Carlo Petrini: “O Papa? Ele sempre usa a mesma garrafa de plástico, que ele recicla”

Revista ihu on-line

Modernismos. A fratura entre a modernidade artística e social no Brasil

Edição: 551

Leia mais

Metaverso. A experiência humana sob outros horizontes

Edição: 550

Leia mais

Caetano Veloso. Arte, política e poética da diversidade

Edição: 549

Leia mais

Mais Lidos

  • Secretário de Bento XVI chora ao falar sobre a saúde do papa emérito

    LER MAIS
  • Espanha. Tragédia migratória cresce na fronteira: o número de mortos nas fronteiras de Melilla e Marrocos subiu para 37. 35 estão em estado grave

    LER MAIS
  • Brasil no mapa da fome, o desperdício e a economia circular

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


10 Setembro 2020

Em um livro, os diálogos entre o papa Francisco e Carlo Petrini, fundador do Slow Food: “Pequenos gestos por uma ecologia integral”. "A luz da casa do pontífice vem de painéis solares"

A entrevista é publicada por Corriere della Sera, 09-09-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Bergoglio e eu, dois personagens que não poderiam ser mais diferentes. Mas tudo correu bem ... talvez graças às origens piemontesas comuns”. Carlo Petrini, fundador do Slow Food, sorri ao recordar as longas conversas com o Pontífice - uma em 2018, uma em 2019 e uma em março de 2020, em plena pandemia - que deram origem a seu último livro, Terrafutura. Dialoghi con papa Francesco sull’ecologia integrale (Terrafutura. Diálogos com o Papa Francisco sobre ecologia integral, em tradução livre) que chegou às livrarias ontem pela editora Giunti e foi apresentado na sede da Rádio Vaticano. Um livro par fins de caridade (a renda vai para um novo centro das Comunidades Laudato Si', associações de cidadãos nascidas após o terremoto de Amatrice) que, além do confronto direto com o Santo Padre, analisa através de cinco temas - biodiversidade, economia, migrações, educação, comunidade - o mundo de hoje.

Terrafutura
Carlo Petrini

 

Eis a entrevista. 

Definitivamente a ser mudado, segundo os dois interlocutores.

Sim, nos encontramos muito alinhados. Embora eu seja um agnóstico ... Disse-lhe isso imediatamente, e ele respondeu que sou um agnóstico piedoso, porque tenho pena da natureza.

E acrescentou que é uma atitude nobre.

Concordamos que ter essa sensibilidade hoje é a única forma de tentar mudar as coisas. Ele também a tem, escreveu em 2015 uma encíclica muito poderosa, Laudato si', na qual introduz o conceito de "ecologia integral" que dá título a esse livro. O alcance daquele documento, em minha opinião, ainda não foi compreendido. Nem pelo mundo laico, que o considera um texto religioso, nem pelo mundo católico, que o considera ecologista. Não é uma encíclica ecológica, é uma encíclica social.

Porque as duas coisas coincidem.

Claro: o meio ambiente não está desvinculado da sociedade que o habita. Nós também somos ecologia, como diz o Papa. Até entendermos isso, nada se resolverá. Continuaremos a sujeitar a terra, os mares e os ecossistemas a uma degradação tal que corre o risco de se tornar um desastre irreversível.

Como reverter a marcha?

As primeiras coisas que vêm à mente são pequenas, pessoais: não desperdiçar comida, reduzir o uso de plástico e colocar no centro as relações, não no lucro.

Dos seus diálogos, fica claro que o Papa em sua residência usa uma única garrafa de plástico, que ele recicla, e que a luz da casa vem de painéis solares.

A beleza dessas conversas informais é que estimulam: com exemplos pequenos falamos de grandes coisas. É o valor do diálogo: o componente humano.

No livro, Sua Santidade menciona bagna cauda e tajarin. Mas como segundo prato, em sua casa, se comia o assado argentino.

Como gastrônomo falei-lhe de comida e concordamos que é uma ponte, um meio de conhecimento mútuo e que todas as culturas do mundo derivam da hibridação. Porque o mundo nasce das migrações, as mesmas que hoje se querem estigmatizar como se o problema fossem os nossos semelhantes que sofrem e não um sistema que oprime. O Papa diz: sem migração e sem filhos que futuro nos espera?

Vocês formularam, conversando vários ataques: contra o populismo, o egoísmo, o consumismo, a economia selvagem, as finanças “que é papel”

O Papa os chama de vírus da atualidade. Mas é isso mesmo: se morre de capitalismo, basta pensar nas pessoas que morreram no trabalho pela exploração. O populismo assusta os ânimos e fecha as fronteiras. A ideia que vivemos para maximizar nosso bem-estar deve ser mudada: de homo oeconomicus devemos nos tornar homo comunitarius.

Algo em que vocês não concordam?

Ressaltei que a Igreja Católica sempre mortificou o prazer. E o Papa fez um raciocínio extraordinário: disse que não isso, que o prazer humano é aceito. O prazer de comer serve para nos mantermos saudáveis, enquanto o prazer sexual serve para tornar o amor mais belo e garantir a continuação da espécie. Isso me impressionou muito. Afinal, Sua Santidade, como bispo, fazia assistir ao Jantar de Babette, seu filme preferido, aos seminaristas para explicar o conceito de dom. Não me parece pouco.

 

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Carlo Petrini: “O Papa? Ele sempre usa a mesma garrafa de plástico, que ele recicla” - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV