Delcy Rodríguez anuncia eleições enquanto agradece a Trump e evita mencionar Maduro e Chávez na ONU

Encontro de Delcy Rodriguez com Donald Trump (Foto: X de Delcy Rodriguez)

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24 Setembro 2026

A presidente interina da Venezuela discursou perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, na qual não condenou o ataque dos EUA ao seu país nem o sequestro do presidente Maduro. Em vez disso, expressou seu rompimento com o chavismo, focando-se na cooperação com Washington e num horizonte eleitoral sem data definida.

A reportagem é de Andrés Gil, publicada por El Diario, 23-09-2026.

O dia 20 de setembro de 2006 entrou para a história das Nações Unidas. Naquele dia, exatamente 20 anos atrás, o então presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse: “Ontem o diabo esteve aqui neste mesmo lugar. Ainda cheira a enxofre. Ontem o presidente dos Estados Unidos, a quem chamo de diabo, veio aqui falar como se fosse dono do mundo. Um psiquiatra não estaria fora de lugar para analisar o discurso de ontem do presidente dos Estados Unidos.”

Exatamente 20 anos depois, a mulher que foi uma das confidentes mais próximas de Nicolás Maduro por mais de uma década e membro dos governos de Chávez, fez seu primeiro discurso como presidente do país após o sequestro de Maduro em 3 de janeiro por soldados americanos durante um ataque que matou cem pessoas, incluindo 37 soldados cubanos.

Delcy Rodríguez optou por evitar qualquer menção em seu discurso a Chávez, à Revolução Bolivariana, a Maduro, ao seu sequestro e ao ataque dos EUA no qual seus compatriotas morreram. Em vez disso, preferiu expressar gratidão a Donald Trump, o presidente dos EUA que ordenou um ataque militar contra seu país e que, como denunciou o presidente brasileiro Lula da Silva nesta terça-feira, está interferindo na política interna de toda a América Latina.

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Lula também mencionou o embargo dos EUA contra Cuba, que mantém a ilha sem uma gota de petróleo. Mas Rodríguez, cujo país era o principal fornecedor de petróleo bruto de Cuba, não disse uma palavra sobre o país que tem 10 mil médicos na Venezuela, cujos soldados morreram defendendo o mesmo Palácio de Miraflores onde ela trabalha todos os dias.

“Quero agradecer ao presidente Donald Trump e ao seu governo pela disposição em retomar as relações diplomáticas e a cooperação com a Venezuela”, disse Rodríguez, que se reuniu com Trump na terça-feira, durante a recepção oferecida pelo presidente americano à margem da ONU. “A última vez que os presidentes da Venezuela e dos EUA se encontraram foi em 2009. Hoje, estamos trabalhando seriamente para resolver as diferenças existentes por meio do diálogo, mas principalmente para abrir caminho para a cooperação energética, a promoção da segurança, o combate conjunto ao crime transnacional e a cooperação econômica em benefício de nossos povos e de nosso continente.”

Rodríguez acrescentou: “Hoje venho a esta Assembleia para apresentar as aspirações de um país que busca construir seu próprio destino após conflitos políticos e um bloqueio econômico que impactaram o modelo de desenvolvimento, inclusão e igualdade. Por muito tempo, fomos um país dividido por facções entrincheiradas, onde a cor de uma bandeira partidária pesava mais do que o sobrenome comum que todos compartilhamos, venezuelanos. Este capítulo precisa ser encerrado para que se inicie uma nova era política baseada na verdade, na justiça e na capacidade de olhar juntos para o futuro e encontrar um terreno comum por meio de um diálogo político respeitoso.”

“A história nos ensinou que algumas das transições democráticas mais robustas do mundo contemporâneo não nasceram da ruptura, mas da transformação firmemente guiada pelas próprias instituições”, afirmou a presidente interina da Venezuela. “Essa é a inspiração, não a reprodução de uma história estrangeira ou ultrapassada, mas o aprendizado de uma ideia universal. A legalidade pode ser o caminho para um sistema jurídico melhor.” Ela acrescentou: “Quero deixar isso bem claro nesta Assembleia Geral: haverá eleições na Venezuela. O povo venezuelano, com sua sabedoria ancestral, determinará o momento certo, e suas instituições estarão preparadas para garantir esse processo inclusivo e transparente, em um país livre de restrições econômicas de qualquer tipo, para que seu direito ao desenvolvimento seja garantido. As reações espasmódicas de dentro e de fora fazem parte de um espetáculo que os venezuelanos não querem mais presenciar. A Venezuela deve abandonar definitivamente o caminho que permitiu que o extremismo e a intolerância prevalecessem sobre a convivência democrática e pacífica.”

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