Sete lições do louco e selvagem Sínodo sobre a família

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22 Outubro 2014

O Papa Francisco e os líderes católicos encerraram o seu encontro de duas semanas no Vaticano sobre os desafios da vida familiar moderna no domingo sem chegar a um consenso sobre uma série de temas polêmicos. Então, onde é que isso deixa o papado de Francisco? E para a Igreja?

A reportagem é de David Gibson, publicada no sítio Religion News Service, 21-10-2014. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

Aqui estão sete lições importantes:

1. Os linhas-duras venceram a batalha

Um relatório intermediário da situação do debate entre os cerca de 190 cardeais e bispos foi descrito como um "terremoto pastoral" por causa de sua linguagem inédita (para os clérigos católicos) de boas-vindas e apreço aos gays, assim como para os católicos divorciados e novamente casados ​​e casais que coabitam.

O tsunami midiático sobre esse aparente avanço apavorou os conservadores, que travaram uma intensa campanha pública e privada para se certificar de que nada daquela linguagem - aparentemente favorecida pelo próprio Francisco - aparecesse no relatório final do Sínodo. Eles obtiveram sucesso, e até mesmo os poucos e aguados parágrafos sobre gays e católicos recasados ​​não atingiram o limiar dos dois terços necessários para a aprovação formal.

Os linhas-duras clamaram vitória, e as manchetes falavam de um recuo do Vaticano e uma "derrota retumbante" de Francisco, que deixou seu papado "enfraquecido".

2. Os reformadores podem vencer a guerra

Essa poderia ser uma vitória de Pirro, ou seja, aquela que custa mais do que vale a pena. Mesmo que as passagens controversas não tenham alcançado o valor de referência de dois terços, elas, no entanto, ganharam maiorias fortes. Além disso, um número grande de bispos reformistas disseram que votaram contra as propostas controversas porque elas não enfatizavam suficientemente a acolhida, o respeito e o valor dos gays e lésbicas.

"Eu não acho que o texto estava bom, porque não incluía essas palavras de forma suficiente, então eu não estava satisfeito com ele", disse o cardeal britânico Vincent Nichols ao The Telegraph.

Muitos outros participantes do Sínodo, incluindo o arcebispo Joseph Kurtz, de Louisville, Kentucky, presidente da Conferência dos Bispos dos EUA, também fez questão de usar a linguagem de boas-vindas que havia sido rejeitada. Líderes proeminentes da Igreja também disseram que os controversos esforços para alterar a prática da Igreja para permitir que os católicos recasados ​​possam receber a Comunhão ainda estão em jogo.

Francisco também deixou claro, no final da reunião, que ele quer que a Igreja seja aberta a "coisas novas", e ele ordenou que as propostas "rejeitadas" fossem incluídas no texto. É provável que em um ano ou dois, ele também vai nomear cardeais e bispos com essa mesma opinião que poderão pressionar por mudanças.

3. Mudar é difícil

A mudança é especialmente difícil para a Igreja Católica Romana, que gosta de apresentar-se - e de apresentar o seu ensinamento - como imutável. Mas a história mostra que a doutrina mudou (ou "desenvolveu", como dizem os teólogos), e muitos participantes sinodais reiteraram que os ensinamentos poderiam, e deveriam, ser adaptados às novas realidades da família de hoje.

Ainda assim, encontrar a linguagem teológica para justificar tais mudanças, e os mecanismos pastorais para realizá-los, é difícil. Os bispos reunidos em Roma (aqueles que não se opuseram a todas as mudanças) tinham todos os tipos de ideias quando se tratava de detalhes, e pode levar tempo para a poeira baixar e para que soluções aceitáveis possam ser encontradas​​, isso se houver alguma.

4. O catolicismo está "flertando com um momento anglicano"

Essa é uma frase do colunista Ross Douthat, do New York Times, usada no Twitter para discutir a resistência dos bispos africanos para o que eles viam como o foco do Sínodo, ou seja, preocupações do Ocidente como o divórcio e homossexualidade e esforços para adaptar a doutrina da Igreja a essas questões de uma forma que as Igrejas africanas não teriam como aceitar.

A Comunhão Anglicana é a rede global de 38 Igrejas autônomas com cerca de 80 milhões de membros - incluindo a Igreja Episcopal, a sua filial norte-americana, com 2 milhões de membros. Os anglicanos se dividiram quase ao ponto de cisma já que as Igrejas africanas rejeitaram as mudanças feitas por membros ocidentais para permitir os sacramentos para gays e lésbicas.

Essa dinâmica é também um risco para Roma, já que o catolicismo africano também está crescendo em tamanho e influência. Duas diferenças fundamentais, porém: cerca de 16% dos 1,2 bilhão de católicos de todo o mundo vivem na África, enquanto que mais da metade de todos os anglicanos são da África, e eles têm uma influência muito maior no futuro do anglicanismo. Além disso, as propostas católicas de acolhida para gays estão muito longe das alterações exercidas por algumas Igrejas anglicanas.

5. O discurso é livre

No meio de toda a pressão e análise, é importante dar um passo para trás e perceber que nas três décadas antes da eleição de Francisco como papa, bispos, sacerdotes e teólogos poderiam ter sido investigados, censurados, silenciados ou demitidos por muitas das ideias que foram abertamente discutidas no Sínodo.

Esse é, talvez, o verdadeiro terremoto, e é algo que o próprio Francisco queria.

6. Falar é fácil

Por outro lado, cuidado com aquilo que você pede. Há algum tempo, Francisco tem exortado os católicos a dizer o que pensam, sem medo de represálias. Na abertura do Sínodo, ele lembrou novamente aos participantes que tinha apenas uma condição para as conversações: "Falem claramente. Que ninguém diga: 'Isso eu não posso dizer'".

E segundo consta, eles fizeram justamente isso, com grande paixão dentro da sala do Sínodo, mas de forma mais acentuada com a imprensa. Os vários grupos de interesse que procuravam influenciar as discussões eram muitas vezes menos diplomáticos. Como disse um cardeal para o site de notícias católica Crux, em um determinado ponto, a discussão aberta tornou-se um "caos".

7. Francisco é o "papa do processo"

Foi assim que Grant Gallicho, da revista Commonweal, chamou o pontífice. Francisco e seus companheiros jesuítas podem preferir caracterizar o seu método como "discernimento".

De qualquer maneira, isso significa que este Sínodo não foi o fim, mas o começo. Nada foi decidido, e nada está fora da mesa. Haverá um outro sínodo, mais longo e maior, em outubro próximo, e até lá Francisco disse que ele quer que todos continuem a debater e discutir.

O que eles já estão fazendo.

Na primeira semana de novembro, a Universidade Católica da América em Washington irá apresentar uma palestra do cardeal Gerhard Müller, o guardião doutrinal do Vaticano e um opositor ferrenho das reformas propostas. Três dias depois, o campus vai sediar outra palestra com o teólogo alemão, cardeal Walter Kasper, um dos principais defensores das reformas e debatedor de Müller.

Puxe uma cadeira. O discernimento pode ser divertido, bem como esclarecedor.

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