“Um encontro entre o Papa e o Patriarca Kirill? Acontecerá, em breve”

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08 Outubro 2021

 

Uma viagem de Francisco à Rússia "não está na agenda no momento", no entanto, um encontro entre o Papa e o Patriarca Kirill de Moscou vai acontecer. “Você lembra que o encontro de Havana só foi anunciado uma semana antes. Pois bem, depois de terminarmos os preparativos para o segundo encontro, anunciá-lo-emos também naquele caso uma semana antes”. Na Casa Santa Marta, o metropolita Hilarion de Volokolamsk, 55, apenas sorri.

"Ministro das Relações Exteriores" do Patriarcado de Moscou, encontrou-se com o Papa no encontro de líderes religiosos mundiais em vista da COP26 sobre o clima em Glasgow e apresentou no Vaticano, com o Secretário de Estado Pietro Parolin, a edição italiana de um livro de Solovev sobre Dostoiévski (ed. Cantagalli). O metropolita escreveu o prefácio. “O aspecto mais importante de Dostoiévski, para nós cristãos, é que em suas obras tenta aproximar as pessoas a Jesus. Cristo nos deixou não apenas um ensinamento ou uma doutrina, mas acima de tudo a sua pessoa”. Hilarion fala olhando fixo diante de si, como se estivesse absorto.

A entrevista com Hilarion é de Gian Guido Vecchi, publicada por Corriere della Sera, 07-10-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis a entrevista.

 

Eminência, já se passaram cinco anos desde o encontro entre o Papa e o Patriarca de Moscou Kirill, o primeiro da história. Recentemente, sobre a possibilidade da viagem de Francisco à Rússia, o Cardeal Parolin disse: "Parece-me que atualmente não existam as condições”. Por quê?

Devemos distinguir dois temas: o encontro entre o Papa e o Patriarca e a visita de Francisco à Rússia. Quanto à visita, partilho a opinião do Cardeal Parolin, agora não existem as condições, e não creio ter que citar os motivos pelos quais é impossível neste momento, os dois lados os conhecem, hoje a viagem não está na agenda nas nossas relações bilaterais. Porém, isso não significa que não devam se desenvolver, pelo contrário: o encontro de Havana as relançou.

 

E um encontro em outro lugar?

Você lembra que o encontro em Havana foi anunciado apenas uma semana antes. Então, quando teremos acabado os preparativos do segundo, vamos anunciá-lo uma semana antes.

 

Isso significa que vai acontecer?

Acho que esse encontro vai acontecer, mas não vamos anunciá-lo com um mês ou alguns meses de antecedência. Afinal, o mais importante não é apenas o evento em si, mas seus resultados. O encontro anterior deu bons resultados.

 

Existe um aspecto particular em Dostoiévski que aproxima o catolicismo e a ortodoxia?

Visitei recentemente uma das universidades de Moscou, havia centenas de professores e estudantes. Perguntei a eles quem havia lido Dostoiévski e todos levantaram as mãos. Depois perguntei quem tinha lido o Evangelho, e foram mais ou menos um quarto. A maioria da população mundial conhece a Rússia e a Igreja Ortodoxa através das suas obras. Na época soviética, quando era proibida a divulgação da literatura religiosa, restava o seu testemunho: por meio de personagens crísticos como Myshkin no Idiota ou do stárietz Zósima e Aliocha nos irmãos Karamazov, mostrava a pessoa de Jesus. E tinha sido profeta em ver a substância anticristã e demoníaca da ideologia que prometia a felicidade sem Deus.

 

Que "frutos" trouxe o primeiro encontro?

Em primeiro lugar, que o Papa e o Patriarca tenham confirmado o desejo de continuar defendendo os cristãos perseguidos, no Oriente Médio e em outras regiões: cada um fala sobre isso, mas é muito importante que tenham se detido neste tema juntos. E além disso é muito importante para nós que tenham declarado juntos que o uniatismo não é um caminho para a unidade. Nós o percebemos como um impedimento ao diálogo. Não por acaso os greco-católicos ucranianos estavam perplexos com o fato de tal encontro ter ocorrido e com as palavras ditas. Muitos pontos importantes foram abordados na declaração conjunta de Havana. Mas, desde então, surgiram novos desafios que exigirão novos encontros e declarações comuns.

 

Como o destino do planeta?

Sim, creio que o tema da ecologia é um dos campos em que devemos intensificar a nossa colaboração. Estamos todos no mesmo barco, temos uma casa comum. Se derreterem os gelos no mundo e as terras começarem a ser inundadas, então a água não perguntará a ninguém se é católico, ortodoxo, muçulmano, judeu ou ateu, todos nós afundaremos.

 

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