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18 Março 2021

 

“Ao invés de insistir no caráter pecaminoso das uniões em questão, teria sido mais oportuno convidar a um amor possível, casto e frágil ao mesmo tempo, ao qual é garantido, como a todos os batizados e as batizadas, recorrer continuamente ao sacramento da reconciliação, favorecendo uma leitura mais personalista e menos naturalista da questão”, escreve Roberto Oliva, padre italiano da diocese de San Marco Argentano – Scalea (Cosenza), em artigo publicado por Settimana News, 17-03-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo.

 

Carlo Maria Martini considerava mais adequado não dizer muitas palavras sobre o sexto mandamento: "Às vezes teria sido melhor calar", a respeito dos pronunciamentos magisteriais. No seu olhar perspicaz sobre a realidade humana, o cardeal limitava-se a dizer sobre as situações delicadas em matéria sexual e moral: "A dedicação é a chave do amor".

A sua forma positiva e concreta de se confrontar com esses aspectos da vida moral encoraja a comunidade eclesial a repensar a relação com o contexto social atual em que crescem, entre outras coisas, as legislações a favor dos casais homossexuais e um reconhecimento cada vez mais amplo da comunidade LGBTQ.

Essas mudanças envolverão inevitavelmente cada vez mais a comunidade eclesial, que será chamada a avaliar com maior delicadeza e fundamentação a sua intervenção em relação a estas pessoas. O Responsum da Congregação para a Doutrina da Fé, que foi divulgado em 15 de março passado, em sua linguagem e em sua abordagem demonstra ainda um background limitado e equivocado em relação ao acolhimento real de quem vive relações sexuais fora do matrimônio (como afirma o texto da CDF).

Caso seja necessário dissolver o silêncio proposto pelo cardeal Martini, é preciso pelo menos que esse pronunciamento envolva os destinatários - na riqueza das experiências existenciais e afetivas que vivem (talvez há anos) - e, em segundo lugar, que apele ao espírito e à inteligência de quem escreve para deixar-se colocar em discussão antes de responder com um apressado e seco: "negativamente!".

 

Não sem eles

Nesse sentido, na Relatio post disceptationem de 13 de outubro de 2014 os padres afirmavam com palavras muito claras: “As pessoas homossexuais têm dotes e qualidades para oferecer à comunidade cristã: somos capazes de acolher estas pessoas, garantindo-lhes um espaço de fraternidade nas nossas comunidades? Muitas vezes elas desejam encontrar uma Igreja que seja casa acolhedora. As nossas comunidades são capazes de o ser, aceitando e avaliando a sua orientação sexual, sem comprometer a doutrina católica acerca de família e matrimônio? A questão homossexual interpela-nos a uma séria reflexão acerca do modo como elaborar caminhos realistas de crescimento afetivo e de maturidade humana e evangélica, integrando a dimensão sexual: apresenta-se, portanto, como um desafio educativo importante”.

No desenvolvimento magisterial sobre o tema percebemos agora a insuficiência de um apelo, ainda que leal e constante, ao acolhimento pastoral dessas pessoas, se não for indicado como iniciar processos de acompanhamento, discernimento e integração das suas fragilidades.

Definir como ilícita uma bênção destinada a um casal cristão (homossexuais, coabitantes...) significa definir como ilícito o seu amor, correndo o risco de limitar a possibilidade da graça que Deus quer semear mesmo em suas vidas imperfeitas. De fato, o recurso apressado em destacar o que falta nessas relações favorece um pesado sentido de inadequação face à instituição eclesial que pode eventualmente transformar-se em fugas para outros espaços mais vitais e acolhedores.

 

Deus, uma bênção para todos

Ao invés de insistir no caráter pecaminoso das uniões em questão, teria sido mais oportuno convidar a um amor possível, casto e frágil ao mesmo tempo, ao qual é garantido, como a todos os batizados e as batizadas, recorrer continuamente ao sacramento da reconciliação, favorecendo uma leitura mais personalista e menos naturalista da questão.

“Deus abençoa o homem pecador”, conclui o Responsum. Portanto, o abençoa em sua realidade humana feita de fraquezas concretas e não de impulsos ideais.

Ele o abençoa em sua história de pecados cometidos e não imaginados. No entanto, a norma moral inspirada na revelação divina nunca pode se tornar um obstáculo ao que ela significa: o amor de Deus, que não se merece, mas se acolhe e é destinado preferencialmente aos pobres e aos marginalizados.

 

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