Crise Rússia-Ucrânia, o Papa Francisco conversará com Putin por telefone

Vladimir Putin e Papa Francisco em junho de 2015. (Foto: Vatican Media)

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16 Dezembro 2021

 

Do Vaticano vaza a informação que Francisco e o presidente russo falarão na tarde de quinta-feira. As palavras de Bergoglio no último Angelus: "As armas não são o caminho, precisamos de um sério diálogo internacional".

 

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada por Corriere della Sera, 15-12-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Um encontro por telefone entre o Papa Francisco e o presidente russo Vladimir Putin, quinta-feira à tarde, para falar, entre outras coisas, sobre a crise ucraniana.

A notícia vaza do Vaticano e mostra toda a preocupação do pontífice com a crise em curso e a hipótese de uma invasão russa da Ucrânia.

Francisco falou disso pela última vez no Angelus de domingo, quando rezou "pela querida Ucrânia, todas as suas Igrejas e comunidades religiosas e todo o seu povo, para que as tensões em torno dela sejam resolvidas através de um sério diálogo internacional e não com as armas", a ponto de exclamar: “Muito me entristece a estatística que li, a última: este ano foram produzidas mais armas do que no ano passado. As armas não são o caminho. Que este Natal do Senhor traga a paz à Ucrânia!”.

O pontífice e o presidente russo já se encontraram pessoalmente três vezes no Vaticano, nos dias 25 de novembro de 2013, 10 de junho de 2015 e 4 de julho de 2019, a Ucrânia é um tema recorrente e a relação entre os dois é boa. O Papa está pronto a fazer a sua parte para aliviar as tensões e mediar, afinal, "pontífice" significa justamente "construtor de pontes", e a própria disposição de Putin ao diálogo é um sinal tranquilizador do lado russo.

Desde o início de seu pontificado, Francisco vem alertando contra a "Terceira Guerra Mundial travada aos pedaços" em curso, com o relativo risco de que as "peças" acabem se soldando. A guerra fria é perigosa, a Santa Sé não se alinha com as posições ocidentais e exorta a praticar o diálogo, uma "abordagem multilateral" às crises, pontes em vez de muros: a "geopolítica da fraternidade" de Bergoglio. E Putin está ciente de tudo isso.

Por outro lado, é um momento de intensas relações diplomáticas entre o Vaticano e a Rússia. Como revelou ao Corriere dois meses atrás o metropolita Hilarion, "ministro das Relações Exteriores" do Patriarcado de Moscou, um segundo encontro está sendo preparado entre o Papa e o Patriarca Kirill, depois daquele histórico de cinco anos atrás em Havana.

O próprio Francisco falou sobre isso aos jornalistas no voo de retorno da Grécia no dia 6 de dezembro: “O encontro com o patriarca Kirill está num horizonte não muito distante. Hilarion virá para marcar um possível encontro, porque o Patriarca tem que viajar, creio eu, para a Finlândia. Estou sempre disposto, também estou disposto a ir a Moscou: não existem protocolos para conversar com um irmão”.

 

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