neo-zapatista”): dividir a realidade entre “povo” e “elite”, “povo” e “oligarquia”, “nós” e a “casta” ou “nós” e “os coxinhas”. O que não estava constituído como tal é inventado à força de interpretação dual da cultura: a “popular” e a da “elite”, convertendo-se em “povo” aquilo que estava amorfo, ausente ou sem identidade, sem ter assumido um processo de subjetivação política, demonstrando-se, assim, que essa virada para “o popular” não deixava de ser um projeto modernizante (sobre os corpos — nas suas diversas dimensões) para certa esquerda política atual.

Já o manifestou James Carey [16], crítico da cultura bastante conhecido nos âmbitos dos Estudos Culturais: “os Estudos Culturais são um projeto revolucionário de ação política, um projeto de reconstrução do social” [17]. Assim, não seria este “projeto de reconstrução do social” análogo, por exemplo, ao projeto do “socialismo do século XXI” de Chávez na Venezuela, ou aos embalos da retórica dos Kirchner na Argentina? A “reconstrução do social”, como noção, supõe a morte de uma ordem social que a precederia e que, por força de uma “vontade popular” conduzida por uma liderança que se esconde no jogo da ausência do Estado, estaria prestes a surgir como efeito messiânico da própria invenção do “povo”. Por outro lado, e como bem afirma Beatriz Sarlo [18], “os Estudos Culturais são uma espécie de neopopulismo seduzido pelo encanto da indústria cultural” [19]; quer dizer, um programa intelectual e acadêmico que realizou a profecia da Teoria Crítica, apesar de que, nas suas melhores versões, sempre tentou se afastar dela. Concretamente, chega-se a pensar que os Estudos Culturais são herdeiros de certa posição marxista, no século XXI, como “consciência social” da academia, como diria Jon Beasley-Murray [20]. Para isso, alguns intelectuais críticos fazem peregrinações pelas montanhas da Bolívia para se alimentar dos mitos dos índios aymaras, permitindo conectar-se com aqueles “saberes outros”, tão caros, na atualidade, para a reedição constante das suas metanarrativas.

Mais do que marxista, pode-se dizer que os Estudos Culturais, no cerne do seu projeto acadêmico, têm um carácter eminentemente pós-marxista, por duas razões: primeiramente, porque apela a categorias marxistas, como a de ideologia e hegemonia. Em segundo lugar, porque também substitui o marxismo como perspectiva teórica, afastando-se de categorias como a de classe. Na paixão pelo cotidiano, pelo “comum”, pela “cultura popular”, os Estudos Culturais se aliaram a propostas políticas de inclusão social que supuseram, antes de tudo, a invenção da noção de “povo”, pois sem ela não se poderia construir uma relação de antagonismo produtivo para a lógica do poder, e a sua reprodução, instaurado em diferentes lugares do continente. Sem a “oligarquia” (e a noção de oligarquia) não existiria Chávez, ou a sua construção como figura política emanada da crise do sistema de partidos da Venezuela. Sem a “oligarquia” (e a noção de oligarquia) não existiria o kirchnerismo, na medida em que o “povo” poderia ser ativado mediante a convocatória de movimentos sociais, como os “piqueteros”, confundidos com a estrutura do Estado. Com as denominadas “ajudas sociais” e o apoio financeiro aos “piqueteros”, por exemplo, cada vez que a “oligarquia” se ativava no horizonte da política do país, o kirchnerismo tinha suficientes aliados, grupos sociais que saíam às ruas na defesa do “projeto” como contrapartida à inclusão na dinâmica do Estado “social”.

Considero que, em parte, tudo não passa de uma grande confusão derivada de um abandono daquilo que se iniciou com a crítica pós-moderna. Uma leitura apressada do pós-estruturalismo, um abandono da tradição pragmática e da fenomenologia, e a ascensão dos “filhos de Marx e da Coca-Cola” no terreno sobre os estudos da cultura e do poder outorgaram um rosto algo perverso para os Estudos Culturais na América Latina. Dessa maneira, dois movimentos devem se realizar urgentemente para “libertar” os Estudos Culturais dos seus intelectuais da “razão populista”. Primeiramente, deve-se empreender uma crítica do “latino-americanismo”, entendido este como o resultado de um “populismo de esquerda” que não fez outra coisa do que voltar à ideia do Estado nacional-popular (e desenvolvimentista) como programa político. Num mundo globalizado, pense-se no anacronismo que isto representa. Este “latino-americanismo”, já criticado por várias gerações no século XX, não passa de ser um simples clichê que recria uma estética cultural (por exemplo, na música) que converte Mercedes Sosa [21] em hit musical. Mercedes Sosa nos anos 80 adquiria um sentido e uma carga simbólica indissociável com a abertura democrática da região, a crítica a uma cultura conservadora e a uma dinâmica social disciplinar instaurada por governos autoritários. Não obstante, escutada na atualidade, só pode se materializar como nostalgia e memória. A sua legitimidade não pode ser adquirida por uma aparente carga política, e sim por uma cenificação de um passado que se presentifica como memória. Assim, este “latino-americanismo” deixa de pertencer ao presente; à nossa experiência atual.

Em segundo lugar, o que esse populismo acadêmico desenvolveu, de fato, é a função de manter a “ficção da hegemonia” que perpetuaria o sonho de um “todo social harmônico”, como diria Beasley-Murray [22]. Deve-se libertar o povo (sem aspas) do “povo” (com aspas), e assim retirar-lhe a responsabilidade de “sujeito político” que se organiza em torno ao Estado; este, em definitivo, promotor, reprodutor e desenhador de “cultura popular”. Materializando-se este gesto, a “multidão” pareceria ter o seu “minuto de fama”. Por que, então, não admitir que seja a “multidão” (esse sujeito dessubjetivizado) um dos principais alvos contemporâneos dos Estudos Culturais?

Quem sabe, a crise do próprio chavismo na Venezuela não esteja se convertendo numa espécie de premonição sobre a realidade que terminaria deslegitimando uma geração de acadêmicos sobre os Estudos Culturais que tem convertido a cultura em objeto disciplinado pela força da invenção política do “povo”. Os Aymaras da Bolívia, dessa maneira, vão começar a se sentir, novamente, com eles mesmos.

Notas:

[1] Estudos Culturais: campo de investigação de caráter interdisciplinar que explora as formas de produção ou criação de significados e de difusão dos mesmos nas sociedades atuais. Nessa perspectiva, a criação de significado e dos discursos reguladores das práticas significantes da sociedade revelam o papel apresentado pelo poder na regulação das atividades cotidianas das formações sociais. Assim, os estudos culturais não se configuram exatamente como uma disciplina distinta, mas sim uma abordagem ampla dentro das disciplinas constituídas. O âmbito dos estudos culturais combina a economia política, a teoria da comunicação, a sociologia, a teoria social, a crítica literária, o cinema, a antropologia cultural, a filosofia e o estudo dos fenômenos culturais nas diversas sociedades. Os Estudos Culturais são um ramo das humanidades particularmente forte no mundo de fala inglesa, e se desenvolveram em particular nos Estados Unidos a partir dos anos 1960, no contexto do surgimento do pós-modernismo, pós-colonialismo e multiculturalismo e dos movimentos sociais, como o movimento negro e a segunda onda do feminismo. (Nota da IHU On-Line)

[2] Escola de Birmingham: nos finais dos anos 50 do século XX, alguns pesquisadores britânicos congregaram-se em torno do que haveria de se tornar, em 1964, no Centre for Contemporary Cultural Studies da Universidade de Birmingham. O objetivo era investigar questões culturais desde a perspectiva histórica, tendo fundado um novo campo de pesquisa sobre os fenômenos comunicacionais em sociedade. Esse novo campo de pesquisa ficou conhecido pela denominação de Estudos Culturais, enquanto a nova escola de pensamento se denominava Escola de Birmingham. Os trabalhos pioneiros em que se alicerçaram os estudos culturais foram The uses of literacy (1958), de Richard Hoggart, o fundador do Centro e seu primeiro diretor, Culture and society (1958), de Raymond Williams, e The making for the english working class (1963), de E. P. Thompson. (Nota da IHU On-Line)

[3] Pós-marxismo: é uma espécie de revisão do pensamento marxista e não sua atualização. De fato, em alguns aspectos vai na direção oposta como, por exemplo, a superposição do político diante da importância que teve a ciência para grande parte do marxismo clássico. As críticas a essa corrente, que possui entre seus maiores representantes Ernesto Laclau e Chantal Mouffe, residem justamente em sua desconexão com áreas centrais do que foi o marxismo clássico. (Nota da IHU On-Line)

[4] Ernesto Laclau (1935-2014): foi um teórico político argentino, frequentemente considerado pós-marxista. Pesquisador e professor da Universidade de Essex, recebeu o título de Doctor Honoris Causa de várias universidades: Universidade de Buenos Aires, Universidade Nacional de Rosário, Universidade Católica de Córdoba, Universidade Nacional de San Juan e Universidade Nacional de Córdoba. Em 10-03-2008 concedeu a entrevista 1968 e a construção de um novo discurso político à edição 250 da IHU On-Line, disponível em http://bit.ly/1gvx8Fu. (Nota da IHU On-Line)

[5] Karl Marx (Karl Heinrich Marx, 1818-1883): filósofo, cientista social, economista, historiador e revolucionário alemão, um dos pensadores que exerceram maior influência sobre o pensamento social e sobre os destinos da humanidade no século XX. Leia a edição número 41 dos Cadernos IHU ideias, de autoria de Leda Maria Paulani, que tem como título A (anti)filosofia de Karl Marx, disponível em http://bit.ly/173lFhO. Também sobre o autor, confira a edição número 278 da IHU On-Line, de 20-10-2008, intitulada A financeirização do mundo e sua crise. Uma leitura a partir de Marx, disponível em http://bit.ly/ihuon278. Leia, igualmente, a entrevista Marx: os homens não são o que pensam e desejam, mas o que fazem, concedida por Pedro de Alcântara Figueira à edição 327 da IHU On-Line, de 03-05-2010, disponível em http://bit.ly/ihuon327. A IHU On-Line preparou uma edição especial sobre desigualdade inspirada no livro de Thomas Piketty O Capital no Século XXI, que retoma o argumento central da obra O Capital, de Marx, disponível em http://bit.ly/IHUOn449. (Nota da IHU On-Line)

[6] Refiro, aqui, à citação realizada por John Beverley: “Fuimos, en la frase de Godard, los ‘hijos de Marx y Coca Cola’”. E continua: “(...) mi generación en los Estados Unidos comparte con la Escuela de Birmingham el hecho de ser la primera generación formada culturalmente en gran medida por la televisión. De allí que para nosotros el terreno de la cultura de masas sea un terreno familiar, cotidiano, y no tan nefasto como se pensaba. (…) Nuestro radicalismo generacional incluía no sólo la defensa del derecho de disfrutar de la cultura popular, sino también una noción de las culturas populares como alternativas a la cultura dominante”, In: “Sobre la situación actual de los Estudios Culturales”, Mazzotti, J.A & Cevallos, Juan; Asedios a la heterogeneidad cultural. Libro en homenaje a Antonio Cornejo Polar, Pittsburg, Asociación Internacional de Peruanistas, 1996. (Nota do autor)

[7] Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional - FMLN: partido de centro-esquerda/esquerda que foi a principal força política de oposição de El Salvador entre 1992 e 2009. Primeira força política da FMLN no país, foi proclamada após 35 deputados dos 84 que compõem a Assembleia Legislativa, depois das eleições legislativas e municipais em 18 de janeiro de 2009. A FMLN foi criada em 10 de outubro de 1980, como um órgão de coordenação das cinco organizações político-guerrilheiros que participaram da guerra civil entre 1980 e 1992 contra o governo militar da época, que foram estabelecidos em partido político legal Desde a assinatura dos Acordos de Paz em 1992. (Nota da IHU On-Line)

[8] Alberto Fujimori: engenheiro e político peruano, foi presidente do Peru de 1990 a 2000. Durante os últimos meses do ano de 2000 foi encurralado por uma série de escândalos em seu governo. Durante esses fatos, saiu do Peru na qualidade de presidente para assistir à convenção da APEC, em Brunei, de onde depois viajou ao Japão, onde renunciou à presidência e pediu asilo político. Em 2005, Fujimori mudou-se para o Chile na condição de exilado político, onde vivia desde então. Em setembro de 2007, a justiça chilena atendeu pedido de extradição do ex-presidente feito pelo Peru, para ser levado a julgamento por corrupção, enriquecimento ilícito, evasão de divisas e genocídio, pela morte de 25 peruanos durante manifestação contra seu governo. No dia 12 de dezembro de 2007 foi condenado a seis anos de prisão pela revista ilegal da casa da mulher de seu ex-assessor Vladimiro Montesinos. A sentença, ditada pelo juiz Pedro Urbina, também obriga o ex-governante a pagar 400 mil novos sóis (US$ 133 mil) como reparação civil ao Estado. Além disso, o condenado fica impedido de exercer cargos públicos por dois anos. (Nota da IHU On-Line)

[9] Carlos Saúl Menem (1930): político argentino. Governou o país entre 1989 e 1999, pelo Partido Justicialista (peronista). É atualmente senador pela província de La Rioja. Foi muito criticado por um governo de corrupção, pelo seu perdão a ex-ditadores e outros criminosos condenados da guerra suja, o fracasso das suas políticas econômicas que levaram à taxa de desemprego de mais de 20% e a uma das piores recessões que a Argentina já teve, além do pouco empenho demonstrado nas investigações do ataque terrorista à comunidade judaica em 1994, que resultou na morte de 85 pessoas. (Nota da IHU On-Line)

[10] FARC: Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, foi criada em 1964 como uma guerrilha revolucionária do Partido Comunista Colombiano. As FARC são a mais antiga e uma das mais capacitadas e melhor equipadas forças insurgentes do continente sul-americano. Foi durante a Conferência da Sétima Guerrilha, realizada em 1982 que a denominação Ejército del Pueblo ou Exército do Povo (EP) foi adicionada ao nome oficial do grupo. (Nota da IHU On-Line)

[11] William "Bill" Jefferson Clinton (1946): nascido William Jefferson Blythe III e mais conhecido como Bill Clinton, é um político dos Estados Unidos que foi o 42º presidente do país, por dois mandatos, entre 1993 e 2001. Antes de servir como presidente, Clinton foi governador do estado do Arkansas por dois mandatos. Tomou posse aos 46 anos, sendo o terceiro presidente mais jovem na data em que tomou posse. Ele tomou posse no final da Guerra Fria e foi o primeiro presidente da geração baby boomer. (Nota IHU On-Line)

[12] Seria de grande importância a recepção do livro de Ernesto Laclau e Chantal Mouffe intitulado Hegemonia y estratégia socialista (Siglo XXI: Madri, 1987). (Nota do autor)

[13] Movimento Zapatista: inspirou-se na luta de Emiliano Zapata contra o regime autocrático de Porfirio Díaz, que encadeou a Revolução Mexicana em 1910. Os zapatistas tiveram mais visibilidade para o grande público a partir de 1º de janeiro de 1994, onde se mostraram para além das montanhas de Chiapas com capuzes pretos e armas nas mãos dizendo Ya Basta! (Já Basta!) contra o NAFTA (acordo de livre comércio entre México, Estados Unidos e Canadá), que foi criado na mesma data. O movimento defende uma gestão democrática do território, a participação direta da população, a partilha da terra e da colheita. (Nota da IHU On-Line)

[14] Subcomandante Marcos (1957): porta-voz do movimento zapatista no sudeste mexicano. O Subcomandante Marcos é o principal porta-voz do comando militar do grupo indígena mexicano chamado Exército Zapatista de Libertação Nacional - EZLN, que fez a sua aparição pública em 1º de janeiro em 1994, quando os militares lançaram uma ofensiva na qual conquistou seis municípios, no sulino estado mexicano de Chiapas, exigindo democracia, liberdade, terra, pão e justiça para os índios. (Nota da IHU On-Line)

[15] Chiapas: é um dos 32 estados do México. Está localizado no extremo sudeste do país, na fronteira com a Guatemala. Com uma área de mais de 70 mil quilômetros quadrados, ocupa oitavo tamanho entre as entidades mexicanas. A capital do estado é Tuxtla Gutierrez, que concentra cerca de um oitavo da população de Chiapas. Chiapas tem vários dos destinos turísticos mais importantes do México, como o sítio arqueológico de Palenque, que atrai um grande número de turistas todos os anos. O volume da produção agrícola, com destaque Chiapas no México, especialmente de produção de café , milho e manipular. (Nota da IHU On-Line)

[16] James William Carey (1934-2006): teórico das comunicações, crítico de mídia e professor de jornalismo na Universidade de Illinois, e mais tarde Columbia University. Foi membro da Peabody Awards Board of Jurors de 1995 a 2002. Carey é creditado com o desenvolvimento da visão ritual de comunicação. (Nota da IHU On-Line)

[17] Ver Beverley, John (1996), “Sobre la situación actual de los Estudios Culturales”, In: Mazzotti, J.A & Cevallos, Juan; Asedios a la heterogeneidad cultural. Libro en homenaje a Antonio Cornejo Polar, Pittsburg, Asociación Internacional de Peruanistas. (Nota do autor)

[18] Beatriz Sarlo (1942): escritora e crítica literária argentina. Lecionou literatura argentina na Universidade de Buenos Aires por mais de 20 anos, até se aposentar, em 2003. Dirigiu a revista Punto de Vista entre os anos de 1978 e 2008. (Nota da IHU On-Line)

[19] Idem 17.

[20] Ver “Poshegemonía. Teoria política y América Latina”, Paidós, 2010. (Nota do autor)

[21] Mercedes Sosa (1935-2009): cantora argentina, uma das mais famosas na América Latina. A sua música tem raízes na música folclórica argentina. Ela se tornou uma das expoentes do movimento conhecido como Nueva canción. Apelidada de La Negra pelos fãs, devido à ascendência ameríndia (no exterior acreditava-se erroneamente que era devido a seus longos cabelos negros), ficou conhecida como a voz dos "sem voz". (Nota da IHU On-Line)

[22] Jon Beasley-Murray: professor na Universidade de British Columbia, aborda áreas como Estudos Latino-Americanos e onde também é diretor do programa de Estudos Latino-Americanos. Publicou uma ampla literatura sobre América Latina, política e cultura, bem como sobre a teoria social e cultural. (Nota da IHU On-Line)

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