Em Jerusalém e na Cisjordânia, uma "festa" de repressão e pobreza

Foto: Anadolu Ajansi

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20 Fevereiro 2026

Ramadã e ocupação. Em Jerusalém, os palestinos recebem mensagens de WhatsApp proibindo-os de entrar no Monte do Templo. Milhares de policiais e soldados são mobilizados ao redor da Cidade Velha e, na Cisjordânia, a Rua Al Wad, no coração do Bairro Islâmico da Cidade Velha de Jerusalém, não está particularmente movimentada nestas primeiras horas do Ramadã.

A informação é de Michele Giorgio, publicada por "il manifesto", 19-02-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Os comerciantes de souvenires abriram suas lojas, mas não há clientes. Eles terão que esperar até a noite, quando as luzes coloridas iluminarão o percurso que milhares de pessoas, após quebrarem o jejum (iftar), farão do Portão de Damasco até Bab Qattanin, passando por barracas de doces e brinquedos. Entre os moradores palestinos, podem ser vistos alguns colonos israelenses saídos da yeshivá aberta por sua organização de extrema-direita, Ataret Cohanim (Coroa dos Sacerdotes). Há mais movimento nas lojas que vendem lanternas de Ramadã (fannous) e exemplares do Alcorão de todos os tamanhos. "Isso não é nada comparado aos anos anteriores", diz-nos um vendedor ambulante. "Mesmo nos primeiros dias do Ramadã, vendíamos muito, havia muita gente, mas agora não mais. Este ano, como no ano passado, os turistas são raros, e poucos fiéis (da Cisjordânia) poderão vir aqui rezar na esplanada da Mesquita de Al-Aqsa. São tempos difíceis."

Ele se refere às restrições anunciadas pelas autoridades israelenses para o Ramadã, que limitarão fortemente o fluxo de palestinos da Cisjordânia. As eleições legislativas se aproximam, e os líderes dos partidos de direita do governo Netanyahu fazem campanha prometendo anexar a Israel grandes extensões do território palestino ocupado e medidas punitivas contra sua população. Este Ramadã testemunha uma escalada na política de acesso limitado ou negado à Esplanada das mesquitas. As ordens de restrição, direcionadas principalmente a homens, mas que também atingem mulheres, se multiplicaram nas últimas semanas. Os afetados recebem uma simples mensagem no WhatsApp e não são mais convocados à delegacia de polícia ou à da inteligência, como acontecia anteriormente. Uma mulher explica que o número de impedidos, algumas dezenas segundo relatos das mídias, é muito menor do que o número real. "Muitos escondem o fato de terem recebido a mensagem dos israelenses pelo WhatsApp para evitar problemas piores", afirma. Depois acrescenta que "se essas proibições antes afetavam apenas os guardas da instituição islâmica Waqf, alguns frequentadores da mesquita, presos políticos libertados e ativistas, agora atingem pessoas comuns que simplesmente vão rezar". Fakhri Abu Diab, do conselho administrativo da Mesquita de Al-Aqsa, confirma que o número de pessoas proibidas de frequentar a mesquita aumentou significativamente.

De acordo com as mídias locais, apenas 10.000 palestinos vindos da Cisjordânia poderão participar das orações de sexta-feira na Esplanada, com rígidas restrições de idade: homens com pelo menos 55 anos poderão entrar (mulheres, 50). As autoridades israelenses alegam que "essa é a única maneira para prevenir distúrbios" e, por esse motivo, mobilizaram um grande contingente de forças da segurança. Milhares de policiais foram destacados para Jerusalém Oriental, principalmente nos portões da Cidade Velha e perto da Esplanada. Unidades militares adicionais também foram mobilizadas em diversas áreas da Cisjordânia. Desde a manhã de domingo, o exército israelense realizou prisões e batidas "preventivas" em vários locais da Cisjordânia, principalmente em Nablus e vilarejos próximos, onde onze moradores foram presos em Qusra, e em Beit Ummar e Al-Fawwar, na região sul de Hebron. O Comando Central do Exército enviou forças especiais para lidar com palestinos classificados como "influentes no campo", em condições, segundo Israel, de incitar protestos contra a ocupação e mobilizar um número significativo de pessoas.

O exército e a polícia estão concentrados em caçar palestinos da Cisjordânia que entraram em Israel sem permissão. Expulsos em massa após 7 de outubro de 2023, alguns dos antigos trabalhadores (115.000) estão tentando retornar às cidades israelenses onde tinham empregos, diante da impossibilidade de encontrar trabalho na Cisjordânia, onde as condições de vida cairam. Entre 2023 e 2025, o PIB da Cisjordânia diminuiu aproximadamente 17%, permanecendo bem abaixo dos níveis anteriores à longa ofensiva militar israelense. A renda per capita caiu mais de 20% em comparação com 2023. O desemprego atingiu 30-38% em 2025, com mais de 360.000 pessoas desempregadas. Sem esquecer que, em 2025, mais de 37.000 palestinos foram deslocados por operações militares israelenses em Jenin, Tulkarem e Faraa. A esse cenário somam-se os ataques de colonos, que aumentaram até cinco por dia em 2025, segundo dados da ONU.

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