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O que une palavra e oração. Orar é pedir que o Outro nos deseje

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22 Junho 2021

 

"A tradição bíblica o tornou evidente: a oração faz com que exista pelo menos um no universo que não me pode perder, que ama incondicionalmente a minha vida sendo a minha vida, como aquela de toda sua criatura, digna de ser amada, absoluta e imensamente insacrificável", escreve Massimo Recalcati, psicanalista italiano e professor das universidades de Pavia e de Verona, em artigo publicado por La Stampa, 20-06-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

O psicanalista Massimo Recalcati participou do evento "Torino Spiritualità":  O que precisamos para nos tornarmos verdadeiramente humanos.

 

Eis o artigo.

 

Segundo Lacan, cada ser o ser humano estrutura o próprio desejo a partir de uma pergunta que permeia a vida de cada criança desde os primeiros dias de sua existência: “Você poderia me perder?” Essa pergunta implica, antes de mais nada, um questionamento da criança dirigido aos desejos dos pais: o que sou para vocês? É uma pergunta que supõe uma invocação, até mesmo uma prece: vocês poderiam me esquecer como se eu fosse um pacote, um objeto, uma coisa qualquer, vocês poderiam viver sem mim, vocês poderiam viver excluindo-me de sua vida, viver como se eu não existisse? Em primeiro plano, como podemos ver, está o desejo de ser desejado pelo desejo do Outro. É uma tese que Lacan retoma na carta de Hegel: o desejo do homem é o desejo do Outro.

Na pergunta angustiada da criança: "Você poderia me perder?" vemos fixar-se primeiramente a natureza eminentemente dialética do desejo humano. Sem a presença do Outro, a vida não se humaniza, permanece vida nua, a vida despojada de sentido, a vida dissociada da vida. "Você poderia me perder?" é, portanto, uma invocação, uma prece que o pequeno homem dirige originalmente ao próprio Outro. Ela se anuncia a partir do grito que acompanha sua vinda ao mundo. O grito é, de fato, a forma patêmica que o desejo humano assume, sua primeira dramática encarnação.

No livro bíblico de Jó, a vida é trazida de volta a essa sua matriz primeira pela experiência surda de sofrimento. Em primeiro plano está o grito como forma radical de invocação da vida do indefeso. Mas, se pensarmos bem, é a própria palavra que carrega consigo a instância do grito. Falar, de fato, é sempre se dirigir a alguém, é sempre se abrir ao mistério da resposta do Outro. Acontece com Jó, mas acontece com todo ser humano. Nossa palavra depende da resposta do Outro.

Esta é a estreita relação que existe entre a palavra e a oração. A palavra, como a oração, supõe um destinatário, um Outro que escuta e que com sua resposta significa retroativamente o significado de nossa própria palavra. Esta é uma definição possível da vida humana. Não só, como Aristóteles classicamente declarava, o homem é um animal social (uma tese que Freud questionou profundamente ao mostrar a natureza primordial da agressividade humana), mas o homem é, antes de tudo, um animal que reza, um animal que através de sua oração invoca uma resposta do Outro: "Você poderia me perder?". Ao longo da tradição bíblica, a oração do homem se confunde com o seu grito, até culminar no grito de Jesus crucificado que se dirige ao pai no momento do seu mais extremo abandono: “Pai meu, por que me abandonaste?”.

Você poderia, então, realmente me perder? Por essa sua raiz na invocação do grito, o desejo humano não pode ser confundido com a simples necessidade. Enquanto esta tende a resolver o estado de tensão interna de que surge através do consumo do objeto (o pão acalma a tensão fisiológica da fome, a água a da sede), o movimento do desejo não se dirige a nenhum objeto porque não existe objeto do mundo que seja capaz de satisfazer seu impulso de uma vez por todas. Ao contrário, o desejo humano pode encontrar sua realização (mesmo que provisória) no encontro com o desejo do Outro. Se a necessidade relaciona unilateralmente o sujeito a um objeto, o desejo, como explica Hegel, relaciona reciprocamente um sujeito a outro sujeito. Nessa relação intersubjetiva, a instância do desejo exige, em primeiro lugar, ser reconhecida como tal. Assim, o desejo humano encontra sua satisfação simbólica apenas quando é desejado por outro desejo. Por isso Kojève definiu nossa história como a história de todos os “nossos desejos desejados”.

A vida humana não vive, de fato, apenas de pão, mas é se nutre constantemente de sinais. Quais sinais? Aqueles que a criança busca quando faz ao Outro sua pergunta primeira: "Você poderia me perder?". Portanto, os sinais do desejo do Outro, o sinal no Outro de que ele não pode me perder, de que sua existência não pode existir sem a minha. Como podemos ver, a instância do O anti-Édipo, de Deleuze e Guattari: o desejo como produção e a crítica à civilização ocidentalsejo se cruza aqui com aquela do amor: o amor, como o desejo, não pede simplesmente a posse de objetos, mesmo que fosse do corpo do amado, mas pede o sinal da falta. À pergunta "você poderia me perder?", o apaixonado responde sem hesitação: "não, eu não posso te perder". O que significa que o amado esculpiu nele uma falta irredutível, tornou-se o que falta ao amante, é o que ele, de fato, não pode perder de forma alguma.

Este é o significado da famosa fórmula lacaniana segundo a qual "amar é dar ao Outro o que não se tem”. Doar aquilo que se tem não é difícil, especialmente se é possuído em abundância. Ao contrário, dar o que não se tem, implica em uma torção particular: o sujeito não doa algo, mas doa a sua falta, sinaliza ao Outro que não pode perdê-lo porque sua perda comportaria o fim de seu mundo. Sem o sinal de amor de seus pais, a vida de um filho cairia em um buraco escuro. Sem o sinal de amor por parte do amado, a vida do amante não encontraria paz.

É por isso que o fim de um amor comporta não tanto e não apenas a perda do amado, mas a perda do mundo inteiro dos Dois amantes. Sem amor, o meu mundo, como a minha vida, perde totalmente o sentido. Não sou mais esperado por ninguém porque não faço falta a mais ninguém. Ninguém está me esperando na porta, porque eu não posso mais ser a falta de ninguém. À nossa pergunta: "Você poderia me perder?", o Outro respondeu resoluta e brutalmente: "Sim! Eu posso te perder". Nossa saída de cena, portanto, não deixa assim nenhuma falta no Outro porque a sua vida continua autonomamente sem mim.

Acontece irreversivelmente quando um amor termina. É fatal e inevitável. Não existe amor senão pela experiência absoluta da liberdade que, como tal, sempre implica a possibilidade do fim de um amor: o Outro pode me perder sem perder a sua vida, sem mais sentir a minha falta. É um seu direito absoluto. Mas o grito que nos acompanha desde a origem da nossa vida volta inevitavelmente a ser ouvido. Provavelmente é por isso que os homens sempre oraram. A tradição bíblica o tornou evidente: a oração faz com que exista pelo menos um no universo que não me pode perder, que ama incondicionalmente a minha vida sendo a minha vida, como aquela de toda sua criatura, digna de ser amada, absoluta e imensamente insacrificável.

 

Leia mais

  • O enigma de Ulisses, herói narcisista que escolheu o Outro. Artigo de Massimo Recalcati
  • Nas raízes do cristianismo. Artigo de Massimo Recalcati
  • Os novos desejos. Artigo de Marco Ventura
  • Vivo, portanto, desejo. Artigo de Vito Mancuso
  • Não se privem da felicidade. Artigo de Enzo Bianchi
  • “É a voz de Deus ou é a minha?” Sete dicas sobre a escuta na oração. Artigo de James Martin
  • A oração: instrumento de comunicação
  • Ardor, desejo, amor. Assunto para os teólogos
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  • É a irrupção do Outro que desmente a Totalidade

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