Francisco pode ser muitas coisas, mas a viagem à Ásia provou que ele nunca é entediante

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22 Janeiro 2015

Todas as viagens papais podem parecer iguais, no sentido de que cada uma é realizada para levar a mensagem de um pontífice a algum canto do mundo, mas algumas são superiores do que outras em termos de drama e de impacto.papa-filipinas-chuva

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada no sítio Crux, 18-01-2015. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

A excursão do Papa Francisco, de 12 a 19 de janeiro, ao Sri Lanka e às Filipinas, encerrada no domingo, enquadra-se na categoria "superior". Marcada por tempestades mídiáticas e políticas, bem como por uma tempestade no sentido literal, ela teve um pouco de tudo.

No Sri Lanka, Francisco visitou um país dilacerado por uma guerra civil de 30 anos alimentada por tensões étnicas e religiosas, um país que recentemente elegeu um presidente reformador que prega a reconciliação, unidade e paz.

Seu primeiro ato oficial foi receber Francisco, e muitos cingaleses pareciam pensar que o presidente Maithripala Sirisena iria ganhar um empurrão em sua popularidade.

O pontífice fez uma visita surpresa a um templo budista, expressando o que ele chamou de "crescente respeito" da Igreja Católica para com outras religiões.

No avião para as Filipinas, Francisco gerou sensação comentando os ataques Charlie Hebdo, afirmando que a violência não pode ser justificada, mas também não se pode insultar a religião alheia.

O Vaticano foi forçado a emitir um esclarecimento, dizendo que ele não estava sugerindo que a revista satírica francesa merecia o que aconteceu.

Nas Filipinas, Francisco foi recebido com um frenesi de "papamania", atraindo enormes e animadas multidões onde quer que fosse.

O pontífice criou repercussão na sexta à noite, denunciando a "colonização ideológica" da família, o que o Vaticano confirmou foi em parte uma referência ao casamento gay, e acrescentou uma defesa improvisada da proibição da Igreja ao controle de natalidade.

No sábado, o pontífice enfrentou uma tempestade tropical para voar até uma ilha que tinha sido o marco zero de um supertufão, em 2013, que matou mais de 6.000 pessoas e deixou 4,1 milhões de desabrigados.

Francisco encontrou-se com 30 sobreviventes, incluindo uma mulher que lhe contou que tinha perdido seu marido, seu irmão e cinco filhas.

Na noite anterior, teriam dito a Francisco que o piloto estava preocupado em fazer o vôo em tal condição climática, e sua resposta foi que "ir até lá é a principal razão pela qual eu vim ... temos que ir, não importa como".

Ele teve que encurtar a visita por quatro horas, mas ele foi.

No domingo, Francisco celebrou uma missa no centro de Manila, quebrando o recorde de comparecimento em um evento papal de todos os tempos, atraindo mais de 6 milhões de pessoas.

Deixando de lado esses detalhes, aqui estão três coisas que podemos aprender com a odisseia asiática de Francisco.

• Quando você acha que você conseguiu entender esse papa, ele te surpreende.

Por exemplo, costumeiramente, fala-se de Francisco como se ele fosse um pouco liberal, enquanto William Donohue da Liga Católica nos Estados Unidos é visto como um conservador. Se fôssemos refletir sobre quem poderia se sentir vingado por qualquer coisa que Francisco pudesse dizer sobre os ataques de Paris, Donohue, provavelmente, não viria à mente.

No entanto, não há muito tempo, Donohue atraiu críticas por dizer que, enquanto a violência está errada, os muçulmanos tinham o direito de estar com raiva sobre as representações de Maomé feitas pela revista - em essência, o mesmo ponto que Francisco fez.

"Esta é uma doce vitória para mim", gabou-se Donohue no dia 15 de janeiro.

Durante uma sessão com as famílias em um estádio de Manila na sexta-feira, Francisco fez uma improvisada defesa da Humanae Vitae, a controversa encíclica de 1968 do Papa Paulo VI, confirmando o ensinamento da Igreja sobre a contracepção.

"Ele teve a força de defender a abertura à vida, num momento em que muitas pessoas estavam preocupadas com o crescimento da população", disse Francisco.

O pontífice pediu aos sacerdotes que escutam confissões para serem "muito generosos" em tais casos, mas ele não deixou nenhuma dúvida de que a ampla disciplina católica sobre a contracepção não está prestes a mudar.

Moral da história: o papa pode ser irritantemente difícil de definir, pelo menos para categorizá-lo de esquerda ou de direita.

Francisco ilustra por que uma boa narrativa é muitas vezes a melhor amiga do papa.

Em alguns pontos durante a visita, Francisco disse ou fez coisas que poderiam ter colocado outro pontífice em apuros. No Sri Lanka, por exemplo, ele pediu aos católicos asiáticos para aumentar o seu "zelo missionário" a fim de difundir a fé.

Quando o Papa João Paulo II disse a mesma coisa na Índia, em 1999, houve protestos de hindus sobre o proselitismo cristão. Pelo fato de que Francisco seja visto como um homem que vai ao encontro e de tolerância, ninguém fez nenhuma menção.

Francisco é um líder que parece soltar a língua das pessoas.

Em outubro passado, Francisco exortou os bispos católicos que participaram de uma reunião de cúpula no Vaticano sobre a família para "falar com ousadia" e eles assim o fizeram. O encontro, chamado de sínodo, por vezes, se assemelhava a uma luta com seu confronto livre de pontos de vista.

Nas Filipinas, Francisco foi recebido pelo presidente Benigno Aquino, herdeiro de uma dinastia política que pode ser comparada com os Kennedy dos EUA. Como esses últimos, os Aquinos são católicos, mas às vezes se irritam com a hierarquia da Igreja.

Na presença do papa, Aquino aproveitou para lavar a roupa suja.

Entre outras falhas, Aquino acusou os bispos de silenciarem-se sobre os abusos da administração anterior de Gloria Macapagal Arroyo, que recebeu voz de prisão, em uma cama de hospital, em 2012, por acusações de corrupção.

É raro ouvir um chefe de estado católico falar tão francamente em tal ocasião, mas Francisco parece ter esse efeito nas pessoas.

Enquanto há muitas coisas que podem ser debatidas sobre Francisco, aqui está uma certeza férrea que sua viagem asiática confirma: ele nunca, jamais, é entediante.

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