Parolin sobre o Irã: "Guerras preventivas correm o risco de incendiar o mundo"

Foto: sina drakhshani | Unsplash

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05 Março 2026

O Secretário de Estado da Santa Sé declarou à mídia do Vaticano: "O surgimento de um multipolarismo caracterizado pela primazia do poder é perigoso". E 600 mil freiras estão se mobilizando: oração internacional na sexta-feira.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por La Repubblica, 04-03-2026.

A Santa Sé critica abertamente a intervenção militar dos Estados Unidos e de Israel no Irã. "Se os Estados fossem reconhecidos como tendo o direito à 'guerra preventiva', segundo seus próprios critérios e sem um arcabouço jurídico supranacional, o mundo inteiro correria o risco de ser incendiado", declarou o Cardeal Pietro Parolin. "Este colapso do direito internacional é verdadeiramente preocupante: a justiça foi substituída pela força, a força da lei foi substituída pela lei da força, com a crença de que a paz só pode nascer depois que o inimigo for aniquilado."

Linhas divergentes

A entrevista do Secretário de Estado do Vaticano ao L' Osservatore Romano e ao Vatican News tem ares de documento oficial, sinal de que a intervenção foi cuidadosamente ponderada e acordada com Leão XIV. O Papa, nascido em Chicago, já havia traçado um rumo — divergente do da Casa Branca — quando, no Ângelus de domingo, sem proferir anátemas, falou de uma "tragédia de enormes proporções" e do risco de um "abismo irreparável". Na noite de terça-feira, ao sair da Villa Barberini, em Castel Gandolfo, ele voltou a apelar à comunidade internacional para que "busque soluções sem armas".

Cristãos frágeis

Agora cabe ao Cardeal Secretário de Estado articular a posição do Vaticano. Essa posição, contudo, não se alinha inteiramente com a da Itália. Do outro lado do Tibre, a preocupação supera em muito o alarme, sobretudo devido às repercussões que a guerra terá sobre "as já frágeis comunidades cristãs". Parolin, que ontem também telefonou para o Presidente Joseph Aoun para assegurar-lhe "o apoio da Santa Sé ao Líbano", tem uma justificativa mais ampla: a linguagem agressiva não é um fim em si mesma, mas sim uma tentativa de reabrir o caminho da diplomacia e evitar o sepultamento do multilateralismo personificado pelas Nações Unidas e pela União Europeia — a mesma razão por trás da recusa em aderir à missão de paz de Donald Trump. "Sem nostalgia do passado", disse Parolin ao diretor editorial do Vaticano, Andrea Tornielli, "é necessário combater qualquer deslegitimação das instituições internacionais e promover a consolidação de normas supranacionais que ajudem os Estados a resolver disputas pacificamente, por meio da diplomacia e da política."

“Danos colaterais”

Antecipando-se à objeção de parcialidade, o cardeal veneziano esclarece que "certamente" as manifestações de rua massivas das últimas semanas, que foram esmagadas em sangue, não podem ser esquecidas, mas "pode-se questionar se realmente se acredita que a solução pode ser alcançada através do lançamento de mísseis e bombas". De fato, ele critica — uma referência a Gaza? — o fato de a comunidade internacional às vezes dar "a impressão de que há violações da lei que devem ser punidas e outras que devem ser toleradas, baixas civis que devem ser deploradas e outras que devem ser consideradas 'danos colaterais'". "Espero que o confronto armado cesse em breve e que possamos retornar às negociações", diz o Secretário de Estado do Vaticano. "O significado das negociações não deve ser subestimado: é essencial permitir o tempo necessário para que elas alcancem resultados concretos, trabalhando com paciência e determinação."

As freiras estão se mobilizando

O Cardeal Matteo Zuppi, falando à mídia do Vaticano, ecoou os apelos do Papa: "Primeiro", explica o presidente da Conferência Episcopal Italiana, "ele disse 'basta', e então a diplomacia deve ser usada. A diplomacia existe, mas se for vista como uma perda de tempo ou um beco sem saída, então outras ferramentas são utilizadas." Enquanto isso, as freiras também estão se mobilizando. A União Internacional das Superioras Gerais (UISG), que reúne 600 mil freiras em todo o mundo, convocou "um momento internacional de oração" para sexta-feira, 6 de março, às 15h30: "Como religiosas consagradas, presentes nos contextos mais frágeis da sociedade e próximas daqueles que sofrem", declarou a Irmã Roxanne Schares, "não podemos permanecer em silêncio diante de uma espiral de destruição que mina a dignidade humana e coloca em risco o futuro das novas gerações."

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