Síria. Os “caminhos abertos” de padre Jacques Mourad, arcebispo de Homs

Jacques Mourad. (Foto: Vatican Media)

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

09 Março 2023

"Depois da ordenação presidida pelo patriarca sírio-católico Ignace Youssif III Younan, o novo bispo Jacques, que se tornou ordinário da arquieparquia que antigamente levava o nome de Haemesa, celebrou sua primeira missa como bispo no domingo, 5 de março, sempre na Catedral sírio católica de Homs, consagrada ao Espírito Santo. 'Por favor', disse o novo Bispo, reconhecendo as suas limitações, 'peço que me ajudem com franqueza e partilha, cada um como puder, a levar a nossa Eparquia a atingir a medida da plenitude de Cristo'", escreve Padre Jihad Youssef, monge da Comunidade de Deir Mar Musa, em artigo publicado por Agência Fides, 07-03-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

São dias singulares, para os cristãos da Síria e também para nós da comunidade monástica de Deir Mar Musa. O nosso irmão, o monge Jacques Mourad, nascido em Aleppo, acaba de ser ordenado arcebispo sírio católico da Arquieparquia de Homs, à qual estão ligados os títulos de Hama e Nabk.

Em seu discurso durante a liturgia de consagração, celebrada na sexta-feira, 3 de março, na catedral sírio católica de Homs, e depois em sua primeira homilia como arcebispo, Jacques Mourad traçou, por assim dizer, uma espécie de "roteiro" para a Arquidiocese e eu diria para a Igreja na Síria, com sinalizações e referências que vale a pena rever.

No final da sua ordenação episcopal, e depois de agradecer às autoridades eclesiais e civis presentes, o novo Arcebispo Mōr Youlian Yagop (Jacques) Mourad iniciou o seu discurso saudando homens e mulheres "crentes, povo do Deus vivo, cristãos e muçulmanos". Em seguida, recordou "com muita gratidão e reconhecimento aquele que preparou o caminho e foi para mim pai e guia, o monge jesuíta Paolo Dall'Oglio, testemunha e mártir na Igreja, que seguiu Cristo até o fim, oferecendo a si mesmo seguindo o exemplo de seu Mestre Jesus. Padre Paolo - continuou o novo Bispo - fundou uma comunidade grande em seu testemunho, embora pequena em número, que vive na Igreja do Mosteiro de Deir Mar Musa no deserto". Em seguida, agradeceu à sua e à nossa comunidade monástica “pelo sacrifício de um dos seus membros pelo mais nobre dos fins, isto é, o serviço ao povo de Deus”.

O bispo Jacques dirigiu-se então ao Conselho Ecumênico dos Bispos de Homs. “Sou o menor entre vocês”, disse-lhes, “e estou pronto para compartilhar com vocês tudo o que é para o bem das almas, a consolação do povo e a glória de Deus”. O novo Bispo apresentou-se “primeiro como o pai espiritual de cada um de vocês, e isto significa que estou presente, disponível e próximo. A porta do bispado estará sempre aberta para quem ama a Deus”.

Depois da ordenação presidida pelo patriarca sírio-católico Ignace Youssif III Younan, o novo bispo Jacques, que se tornou ordinário da arquieparquia que antigamente levava o nome de Haemesa, celebrou sua primeira missa como bispo no domingo, 5 de março, sempre na Catedral sírio católica de Homs, consagrada ao Espírito Santo. “Por favor”, disse o novo Bispo, reconhecendo as suas limitações, “peço que me ajudem com franqueza e partilha, cada um como puder, a levar a nossa Eparquia a atingir a medida da plenitude de Cristo”. Depois de citar o Papa Francisco, o padre Jacques – como prefere ser chamado – confirmou a comunhão com as demais dioceses católicas e a abertura às Igrejas irmãs, ortodoxas e protestantes, na unidade da família eclesial em Cristo. “Sinto que a economia divina que conduz a Igreja, a guia e a consola – continuou o novo Bispo – fez com que a própria Igreja me escolhesse de uma comunidade monástica à qual Deus confiou um carisma particular de abertura e de harmonia com os muçulmanos. Uma comunidade que reconheceu e seguiu o desígnio de Deus, que deseja que a nossa Igreja Siríaca seja filha desta terra, terra que também acolheu o Islã e na qual caminharam e viveram juntos até agora, na alegria e na dificuldade”.

Finalmente, depois de tantas resistências e incompreensões sobre a vocação da nossa comunidade monástica, o carisma particular do padre Paolo Dall'Oglio é acolhido, reconhecido e proclamado como um dom precioso na Igreja oriental siríaca.

Padre Jacques, em sua primeira homilia episcopal, também sublinhou que a missão do Bispo é ser profeta, testemunha e servidor da esperança cristã, especialmente neste tempo de emergência. Ele declarou que quer ser o bispo daqueles que estão longe e dos que estão à margem, alimentando "a esperança em Jesus, o bom pastor que busca a ovelha perdida", em colaboração com os sacerdotes e por meio deles.

O novo Bispo abordou várias vezes passagens significativas do Concílio Vaticano II e do magistério do Papa Francisco, anunciando a sua intenção de colaborar com todos, sacerdotes e leigos da diocese, também através dos conselhos paroquiais e de um conselho diocesano. Em seguida, destacou que entre suas prioridades pastorais estará o cuidado dos jovens, das mulheres e da catequese.

Para anunciar o Evangelho, o novo Bispo disse estar disposto "à escuta de cada carisma dado às pessoas". Quanto às vocações ao sacerdócio e à vida consagrada, o Arcebispo recordou a urgência de "trabalhar juntos para melhorar a formação de leigos e sacerdotes em geral, para que os leigos possam reconhecer e assumir seu papel na edificação da Igreja e também contribuir para o crescimento de seminaristas dignos e idôneos para se tornarem sacerdotes que amam a Deus e aos homens”.

O Arcebispo, Padre Jacques, concluiu a sua homilia da mesma forma que a havia iniciado, pedindo ajuda: "Vocês sabem que a responsabilidade colocada sobre meus ombros não é fácil de carregar, pois sou um servo fraco, e eu não seria capaz de carregá-la sozinho. Acima de tudo, confio-me à graça de Deus que guia e cuida da Igreja de Cristo, aos meus irmãos sacerdotes e companheiros de estrada, às vossas orações e ao vosso apoio, cada um segundo os seus carismas e talentos”. As últimas palavras de sua homilia foram uma citação do Papa Francisco: "Um bispo não trabalha para si mesmo, mas para o seu rebanho e para o bem comum".

Leia mais