Freiras processam por coerção relacionada a pronomes – governo Trump oferece ajuda

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01 Julho 2026

Onde termina a liberdade religiosa e começa a discriminação? Essa questão volta a ser levantada nos EUA, especificamente por uma ordem religiosa que cuida de pacientes terminais de câncer. As freiras estão processando o estado de Nova York por discordarem de uma política antidiscriminatória. Elas receberam apoio do governo do presidente americano Donald Trump.

A reportagem é de Christoph Paul Hartmann, publicada por Katholisch.de, 29-06-2026.

Mas comecemos pelo princípio: as Irmãs Dominicanas de Hawthorne, uma comunidade dominicana, existem desde 1900, fundadas por uma filha do escritor Nathaniel Hawthorne. Desde a sua criação, elas cuidam de pacientes indigentes com câncer em seus últimos dias – totalmente de graça. Sua casa no Condado de Westchester está em funcionamento desde 1901. No entanto, o futuro de suas instalações é incerto.

Desde o fim de 2023, o estado de Nova York possui uma lei para pessoas LGBTQIA+ em instituições de acolhimento. A lei visa protegê-las da discriminação, por exemplo, devido à sua identidade de gênero, orientação sexual ou soropositividade para o HIV.

Disputa sobre pronomes e quartos

Em relação à alocação de quartos e ao uso dos banheiros, os enfermeiros teriam que respeitar o gênero declarado pelos pacientes, e não o gênero que eles próprios lhes atribuíssem. Além disso, teriam que usar os pronomes apropriados e treinar sua equipe sobre a discriminação contra pessoas LGBTQIA+.

As freiras, no entanto, recusam-se a cumprir a lei. Elas enfrentam multas e até mesmo a revogação de suas licenças. Por isso, entraram com um processo judicial. Para elas, trata-se de uma questão de liberdade religiosa. Agora, elas estão recebendo apoio do governo americano, sob a presidência de Donald Trump. O Departamento de Justiça interveio no processo em andamento. "Os estados devem observar que não podem obrigar os americanos a abandonar suas crenças religiosas em nome da ideologia de gênero woke", diz um comunicado divulgado na quinta-feira. "A lei de Nova York força essas freiras a escolher entre sua fé e suas licenças se desejarem continuar cuidando de pessoas em fase terminal."

A governadora nova-iorquina, Kathy Hochul, rebateu na Fox News: "Esta é apenas mais uma lamentável tentativa do governo Trump de instrumentalizar o judiciário em ano eleitoral", afirmou por meio de um porta-voz. As eleições de meio de mandato nos EUA, que podem alterar o equilíbrio de poder no Congresso, serão realizadas em 3 de novembro.

A lei antidiscriminação não teve consequências práticas até o momento. Segundo as freiras, houve "zero queixas" entre fevereiro de 2022 e janeiro de 2026, em comparação com mais de 55 mil queixas contra outras instituições. Permanece a dúvida se as freiras estão simplesmente fazendo um bom trabalho ou se pessoas LGBTQIA+ estão evitando instituições católicas por medo de discriminação.

Nos Estados Unidos, o direito à liberdade religiosa é frequentemente invocado em situações cotidianas onde pessoas de fora dos EUA menos esperariam. Por exemplo, em 2018, a questão de se um padeiro poderia se recusar a fazer um bolo para um casamento entre pessoas do mesmo sexo por motivos religiosos causou bastante polêmica.

Linguagem clara do catecismo

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) aborda claramente a questão do gênero: "Todo ser humano, seja homem ou mulher, deve reconhecer e aceitar a sua sexualidade", afirma, por exemplo (2333). "As diferenças físicas, morais e espirituais e a sua complementaridade mútua são ordenadas para os bens do matrimônio e para o desenvolvimento da vida familiar. A harmonia do casal e da sociedade depende, em parte, da forma como o marido e a mulher vivem a reciprocidade, a necessidade e a assistência mútua."

Que a fé e a identidade queer podem interagir de maneiras completamente diferentes é demonstrado por um exemplo também de Nova York. Na Igreja de São Paulo, a iniciativa "Out at Saint Paul" acolhe pessoas LGBTQ+. Seus padrões comunitários afirmam que desejam ser respeitosos com todas as pessoas, independentemente de sua orientação ou identidade. Eles querem criar um espaço seguro para todos. "Isso significa ter cuidado com a linguagem, com as interações e com a escolha da mídia que compartilhamos com os outros."

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