Igrejas instam o AfD a respeitar a constituição do estado e a lei fundamental após a vitória eleitoral

Foto: Wikimedia Commons

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08 Setembro 2026

O resultado eleitoral na Saxônia-Anhalt causa medo e preocupação: as Igrejas na Alemanha, o ZdK e a Caritas temem consequências para a democracia, os direitos fundamentais e a convivência social.

A reportagem é publicada por katholisch.de, 07-09-2026.

Igrejas e associações reagiram com preocupação e apelos ao resultado eleitoral na Saxônia-Anhalt. A AfD, classificada com certeza como de extrema direita, obteve 43,8% dos votos, ficando por pouco abaixo da maioria absoluta dos assentos no parlamento estadual. A formação de um governo deve se mostrar muito complicada. "Exigimos que os vencedores das eleições respeitem irrestritamente a Constituição estadual e a Lei Fundamental, e que preservem a dignidade de todas as pessoas, independentemente de origem, religião, modo de vida, desempenho ou posição", afirma uma declaração conjunta divulgada na segunda-feira pela Conferência Episcopal Alemã (DBK), pela Igreja Evangélica na Alemanha (EKD) e pela Comunidade de Trabalho das Igrejas Cristãs na Alemanha (ACK).

Igrejas: olhar crítico sobre o futuro governo

As Igrejas anunciaram que vão observar de perto e acompanhar criticamente a atuação política do futuro governo estadual: "Não vamos desviar o olhar e não vamos ficar em silêncio quando a dignidade humana for violada, nossa democracia for colocada em risco ou o Estado de direito for solapado." Os bispos dirigentes na Saxônia-Anhalt declararam: "O estado está dividido. Nossa preocupação é com a paz social e a convivência entre as pessoas em nosso estado federado." Eles também se mostraram preocupados com as consequências anunciadas pela AfD, em caso de assumir o governo, para a cultura e a educação, a sociedade civil e o voluntariado, as associações de assistência social e as Igrejas, bem como para a segurança interna e externa. A Caritas Alemã se manifestou de forma semelhante: "Um país sem imigração, um país sem esforços de proteção climática e um país sem reformas do Estado social não tem futuro."

Segundo o resultado final provisório e oficial da eleição estadual, a AfD obteve 43,8%, a CDU 17,2%, o SPD 9,3%, os Verdes 8,9%, A Esquerda 8,6% e a BSW 5,3%. Com isso, a AfD, classificada com certeza como de extrema direita na Saxônia-Anhalt, não tem maioria absoluta para um governo próprio. A BSW foi o único partido a sinalizar apoio pontual à AfD. A participação eleitoral foi de 77,8%, um recorde desde a reunificação. Na avaliação do Comitê Central dos Católicos Alemães (ZdK), o resultado eleitoral deve sacudir toda a Alemanha. A presidente da entidade máxima dos leigos, Irme Stetter-Karp, apelou a todos os partidos democráticos para que, sob nenhuma circunstância, formem uma coalizão de governo com extremistas de direita. Seria igualmente urgente uma sociedade civil ativa, que criticasse de forma construtiva a futura política no estado e insistisse no cumprimento dos princípios fundamentais.

Cardeal: "agora depende de nós!"

O cardeal de Munique, Reinhard Marx, falou aos jornais "Münchner Merkur" e "tz" sobre um resultado terrível e deprimente: "Mas essa não é a última palavra!" O que importa agora é que a grande maioria no país se posicione de forma aberta e ativa em defesa da liberdade, da democracia e do Estado de direito. "Cabe a nós lutarmos pela dignidade humana, pelo respeito e pela tolerância, contestarmos em voz alta e de modo audível, resistirmos quando nossas convicções estiverem ameaçadas."

A Comunidade Católica de Mulheres da Alemanha (kfd) vê no fortalecimento da AfD um "perigo para nossa democracia". Em comunicado divulgado na segunda-feira, as vice-presidentes federais da kfd, Ulrike Göken-Huismann e Lucia Lagoda, escrevem: "O reconhecimento da dignidade humana, uma ordem social aberta, livre e solidária, e a igualdade de gênero devem ser preservados, fortalecidos e desenvolvidos." A Aktion Sühnezeichen Friedensdienste e a Comunidade Federal de Trabalho Igreja e Extremismo de Direita advertiram todos os partidos democráticos a agirem com clareza e responsabilidade. Em um comunicado, elas destacam: "A AfD não é um partido democrático, ela não pode ser normalizada." E alertam: com esse partido não pode haver nenhum tipo de cooperação nos parlamentos.

O ex-presidente do Bundestag e católico Wolfgang Thierse disse ao portal católico de Colônia "domradio.de" que é uma insanidade "eleitores cheios de raiva votarem num partido que prejudica seu próprio futuro". Ele lembrou que a AfD também assumiu posições claramente hostis às Igrejas. As Igrejas na Saxônia-Anhalt teriam, portanto, bastante a temer de um possível governo da AfD.

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