Reforma tributária para corrigir desigualdades. Artigo de Eduardo Nunes

Joseph Stiglitz (Foto: Divulgação | Fundação Padre Anchieta)

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

24 Outubro 2023

"Eduardo Braga disse ontem que deve entregar a proposta até 1º de novembro na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). E que os pleitos de energia e água e esgoto estão sendo avaliados", escreve Eduardo Nunes, antropólogo, em artigo publicado por Alter Conteúdo, 20-10-2023.

Eis o artigo.

O sistema tributário de um país desempenha papel crucial na promoção ou no desestímulo à produção e ao consumo de bens e serviços. A forma como se tributa cidadãos e empresas tem implicações profundas, podendo tanto acelerar o desenvolvimento econômico e social como impactar o meio ambiente. No contexto brasileiro, temos agora a oportunidade ímpar de revisitar e reformular esse sistema, que hoje reflete a desigualdade que é uma mancha da nossa história. Esta é uma conjuntura crítica, e o Brasil deve aproveitá-la sabiamente.

Em primeiro lugar, é essencial reconhecer que a política fiscal influencia o ambiente de negócios e a capacidade de investimento de um país, além de moldar as estratégias de desenvolvimento econômico e social. Uma política tributária mais equitativa e justa pode criar um ambiente mais favorável para os empreendedores, estimular o investimento e fomentar o crescimento.

Em entrevista ao programa Roda Viva, na segunda-feira (16/10), o economista Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel de Economia, ressaltou a importância de tributar os mais ricos de forma proporcional, garantindo que todos contribuam para o bem-estar da nação. “Não estamos dizendo para cobrar mais impostos dos ricos, mas apenas restabelecer a justiça, cobrar ao menos a mesma porcentagem”, disse o professor da Universidade Columbia, reforçando a mensagem que reformas fiscais podem corrigir desigualdades.

Além disso, Stiglitz vê na regulamentação do processo de transição energética uma direção certa para fomentar as fontes de energia limpa e penalizar atividades que impactam negativamente o meio ambiente. Ontem (19/10), o relator da reforma tributária no Senado, senador Eduardo Braga (MDB-AM), sinalizou que o setor de energia poderá ficar fora do imposto seletivo na reforma tributária. A justificativa é que 92% da matriz elétrica brasileira é limpa.

Em outra frente, o setor de saneamento também se movimenta para ajustar a atual redação, que pode gerar impactos para as empresas e, claro, para a população. Estudo da ABCON SINDCON, associação que representa concessionárias privadas de água e esgoto, mostra que a atual proposta de reforma tributária pode gerar um aumento de 18% na conta de água.

Eduardo Braga disse ontem que deve entregar a proposta até 1º de novembro na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). E que os pleitos de energia e água e esgoto estão sendo avaliados.

É imperativo que o Brasil reavalie suas políticas fiscais para garantir um equilíbrio entre desenvolvimento econômico e sustentabilidade ambiental. Divulgado esta semana, o estudo ‘O custo da soja para o Brasil: renúncias fiscais, subsídios e isenções da cadeia produtiva’ mostrou que, somente em 2022, a cadeia produtiva da soja recebeu cerca de R$ 56,8 bilhões em incentivos fiscais do governo federal – quase o dobro do total concedido aos produtos da cesta básica. São dados que levantam questões sobre a justiça fiscal e a necessidade de os setores mais ricos e privilegiados assumirem uma parcela justa de tributação.

O trabalho defende que o setor do agronegócio, incluindo a soja, deve assumir uma responsabilidade maior no financiamento do Estado, à medida que a agricultura é hoje uma das principais impulsionadoras da economia brasileira. Essa renda pode ser direcionada para investimentos em práticas agrícolas sustentáveis e medidas de combate às mudanças climáticas.

Este momento crucial exige uma abordagem equilibrada e ponderada. O Brasil tem a oportunidade de desenvolver um sistema tributário que estimule o crescimento econômico e, ao mesmo tempo, promova práticas sustentáveis para proteger o meio ambiente. Uma reforma tributária bem planejada e implementada pode ser o catalisador de um futuro mais justo e sustentável, onde o desenvolvimento econômico ande de mãos dadas com a preservação do nosso planeta.

Leia mais