“Papa Francisco está buscando meios de acabar com a guerra na Ucrânia”. Entrevista com Pietro Parolin

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19 Março 2022

 

Para o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado na Santa Sé, o início da invasão russa da Ucrânia, no último 24 de fevereiro, foi uma surpresa. “Temia que a situação pudesse agravar, porém eu não esperava que chegasse as atuais proporções”, reconhece. Nesta entrevista, o “braço direito” do Papa Francisco destaca os “evidentes esforços” do pontífice a nível diplomático e espiritual para tratar de acabar com este conflito e recorda que a Santa Sé “sempre está disposta a oferecer seus bons ofícios para contribuir ao reestabelecimento da paz e à reconciliação entre os dois países”.

 

Uma mediação entre Moscou e Kiev, entretanto, parece hoje complicada, porque, para ocorrer, ambas as partes devem demonstrar “uma intenção clara de querer resolver suas diferenças”. Francisco, em qualquer caso, “está buscando continuamente maneiras que possam superar a dramática situação atual”, assegura Parolin, que aprova com tristeza a entrega de armamento à Ucrânia invocando “o direito à defesa da própria vida, do próprio povo e da própria pátria”. Isso não impede que seja sempre “prioritária” a busca de “uma saída dialogada, que silencie as armas e que evite uma escalada nuclear”.

 

Ao ser perguntado pela suposta sensação de perigo que sente a Rússia pela expansão da OTAN e da UE no Leste Europeu, o secretário de Estado vaticano cita a liberdade de cada país para tomar, “em plena autonomia suas próprias decisões em matéria de política externa”, ainda que recordando a importância de considerar também as relações com outros Estados. “O principal problema, na minha opinião, não é tanto a ampliação ou não da OTAN e da UE, mas a contraposição existente com outros países”.

 

A entrevista é de Darío Menor, publicada por Vida Nueva Digital, 18-03-2022. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

 

Eis a entrevista.

 

Como você viveu o início da guerra? Temia que se pudesse chegar a esta situação?

 

Eu vivi o início da guerra na Ucrânia com alguma surpresa e, ao mesmo tempo, com profunda tristeza. Ele estava ciente das reivindicações da Federação Russa em relação à segurança da região, mas esperava que eles respeitassem as promessas, repetidas várias vezes, mesmo dos mais altos níveis, de que não invadiriam a Ucrânia. Ele também esperava que os intensos contatos diplomáticos que vários líderes ocidentais haviam mantido até aquele momento com o Kremlin pudessem produzir um resultado positivo.

Da mesma forma, eu confiava nas declarações do lado russo de que não pretendia agir contrariamente às disposições dos Acordos de Minsk. Sucessivamente, eu pensava que o envio de tropas russas seria limitado aos territórios controlados pelos separatistas no Donbass, e não se expandiria. Concluindo, sim, eu estava com medo que a situação pudesse piorar, mas não esperava que atingisse as proporções atuais. A esperança e o desejo de que o que estamos vivendo hoje não aconteça foi decididamente maior do que qualquer outro medo.


Qual é o papel que a Santa Sé está desempenhando neste conflito? Houve oferta de mediação?

 

A Santa Sé tentou intervir, de diversas maneiras e em vários níveis, antes mesmo que a situação degenerasse no cenário dramático atual. O Santo Padre não perdeu a oportunidade de fazer um apelo incansável à paz e não deixa de mostrar a cada momento, com gestos concretos, sua profunda proximidade com o povo ucraniano, tanto pessoalmente quanto por meio do núncio apostólico em Kiev, dom Giovanni d'Aniello, e dos bispos católicos da Igreja local. Os esforços do Papa são evidentes, tanto diplomática quanto espiritualmente.

Os representantes pontifícios fizeram eco a esta exortação, tanto em nível bilateral como multilateral. Isso sem falar nas inúmeras iniciativas de ajuda humanitária em prol do acolhimento de refugiados. Quanto a uma possível mediação, gostaria de recordar que a Santa Sé esteve sempre disposta a oferecer os seus bons ofícios para contribuir para o restabelecimento da paz e a reconciliação entre os dois países. Mas é claro que qualquer mediação só pode ocorrer se ambas as partes demonstrarem uma clara intenção de querer resolver suas diferenças, não por meio de conflito, mas por meio de diálogo sincero.

 

Como se desenvolveu a conversa entre o Papa Francisco e o embaixador russo junto à Santa Sé? Você acha que um telefonema do pontífice para o presidente Putin poderia ajudar?

 

A visita do Santo Padre à Embaixada da Rússia foi um gesto forte e muito significativo. O Papa quis mostrar pessoalmente, através desta iniciativa inédita, sua profunda preocupação com o que está acontecendo na Ucrânia. Temos certeza de que o que ele disse ao embaixador foi imediatamente encaminhado ao presidente Putin, na esperança de que o apelo do Papa ao fim do conflito armado e a favor do diálogo não caia em um saco furado, mas produza resultados concretos em favor do restabelecimento da paz. Posso lhes assegurar que o Santo Padre está continuamente procurando maneiras de superar a atual situação dramática.

 

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