A transição religiosa fluminense ocorre de maneira mais rápida entre as mulheres jovens. Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Foto: Israel Torres | Pexels

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11 Outubro 2025

"Os dados desagregados por sexo e idade confirmam que os tetos e os pisos da transição religiosa são bastante diferenciados, sendo que no estado do Rio de Janeiro as mulheres evangélicas já superam as católicas nos grupos etários abaixo de 40 anos, embora as católicas continuem com maioria absoluta nos grupos acima de 70 anos"

O artigo é de José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia, publicado por EcoDebate, 08-10-2025. 

Eis o artigo. 

O estado do Rio de Janeiro sempre esteve à frente das mudanças ocorridas no campo religioso, sendo a Unidade da Federação com maior pluralidade religiosa.

No artigo “A transição religiosa brasileira e o processo de difusão das filiações evangélicas no Rio de Janeiro”, publicado na revista Horizonte (Alves et al. 2014), mostramos que o estado do Rio de Janeiro e a Região Metropolitana do Rio de Janeiro estavam na vanguarda da transição religiosa brasileira.

Mas os dados do censo demográfico de 2022 mostraram que o território fluminense perdeu parte do seu protagonismo. Nos estados do Acre e de Rondônia, os evangélicos já ultrapassaram os católicos, com aumento da pluralidade religiosa. Houve uma desaceleração da transição religiosa no região Sudeste e a continuidade da aceleração da transição religiosa na região Norte.

O estado do Rio de Janeiro, em 2022, apresentou um percentual de 38,9% de católicos, 32% de evangélicos, 16,9% de sem religião e 12,2% de outras religiões. Mas entre as mulheres os percentuais foram: 38,8% de católicas, 33,8% de evangélicas, 14,3% de sem religião e 13,1% de outras religiões. Portanto, entre o sexo feminino há uma maior proporção de evangélicas e outras religiões e uma menor proporção daquelas que se declaram sem religião.

O gráfico abaixo, mostra o percentual de católicos, evangélicos, sem religião e outras religiões entre as mulheres do estado do Rio de janeiro em 2022. Nota-se que a proporção de mulheres evangélicas já ultrapassou a proporção de mulheres católicas nos grupos etários de 10 a 39 anos. Houve praticamente um empate no grupo 40-49 anos e as católicas superam as evangélicas nos grupos 50 anos e mais.

As mulheres fluminenses que se declaram sem religião estavam em torno de 20% para os grupos etários de 10 a 39 anos, superando o percentual de outras religiões. Mas nos grupos etários acima de 40 anos há uma queda rápida do percentual dos sem religião e um aumento do percentual de outras religiões. Isto significa, que o processo de sucessão de gerações deve impulsionar a transição religiosa com aumento da pluralidade.

No artigo “A transição religiosa no Brasil: 1872-2049”, publicado aqui no Portal Ecodebate (Alves, 09/06/2025) mostrei uma projeção da transição religiosa no Brasil antes do censo demográfico 2022 e uma outra já incorporando os novos dados censitários.

Já no artigo “A transição religiosa no Brasil é heterogênea com vários pisos e diversos tetos”, também publicado no Portal Ecodebate (Alves, 21/07/2025) analiso as informações do censo demográfico 2022, indicando que os dados divulgados não possibilitam uma análise definitiva sobre a transição religiosa no Brasil. Novas pesquisas serão necessárias para se traçar um quadro mais amplo do cenário atual e das perspectivas futuras. O debate está aberto e é preciso mais tempo para se analisar todos os aspectos da transição religiosa no maior país católico do mundo. O artigo conclui:

“Mas a constatação mais relevante, independente se haverá ou não mudança de hegemonia entre os dois grupos cristãos, é que o Brasil está ficando mais plural e diverso em termos religiosos e deve ampliar esta pluralidade nas próximas décadas”.

Os dados desagregados por sexo e idade confirmam que os tetos e os pisos da transição religiosa são bastante diferenciados, sendo que no estado do Rio de Janeiro as mulheres evangélicas já superam as católicas nos grupos etários abaixo de 40 anos, embora as católicas continuem com maioria absoluta nos grupos acima de 70 anos. O percentual das pessoas autodeclaradas sem religião também é elevado nos grupos mais jovens.

Referências

ALVES, JED, CAVENGHI, S. BARROS, LFW. A transição religiosa brasileira e o processo de difusão das filiações evangélicas no Rio de Janeiro, Revista Horizonte – Dossiê: Religião e Demografia, PUC Minas, Belo Horizonte, v. 12, n. 36, out./dez. 2014, pp. 1055-1085 DOI–10.5752/P.2175-5841.2014v12n36p1055

ALVES, JED. A transição religiosa no Brasil: 1872-2049, Ecodebate, 9 jun. 2025.

ALVES, JED. A transição religiosa no Brasil é heterogênea com vários pisos e diversos tetos, Ecodebate, 21 jul. 2025 .

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