A ONU: trágico "recorde" de trabalhadores humanitários mortos em Gaza

Foto: Abed Rahim Khatib/Anadolu Ajansi

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

21 Agosto 2025

Ramallah. Mais oito pessoas, diz o Hamas, foram mortas ontem em meio aos escombros e à poeira de Gaza enquanto tentavam mendigar um pedaço de pão, oito almas sem rosto e sem nome, perdidas na multidão desesperada, presas entre a fome e o risco. Uma capital da morte, não apenas para as multidões devastadas pela guerra, mas também para todos aqueles que tentam garantir a sobrevivência e a dignidade em zonas de crise, como demonstram os dados divulgados pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários no Dia Mundial Humanitário. São 181 os trabalhadores humanitários mortos na Faixa desde 2024: quase metade de todos aqueles que morreram no mundo.

A reportagem é de Luca Foschi, publicada por Avvenire, 20-08-2025. A tradução é de Luisa Rabolini.

E ontem, a Faixa novamente ofereceu sua trágica contribuição de sangue para as estatísticas globais: 40 civis mortos pelos bombardeios israelenses. Enquanto isso, continua o diálogo ambíguo à distância entre as partes envolvidas nas negociações que gostariam de levar a um cessar-fogo. Israel, fortalecido por seu domínio no campo de batalha e pelo apoio inabalável e submisso dos Estados Unidos, anunciou à noite que responderia na sexta-feira ao plano de trégua apresentado pelo Catar e Egito e aceito pelo Hamas na segunda-feira. Poucas horas antes, um assessor próximo do primeiro-ministro israelense Netanyahu havia afirmado que "Israel exige a libertação de todos os 50 reféns mantidos prisioneiros em Gaza". Uma resposta que implicitamente continha uma não-rejeição clara à proposta, visto que a resposta chegará "até sexta-feira".

O Catar enfatizou que o plano espelha quase inteiramente o proposto pelo enviado estadunidense Witkoff, aprovado por Israel. Os serviços de inteligência egípcios confirmaram os detalhes: o cessar-fogo, com duração prevista de 60 dias, viria após a libertação de 10 reféns — dez vivos e 18 mortos. Em troca, seriam libertados 200 presos políticos palestinos e um número não especificado de mulheres e crianças detidas em prisões israelenses. O exército de Tel Aviv, que atualmente controla 75% da Faixa de Gaza, deveria proceder à retirada parcial de suas forças de ocupação.

O último diálogo indireto entre as partes fracassou em julho, em meio a divergências especiosas sobre detalhes, ferozes acusações mútuas, dificuldades políticas internas do governo Netanyahu e a atitude oportunista de espera do Hamas, que estava colhendo em nível diplomático as consequências da terrível carestia desencadeada pelo longo cerco à Faixa de Gaza. Muita coisa mudou em um mês. O tímido despertar da comunidade internacional foi acompanhado pelo plano elaborado pelas forças armadas israelenses de atacar e ocupar a Cidade de Gaza, onde se acredita estar localizado o coração da resistência armada do movimento islamista e os reféns. Uma sentença de morte para estes últimos, segundo suas famílias e inúmeros analistas militares.

Se o destino de mais de dois milhões de habitantes de Gaza está por um fio, o futuro do Estado palestino parece oferecer maior certeza, pelo menos nas palavras do primeiro-ministro israelense. Em carta ao presidente francês Macron, ele enfatizou duramente que “seu apelo por um estado palestino lança gasolina no fogo antissemita, premia o terror do Hamas”. O francês respondeu que não "aceita lições". Ele também dirigiu severas palavras ao primeiro-ministro australiano, culpado, como Macron, de querer reconhecer um Estado palestino durante a próxima Assembleia Geral da ONU, em setembro: "A história se lembrará de Albanese (primeiro-ministro australiano) pelo que ele é: um político fraco que traiu Israel."

Leia mais