O que (não) pode fazer a Igreja por Hong Kong. Fala Cervellera, diretor da Asia News

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19 Mai 2021

 

Sem escola não há mais Igreja. É por isso que o Papa Francisco escolheu um bispo-professor para Hong Kong, o jesuíta Stephen Chow. Padre Bernardo Cervellera, diretor da Asia News, fala sobre a resistência católica e democrática. Mas o acordo entre a China e a Santa Sé "já está morto".

A verdadeira trincheira para a defesa da liberdade religiosa e da liberdade de pensamento em Hong Kong é constituída por bancos de aula, cátedras, quadros negros. Sem uma escola livre não existe, não existirá mais uma livre Igreja. É também por isso que o Vaticano escolheu um bispo com uma longa formação acadêmica para a missão mais delicada. Sobre os ombros de Stephen Chow, um jesuíta de 61 anos, em Hong Kong desde 2019, existe agora uma enorme responsabilidade, explica ao Formiche padre Bernardo Cervellera, diretor da Asia News.

A entrevista é de Francesco Bechis, publicada por Formiche, 18-05-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis a entrevista.

 

Cervellera, quem é Stephen Chow?

Os coirmãos jesuítas em Hong Kong o descrevem como um homem capaz, culto, com três importantes diplomas, trabalhou por muito tempo no mundo da educação. Um elemento que provavelmente pesou na escolha do Vaticano.

Por quê?

A Igreja Católica em Hong Kong é uma potência educacional. Tem trezentas escolas que educam, fazem catequese, hospedam missas. Escolas paritárias, reconhecidas pelo governo em virtude de um acordo que remonta à época do governo britânico.

O acordo vai se manter?

Teme-se que as autoridades retirem o apoio e tentem controlar mais o sistema educacional. Entre 2019 e 2020, várias pessoas, inclusive dentro do governo, atribuíram os movimentos de protesto democrático à educação católica.

O que acontecerá se as escolas ficarem sob controle do governo?

Sem escola, a atividade pastoral em Hong Kong perde todo o apoio. Muitas paróquias estão duplamente ligadas às escolas. Elas usam ginásios e salas de aula para a educação religiosa e o catecismo. Enquanto durou o princípio “Um país, dois sistemas”, a educação permaneceu livre. Agora aquele sistema corre o risco de entrar em colapso.

Um jesuíta retorna a Hong Kong. Uma arma a mais para falar com Pequim?

Os Jesuítas têm uma grande experiência educacional no campo, eles dirigem dois internatos em Hong Kong e Wah Yan, o próprio Chow foi seu supervisor. A Companhia reestruturou recentemente a província jesuíta em uma única e grande província que inclui Taiwan, Hong Kong, Macau e a China Popular. Manteve os contatos com Pequim e ofereceu ajuda durante a pandemia.

A sede era vacante desde 2019. O que explica essa longa ausência?

Devemos perguntar ao Vaticano, que até agora negou uma conversa com Pequim sobre a escolha do sucessor. Acredito que em Roma ficaram diante de um dilema. Escolher um bispo mais próximo do movimento democrático ou ao governo central. Para a primeira figura circulava o nome de Joseph Ha, para a segunda o de Peter Choi. Eles encontraram uma via mediana.

Muitos dos manifestantes detidos nos últimos anos são católicos. A fé pesa na perseguição?

Não sei se eles estão presos também por serem católicos. Eu sei que eles estão presos como ativistas do movimento democrático que a China quer destruir. Mas também é verdade que são democráticos porque são católicos.

O que a Igreja pode fazer?

Não muito, desde que a Lei de Segurança Nacional entrou em vigor. Durante as primeiras manifestações contra a lei de extradição, o cardeal John Tong pediu respeito pela democracia e uma investigação independente sobre a atuação da polícia. Agora há muito mais cautela. Mas a Igreja existe e continua a realizar uma obra fundamental de evangelização e caridade para os pobres de Hong Kong.

O acordo entre a Santa Sé e o governo chinês dará frutos?

Receio que não, aquele entendimento já está morto. Até mesmo algumas personalidades do Vaticano admitem isso em voz baixa. Desde que o acordo foi assinado há dois anos, apenas três bispos foram nomeados. Enquanto isso, a Igreja clandestina continua a ser impiedosamente visada. Bispos em prisão domiciliar, padres expulsos das paróquias, igrejas e conventos destruídos. É uma perseguição sem fim.

 

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