Em Gaza, cessar-fogo não passa de ilusão

Explosão em Gaza. (Foto: Mohammed Ibrahim/Unplash)

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30 Junho 2026

Até 1,1 milhão de crianças em Gaza estão em risco de contrair doenças num contexto em que o acesso à água potável é uma incerteza diária. No Líbano, estima o Fundo da ONU para a Infância (Unicef), mais de 770 mil crianças sofrem de estresse psicológico por causa da exposição repetida à violência, perda de entes queridos e deslocamentos forçados. São traumas que deixam marcas para a vida toda.

A informação é de Edelberto Behs, jornalista.

Trégua e cessar-fogo, no xadrez da política internacional, não passam de meras palavras da diplomacia, desconectadas da realidade prática. O Unicef realça que aquilo que o mundo convencionou chamar de “cessar-fogo” transformou-se, na realidade, em uma “ilusão cruel e mortal” para milhares de civis, especialmente os mais jovens.

James Elder, do Unicef, revelou que 265 crianças palestinas foram mortas nos últimos oito meses, o que dá uma média de uma por dia. Outras 400 foram feridas, muitas com “lesões graves que mudarão suas vidas para sempre”. Com esses números, disse, “o debate não deve ser mais sobre a qualidade do cessar-fogo, mas sobre a credibilidade de chamá-lo por esse nome”.

O porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitário da ONU, Jean Laerke, apontou para o impacto de longo prazo desta dinâmica de guerra. “É infinitamente mais fácil e rápido ferir pessoas e infligir danos do que restaurar os meios de subsistência, devolvê-las às suas casas e alimentá-las. Apenas um ou dois dias deste tipo de guerra traduzem-se em meses, por vezes anos, de operações humanitárias”, disse.

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