Jesuíta assassinado: ''Homicídio sem razão, assim como a guerra na Síria''

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08 Abril 2014

 


Dom Jean-Clément Jeanbart fala depois do assassinato nessa segunda-feira, em Homs, do padre jesuíta holandês Frans Van der Lugt. "Ele sempre teve boas relações com os opositores e parece que tinha tentado encontrar uma solução para o problema do ataque contra a cidade e a comunidade que vive na parte antiga." Aumenta a angústia pelo futuro do país e a esperança de paz da visita do Papa Francisco.

A reportagem é de Daniele Rocchi, publicada no sítio Servizio Informazione Religiosa, 07-04-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"Uma péssima notícia. Um fato que não pode ser comentado. Mataram um homem que sempre se destacou pelo seu amor e pelo seu apego ao povo sírio e a este país." Assim é que o arcebispo greco-melquita de Aleppo, Dom Jean-Clément Jeanbart, comenta o assassinato nessa segunda-feira, em Homs, do padre jesuíta holandês Frans Van der Lugt.

O jesuíta, segundo o que foi relatado por alguns coirmãos, foi sequestrado, espancado e depois morto com dois tiros na cabeça, na frente da sua residência, no bairro de Basatin al Diwan. "Ele sempre teve boas relações com os opositores e – acrescenta o prelado – parece que ele tentou encontrar uma solução para o problema do ataque contra a cidade e a comunidade que vive na parte antiga. Por que o mataram, é difícil de compreender. Mas aqui na Síria são tantas as coisas que não se compreendem já".

A Síria parece ter desaparecido das páginas dos jornais, e notícias como as da morte de um religioso lançam mais sombras sobre o drama que já dura três anos. "Provavelmente querem que seja assim para obter o objetivo de destruir a Síria – afirma o arcebispo –, e eu espero que isso não aconteça. Se isso ocorresse, se veriam consequências na Jordânia, no Líbano e em toda a região, que se tornaria um deserto que rodearia essas nações que hoje têm interesses para dominar o nosso país".

Eis a entrevista.

No silêncio da comunidade internacional, continua-se a morrer na Síria, como em Homs, em Aleppo...

Aqui entre nós, a situação é muito tensa. Combate-se duramente, ouvimos bombardeios nas regiões mais periféricas da cidade. Em certo sentido, estamos em estado de sítio, no meio dos combatentes dos dois lados. Em nível humanitário, tentamos ajudar dentro das nossas possibilidades. Em comparação com três meses atrás, é preciso dizer que conseguimos nos prover com um pouco mais de facilidade, mas os preços estão muito altos. A falta de trabalho torna tudo difícil para as pessoas, para as famílias, para as crianças.

Organizações como a Unicef, Save the Children, Médicos Sem Fronteiras denunciaram os enormes sofrimentos das crianças sírias, muitas das quais apresentam graves problemas físicos e mentais. Com uma juventude tão martirizada, que futuro pode-se pensar para a Síria?

Estamos muito preocupados. Não são só os menores que sofrem, mas também os jovens, sobre os quais se apontam as esperanças de todo país. Eles estão traumatizados por esse conflito, e é difícil prever como vai sair daí. Sobre o futuro da Síria, temo que existam facções e países que querem que a guerra se prolongue por muito tempo, para desintegrar a nação e o seu povo. Diante de números como os dos mortos, dos refugiados e dos deslocados, o que mais se pode pensar? Estão destruindo a Síria para obter lucro. Pensemos, por exemplo, no comércio de armas, várias vezes condenado pelo Papa Francisco...

Mas haveria também os negócios da reconstrução...

Destruição chama reconstrução. Mas a que preço para o povo? Eles serão realmente capazes de combater para levar destruição por toda parte, como foi feito no Iraque ou na Líbia? Seria inaceitável e desumano.

Reconstruir materialmente a Síria talvez será mais fácil do que colocá-la novamente em pé em nível social, espiritual e moral. O senhor acredita que as religiões hoje, detonadoras de conflitos sectários entre xiitas e sunitas, e com os cristãos pagando o seu tributo de sangue, poderão se tornar pontes de reconciliação?

Elas não poderão: deverão. Se a Síria não sair desintegrada desse conflito, acredito que todos os componentes religiosos do país terão os motivos para ajudar na reconstrução civil e espiritual do país, afastando o fantasma do fundamentalismo e do extremismo religioso. Essa guerra, então, poderia nos ensinar a ir além das divisões e dos particularismos.

Diz-se que 2014 é o ano das eleições políticas. Nesse clima de guerra, como é possível pensar em uma votação regular e livre de fraudes?

O governo parece determinado a organizar as eleições. A comunidade internacional deveria tornar-se uma garantia da regularidade da votação, mas acho que vai ser difícil. A mídia fala de eleições nos próximos meses, e também se diz que o presidente Assad vai concorrer de novo. Mas aqui na Síria as mudanças estão ao virar da esquina, portanto eu esperaria antes de falar.

Em maio, o Papa Francisco estará na Terra Santa. O que o senhor espera dessa viagem?

Espero que o papa possa trazer uma lufada de paz, como fez para a Síria, quando promoveu o dia de jejum, em setembro passado. E foi um milagre. Espero que se repita também para a Palestina e para o conflito israelense-palestino. Todo o Oriente Médio se beneficiaria com isso.

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