Subcomandante Marcos anuncia o retorno da agenda política zapatista

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04 Janeiro 2013

O líder exige o reconhecimento constitucional dos direitos indígenas. O Exército Zapatista de Libertação Nacional prepara várias iniciativas de caráter "civil e pacífico".

A reportagem é de Salvador Camarena, publicada no jornal El País, 31-12-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Assim como o Partido Revolucionário Institucional (PRI), que em dezembro de 2012 voltou ao poder presidencial mexicano, o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) escolheu o fim do ano para voltar à briga. E o fez primeiro no último dia 21 de dezembro, com uma mobilização silenciosa de dezenas de milhares de zapatistas em cinco povoados de Chiapas, seu bastião. E agora o faz com três extensos comunicados assinados pelo Subcomandante Marcos, em que desqualifica toda a classe política, exige que o novo presidente Enrique Peña Nieto cumpra os acordos de San Andrés e anuncia o início de uma série de ações cívicas.

"A nossa mensagem não é de resignação, não é de guerra, de morte e destruição. Nossa mensagem é de luta e resistência", escreve Marcos em uma das cartas do Comitê Clandestino Revolucionário Indígena. Em seguida, referindo-se ao retorno do PRI ao poder, aponta: "Depois do golpe de Estado midiático que exaltou no poder executivo a ignorância mal dissimulada e pior maquiada, fizemo-nos presentes para fazer com que saibam que, se eles nunca foram embora, nós também não".

O insurgente denuncia ainda que sucessivos governos, todos os partidos políticos e os meios de comunicação fracassaram na sua tentativa de desaparecer e menosprezar a causa do movimento zapatista.

"Os maus governos de todo o espectro político, sem exceção alguma, fizeram todo o possível para nos destruir, para nos comprar, para nos render", explica Marcos ao enumerar todas as organizações partidárias, incluindo a que está em formação em torno do ex-candidato Andrés Manuel López Obrador. "Atacaram-nos militar, política, social e ideologicamente. Os grandes meios de comunicação tentaram nos fazer desaparecer, com a calúnia servil e oportunista primeiro, com o silêncio dissimulado e cúmplice depois".

O subcomandante, que estava há quase dois anos sem assinar extensos comunicados, também cita os governantes, em particular Enrique Peña Nieto: "Cabe, então, ao governo federal, executivo, legislativo e judiciário decidir se reincide na política contrainsurgente que só conseguiu um fraca simulação torpemente sustentada no manejo midiático, ou reconhece e cumpre os seus compromissos elevando a status constitucional os direitos e a cultura indígenas, tal como estabelecem os chamados Acordos de San Andrés, firmados pelo Governo Federal em 1996, então encabeçado pelo mesmo partido agora no Executivo". Os acordos foram assinados pelo governo de Ernesto Zedillo (1994-2000).

O EZLN anunciou que, nos próximos dias, anunciará "uma série de iniciativas, de caráter civil e pacífico, para continuar caminhando junto com os outros povos originários do México e de todo o continente, e junto com quem, no México e no mundo inteiro, resiste e luta abaixo e à esquerda".

Nas cartas, Marcos também critica tanto os dois presidentes que surgiram do Partido Ação Nacional, que governou o México de 2000 a 2012, ("a presente carta não é somente para reafirmar o que o silêncio multitudinário de 21 de dezembro deve ter deixado claro a vocês, à classe política e ao governo da Ação Nacional, em geral, e a Felipe Calderón Hinojosa em particular: fracassaram"), quanto o movimento de López Obrador e a esquerda em geral ("há seis anos, um segmento da classe política e intelectual saiu em busca de um responsável pela sua derrota. Naquele tempo, nós estávamos em cidades e comunidades lutando por justiça por um Atenco que não estava na moda então. Nesse ontem, nos caluniaram primeiro e quiseram nos calar depois. Incapazes e desonestos para ver que, em si mesmos, tinham e têm o fermento da sua ruína, pretenderam fazer com que desaparecêssemos com a mentira e o silêncio cúmplice. Seis anos depois, duas coisas ficam claras: eles não precisam de nós para fracassar").

E arremata desqualificando o novo governo do PRI. Marcos dá uma resposta pontual ao novo secretário (ministro) de Governo, Miguel Ángel Osorio Chong, que, depois da manifestação silenciosa dos zapatistas do dia 21 de dezembro, disse que os zapatistas "ainda não nos conhecem", referindo-se a este governo.

"Então, nós os conhecemos? Hmm... hmm... vejamos: Enrique Peña Nieto. Não nasceu em Atlacomulco, Estado do México? Não é parente de Alfredo Del Mazo e Arturo Manos Largas Montiel? Não foi quem ditou, foi conivente com o governo municipal do PRD de Texcoco, o desalojamento dos floristas e a apreensão do dirigente da Frente de Povos em Defesa da Terra, Ignacio del Valle, em maio de 2006?", começa a resposta do líder do EZLN, que dedica longas linhas para lembrar antecedentes de vários integrantes dos colaboradores de Peña Nieto, o presidente que agora terá que incluir na sua agenda o EZLN.

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