06 Março 2026
"Ali Khamenei era um ditador sanguinário? E Donald Trump e Benjamin Netanyahu são dois líderes belicistas? Os erros de um não justificam os comportamentos dos outros".
O artigo é de Giovanni De Mauro, jornalista italiano, publicado por Internazionale, 05-03-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Eis o artigo.
Ali Khamenei era um ditador sanguinário? E Donald Trump e Benjamin Netanyahu são dois líderes belicistas? Os erros de um não justificam os comportamentos dos outros. Como disse o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez: "Pode-se ser contra um regime odioso, como o iraniano, e ao mesmo tempo ser contra uma intervenção militar injustificada, perigosa e fora da legalidade internacional, contra uma guerra iniciada sem a autorização do Congresso dos Estados Unidos e do Conselho de Segurança das Nações Unidas, e que viola o direito internacional".
Uma guerra, além disso, desencadeada em meio a uma negociação e apoiada por apenas um a cada quatro estadunidenses. Em 2003, o secretário de Estado estadunidense Colin Powell mostrou à ONU um frasco contendo um pó branco (provavelmente apenas talco) como prova de que o Iraque possuía armas de destruição em massa para justificar a invasão do país e a derrubada de Saddam Hussein. Até mesmo uma ínfima aparência de respeito pelas regras (uma "prova" como justificativa para o ataque, o pedido de aprovação do Congresso, o envolvimento da comunidade internacional) poderia ser melhor do que essa violação total, injustificada e sistemática do direito internacional à qual Trump e os outros estão nos acostumando.
Hoje, todo fingimento desapareceu. Essas pessoas não se importam em nada com o povo iraniano, a sua liberdade, a democracia ou o respeito pelos direitos humanos. Estamos nas mãos de um grupo de homens idosos, violentos e rancorosos. Exatamente como aqueles que frequentavam o círculo de Jeffrey Epstein. E não é coincidência que um deles, que Epstein chamava de seu "melhor" amigo, seja hoje presidente dos Estados Unidos. Esses líderes políticos são a única mais grave ameaça à humanidade, escreveu o antropólogo Jason Hickel, e todos nós somos forçados a viver no pesadelo que eles criaram.
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