"Quarta-feira de Cinzas abre o período de 40 dias que relembra os 40 dias de Jesus no deserto, antes de subir para Jerusalém em sua jornada final, de pregação, prisão, tortura, morte e ressurreição - dialética da vida", escreve Chico Alencar, deputado federal - PSOL-RJ.
Quarta-feira de Cinzas é pra gente lembrar que tudo passa, inclusive nossa existência terrena. Como diz Frei Betto, "temos prazo de validade e defeito de fabricação".
Quarta-feira de Cinzas abre o período de 40 dias que relembra os 40 dias de Jesus no deserto, antes de subir para Jerusalém em sua jornada final, de pregação, prisão, tortura, morte e ressurreição - dialética da vida.
Nesse tempo, algumas igrejas cristãs históricas, como a Católica, estimulam seus fiéis a reforçar posturas que fazem bem a todo ser humano: reflexão sobre o sentido da vida, moderação no comer e beber, oração (mais comunicação com o Mistério Divino que nos habita) e aprofundamento da relação com o outro, com a sociedade em que vivemos.
No Brasil, a Igreja Católica lidera, nessa época, desde 1963, a Campanha da Fraternidade, sempre com uma temática social importante.
O tema de 2026 é "Fraternidade e Moradia". E o lema, inspirado no Evangelho, é "Ele veio morar entre nós" (João 1, 14). Como afirma a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na apresentação de seu Texto-Base da Campanha, "moradia digna é um direito humano fundamental. Porém, ela só nos mobiliza verdadeiramente quando reconhecemos no outro um irmão, uma irmã. A pergunta por um teto nasce da fraternidade. É este o laço que a Campanha quer fortalecer: o da solidariedade concreta, que nos torna próximos daqueles que vivem à margem, sem casa, sem terra, sem cidade".
Moradia digna para todos pressupõe políticas públicas que se contraponham à especulação imobiliária e à desigualdade social. E exige uma atitude sensível e generosa por parte de todos os que têm um lar, abrigo indispensável para cumprir a tarefa de existir. Ser é ser-com-os-outros.
Empenhemo-nos!