Romanelli, um ano após o bombardeio da paróquia de Gaza: "Isso comoveu o mundo inteiro"

Gabriel Romanelli (Foto: Religión Digital | Reprodução)

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21 Julho 2026

O pároco da Sagrada Família recorda o ataque que custou a vida de três pessoas em 17 de julho de 2025, enquanto na Faixa de Gaza a emergência humanitária continua: edifícios e estradas permanecem destruídos e os deslocamentos internos são extremamente difíceis.

A reportagem é de Beatriz Guarrera, publicada por Religión Digital, 21-07-2026.

Drones alvejaram um veículo em uma área a oeste de Khan Younis, ataques atingiram tendas de deslocados nas praias da Cidade de Gaza e tiroteios ocorreram nos bairros de Zeitoun e Tuffah, também na Cidade de Gaza. Apesar do cessar-fogo ainda estar em vigor, essas operações militares israelenses na Faixa de Gaza resultaram na morte de cinco pessoas somente na quinta-feira, 16 de julho.

Portanto, nem os combates nem a emergência humanitária em Gaza cessaram, conforme relatado pelo Padre Gabriel Romanelli, pároco da Igreja da Sagrada Família na Cidade de Gaza. O dia 17 de julho de 2025 marcou o primeiro aniversário do ataque do exército israelense à paróquia latina, "um evento que comoveu profundamente a Igreja e o mundo inteiro", observou o Padre Romanelli.

Por meio das redes sociais, o padre quis relembrar as palavras proferidas durante o Angelus de 20 de julho de 2025, quando o Papa Leão XIV, três dias após o ataque, expressou sua profunda tristeza pelo ocorrido, lembrou os nomes das vítimas e fez um apelo urgente pela paz e pelo respeito ao direito humanitário.

Uma oração pelos mortos, pelos feridos e pela paz

O ataque matou o porteiro da paróquia, Saad Issa Kostandi Salameh, de 60 anos, e duas mulheres: Foumia Issa Latif Ayyad, de 84 anos, que estava em uma loja da Caritas montada como centro de apoio psicológico para a população, e Najwa Abu Dawud, que morreu horas depois devido aos ferimentos.

O próprio padre Gabriel Romanelli ficou levemente ferido na perna e foi levado ao hospital para tratamento. Enquanto isso, o ataque semeou o terror entre todos os refugiados dentro do complexo paroquial. As condições de vida permanecem especialmente difíceis, já que os moradores são forçados a viver em um território reduzido a um monte de escombros. Além disso, segundo o The Guardian, a intervenção internacional ainda está longe de se concretizar: o chamado Conselho da Paz, promovido por Trump, teria abandonado um plano abrangente para a reconstrução de Gaza em favor de um pequeno projeto piloto.

Ao mesmo tempo, as temperaturas de verão estão agravando ainda mais a já precária situação de quase um milhão de pessoas deslocadas que vivem em tendas e abrigos improvisados, de acordo com dados do Conselho Norueguês para Refugiados (NRC).

Padre Romanelli, ferido no atentado de 2025 (Foto: Redes Sociais | Reprodução)

Estradas devastadas

O próprio padre Romanelli, em um depoimento compartilhado nas redes sociais, falou sobre estradas devastadas pela guerra, meios de transporte cada vez mais escassos e combustível com preço proibitivo. Assim, até mesmo as viagens mais curtas dentro da Faixa de Gaza se tornaram uma tarefa difícil.

O padre enfrenta desafios diários para levar as crianças da região à paróquia e permitir que elas participem das atividades da escola de verão no Oratório de São José, organizadas por padres, freiras e leigos. "As estradas em Gaza estão destruídas", diz ele, e algumas são transitáveis ​​apenas por alguns metros. O asfalto já estava deteriorado há muito tempo, "mas hoje simplesmente desapareceu. Há buracos, veículos destruídos, entulho, metal retorcido e vidro quebrado."

A tudo isso se soma o custo extremamente alto do combustível: "Um litro de diesel custa, por exemplo, cerca de US$ 13,50. Já a gasolina custa aproximadamente o dobro: US$ 27 por litro", acrescenta o padre.

Diante dessa situação, a paróquia decidiu fornecer apoio financeiro a alguns dos poucos ônibus e micro-ônibus que ainda operam na região, para que "possam buscar crianças, jovens e famílias".

A escola do Patriarcado reabrirá em setembro

"Oitenta por cento da infraestrutura permanece destruída: isso inclui não apenas edifícios, mas também redes de água e eletricidade. Muitas escolas e universidades já não existem." Esta declaração foi feita por Monsenhor William Shomali, Vigário Geral e Vigário Patriarcal Latino para Jerusalém e Palestina, que, em conversa com a mídia do Vaticano, enfatizou as dificuldades enfrentadas pelos habitantes de Gaza.

Em relação ao abastecimento, houve uma ligeira melhoria na disponibilidade de alimentos, que agora são importados de Israel e posteriormente vendidos na Faixa de Gaza. "O patriarca Pierbattista Pizzaballa, que visitou a região em junho, observou que os mercados estavam mais bem abastecidos do que durante sua visita anterior, pouco antes do Natal", explicou Shomali.

Entretanto, o Patriarcado Latino de Jerusalém espera reabrir a escola paroquial da Sagrada Família em setembro próximo, que poderá acolher cerca de mil crianças . "Dessa forma", conclui Shomali, "as crianças pelo menos não ficarão nas ruas. É importante que elas retornem aos estudos para tentar, gradualmente, voltar à normalidade e ajudá-las a superar o trauma da guerra." 

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