2026: o ano em que a Quaresma e o Ramadã começaram na mesma data

Foto: Kamil Szumotalski/Unplash

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19 Fevereiro 2026

Semelhanças e diferenças entre ambas as tradições de jejum, abstinência e oração do mundo cristão e muçulmano, em um ano em que têm início simultaneamente. Nesta quarta-feira, 18 de fevereiro, primeiro dia do Ramadã, e Quarta-feira de Cinzas.

A informação é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 18-02-2025. 

Se 2025 foi o ano em que, por meio do Jubileu, o calendário permitiu que católicos e ortodoxos celebrassem juntos a Páscoa, neste 2026 os calendários fizeram o mesmo com a celebração da Quaresma cristã... e o Ramadã islâmico. Duas tradições milenares de jejum e reflexão espiritual que coincidirão no tempo nesta quarta-feira, 18 de fevereiro, data do início do mês de jejum islâmico e da Quarta-feira de Cinzas, que marca os quarenta dias até a Semana Santa.

As três grandes religiões do Livro (Cristianismo, Judaísmo e Islã) mantêm viva a prática religiosa do silêncio, do jejum e da expiação, que, sem dúvida, é vivida com maior rigor no mundo muçulmano do que no cristão — ao menos no Ocidente — ou no âmbito judaico (com exceção dos ultraortodoxos). Uma boa oportunidade para estabelecer caminhos de diálogo inter-religioso e, também, para aprofundar as semelhanças e diferenças entre ambas as tradições.

Assim, a Quaresma compreende os quarenta dias que antecedem a Páscoa, o período mais importante do calendário cristão. Trata-se de um tempo de preparação, conversão e jejum para dispor os corações à celebração da Ressurreição de Cristo. Embora há muitos anos já não haja jejum obrigatório (nem sequer na Quarta-feira de Cinzas ou nas sextas-feiras da Quaresma, quando se recomenda não comer carne), o caminho até a Páscoa é um tempo de preparação, reflexão e recolhimento. Não por acaso, nesses primeiros dias, os clérigos (inclusive o Papa e a Cúria) costumam retirar-se para exercícios espirituais, evocando os quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de iniciar sua vida pública.

Por sua vez, o Ramadã é o nono mês do calendário lunar muçulmano, e seu cumprimento constitui um dos cinco pilares do Islã. Durante esse período, os fiéis devem abster-se de comer, beber e manter relações sexuais desde o amanhecer até o pôr do sol. Estão isentos dessa obrigação doentes, idosos, crianças, mulheres grávidas e pessoas em viagem.

O que se comemora no Ramadã? Nada menos que a revelação do Alcorão a Maomé. Curiosamente, o mês sagrado do Ramadã já existia na tradição árabe pré-islâmica, de modo semelhante ao que ocorreu no mundo cristão. De fato, tanto a Quaresma quanto o Ramadã compartilham alguns aspectos, desde a ideia de pausa, purificação e mortificação até o direcionamento do olhar ao Criador, com o aumento da oração, do jejum e da abstinência. Ambas também são marcadas pelo calendário lunar. Assim, a Páscoa cristã coincide com a primeira lua cheia após o equinócio da primavera, situando-se entre 22 de março e 25 de abril. Em 2026, estende-se do domingo, 29 de março, ao domingo, 5 de abril. O Ramadã, por sua vez, adianta-se aproximadamente quinze dias a cada ano segundo o calendário lunar islâmico. Do mesmo modo, ambos os períodos concluem-se com uma celebração festiva: os cristãos, com a Ressurreição; os muçulmanos, com a festa do Cordeiro.

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