Os jesuítas e a Síria. Uma voz clamando no deserto

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14 Fevereiro 2014

"Os cristãos e muçulmanos estão passando por um período difícil e doloroso, e estamos nos deparando com muitos problemas. O maior deles é a fome. As pessoas não têm nada para comer", informa o blog Endrtimes, 10-02-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Eis o artigo.

Como escrevi em postagens anteriores, a Companhia de Jesus se faz presente nos lugares mais improváveis, desde as zonas de conflito na América Latina até as ruínas de radiação de Hiroshima e mesmo – desde a eleição no ano passado do primeiro papa jesuíta – no ápice do poder eclesiástico. Há muito reconhecido como o braço mais inteligente e ousado, em termos culturais, da Igreja Católica, muitos jesuítas se destacaram por seu desejo de irem às fronteiras – seja no sentido civilizacional, seja no sentido dos limites geográficos.

A última lembrança disso de que falo vem da cidade sitiada de Homs, na Síria, onde uma operação para aliviar o sofrimento dos civis encurralados está em andamento, sob o abrigo de um cessar-fogo. Um jogo diplomático complexo precisou ser feito nos últimos dias no intuito de fazer com que esta missão limitada tivesse prosseguimento; mas antes mesmo de a diplomacia ter começado, um importante papel foi desempenhado por um jesuíta holandês, o Pe. Frans van der Lugt, ao alertar a opinião mundial sobre a situação das pessoas na cidade de Homs. Ele falou ao mundo através de um vídeo. Em árabe, ele afirmou: Os cristãos e muçulmanos estão passando por um período difícil e doloroso, e estamos nos deparando com muitos problemas. O maior deles é a fome. As pessoas não têm nada para comer. 

Não há nada mais doloroso do que ver mães, nas ruas, em busca de alimento para dar aos filhos... Não aceitarei que morramos de fome. Não aceito que nos afoguemos em um mar de fome, deixando que as ondas de morte nos arrastem para baixo. Amamos a vida, queremos viver. E não queremos cair num mar de dor e sofrimento.

Antes do surgimento do filme, os colegas holandeses do Pe. Frans estiveram sem contato direto com ele por alguns meses, fato pelo qual estavam preocupados. Psicoterapeuta de formação que, agora, está com seus 70 anos, Frans vive no Oriente Médio desde 1966. Na década de 1980, ele criou um projeto agrícola fora de Homs onde jovens com problemas mentais pudessem trabalhar.

No estágio inicial da atual guerra, muitos cristãos deixaram a cidade após forças rebeldes se instalarem; ele escolheu ficar, dizendo aos que se opuseram: “Sou o pastor do meu rebanho”.

Tem-se que ele é o último europeu vivo no coração da cidade, agora sitiada por forças do governo. Em um documentário a ser exibido por um canal holandês de televisão nesta semana, os amigos do jesuíta corajoso e familiares falam do medo que têm pela vida dele e do respeito pelas escolhas desafiadoras que ele tomou.

As preocupações com a segurança do Pe. Frans se tornaram particularmente agudas depois do desaparecimento, em julho, do jesuíta conhecido, o Pe. Paolo dall’Oglio. Este foi sequestrado em território ocupado por rebeldes e seu destino permanece desconhecido, embora uma figura da oposição tenha dito que ele foi morto por seus raptores.

Jan Stuyt, porta-voz dos jesuítas, contou à imprensa holandesa que a mensagem em vídeo do Pe. Frans van der Lugt pareceu ser uma expressão genuína de seus sentimentos e que não foi feita sob coação. Mas o porta-voz também recomendou cautela sobre a evacuação de civis da cidade de Homs, preocupação que está presente em outros círculos holandeses.

A experiência dele nas regiões de guerra da ex-Iugoslávia o mostrou que “pode ser perigoso separar homens de mulheres”. Como é lembrado por muitas pessoas nos Países Baixos (onde o constrangimento pelo fracasso de um contingente holandês para acabar com o massacre em Srebrenica ainda é agudo), retirar certos combatentes da linha de fogo pode capacitar um invasor a agir com maior crueldade às vezes.

Todavia, quaisquer que sejam os interesses dos sitiantes ou dos defensores, o mundo se obriga a prestar atenção quando um homem que poderia facilmente estar vivendo, de modo confortável, na Holanda diz ao mundo que ele e as pessoas ao seu redor estão caindo em um mar de dor.

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